Nós alimentamos o Facebook e outros tubarões

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Nós alimentamos o Facebook e outros tubarões

Da mesma forma que a Lava-Jato tem funcionado como o epicentro em revelar parte da corrupção a partir dos mecanismos na Petrobras, como não começar a supor que este terremoto não terá abalos em outras redes como Instagram, Twitter, Whatsapp e afins?


13 de abril de 2018 - 11h31

(Crédito: Divulgação)

Como todos pudemos ser tão ingênuos durante 14 anos em acreditar no almoço grátis do Facebook? Diante das revelações de que a rede social de mister Mark Zuckerberg captura dados até de quem não tem conta na plaforma e pode fazer reconhecimento facial de pessoas em fotografias mesmo não estando cadastradas, foi como ter chamado a raposa para cuidar do galinheiro.

Durante esta década e meia na qual mais de 2 bilhões de usuários se maravilharam com a possibilidade de compartilhar o que lhes interessava, saber como estão amigos de infância e ex-namorad@s, Zuck e seus alquimistas dos algoritmos acessavam a informações que não se fazia a ideia da existência e passou a conhecer os comportamentos de consumo que enriqueceram a ele e um outro tanto de empresas.

Os millennials não são atrasados e começaram a desembarcar há tempos. Tenho em casa uma adolescente de quase 15 anos que há uns dois não acessa mais a rede social de Zuck.  Ela navega em outras redes, contudo continua sendo peixe.

Afinal, o vazamento que levou Zuck, como CEO da empresa, a depor no órgão equivalente à Câmara dos Deputados do Brasil, pode ser somente o primeiro tremor. Da mesma forma que a Lava-Jato tem funcionado em terras verde-amarelas como o epicentro em revelar parte da corrupção a partir dos mecanismos na Petrobras – e ainda não se começou a levantar o véu sobre outros segmentos e estatais –, como não começar a supor que este terremoto não terá abalos em outras redes como Instagram, Twitter, Whatsapp e afins? Como confiar?  E não passar por pato mais uma vez?

Ao menos, Zuck teve uma pequena prova do próprio veneno. Ainda que seus consultores em gerenciamento de crise tenham feito a lição de casa em elaborar um profundo Q&A (Questions&Answers, perguntas e respostas, ferramenta para preparar uma fonte a ser inquerida), ao sair do Senado, onde também foi sabatinado, o fundador do Facebook, inadvertidamente, deixou sobre a mesa suas notas. Duas páginas foram clicadas por um fotógrafo da Associated Press, e as imagens se converteram em milhares de tweets, revelando a “cola” de Zuck.

Ok, agora, se começou a falar dos botões para desabilitar aplicativos. Igual, nós, os patos e peixes, continuamos naquela de “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”.

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