Brasil zera em Film pela segunda vez na história
País sai sem prêmios da competição que deu origem ao Cannes Lions, na qual só havia conseguido emplacar um finalista

“Despedidas”: campanha de Dia das Mães de O Boticário foi única finalista brasileira em Film no Cannes Lions 2026 (Crédito: Reprodução)
Competição que deu origem ao Cannes Lions, a área de Film é uma das mais difíceis para a publicidade brasileira. Apesar da boa performance em outras áreas, o País sai sem prêmios da área mais tradicional do evento, o que ocorre pela segunda vez na história – a primeira foi em 2024.
Só havia uma possibilidade de prêmio para o Brasil, cuja menção no shorlist foi para o comercial “Despedidas”, da AlmapBBDO para O Bocitário, vencedor de 1 Leão de Bronze em Film Craft.
O desempenho em Film tem sido um anticlímax para o Brasil, já que o resultado da área é sempre divulgado no último dia do festival. Embora o resultado na categoria tenha caído nas últimas edições, houve as conquistas de 2 Bronzes em 2025, 1 Prata em 2023, 2 Bronzes em 2022 e 1 Prata e 5 Bronzes em 2021. Os comerciais brasileiros premiados com Bronzes em Film no ano passado foram “Mancha Invisível”, da BETC Havas, Lobo e Dahouse para Vanish; e “Skin”, da LePub, Czar, Dahouse e PXP para Raça Magazine. O último Leão de Ouro da publicidade brasileira em Film é de 2019.
Em 2026, o País também não recebeu nenhum prêmio em outras duas competições cujos resultados estão saindo nesta sexta-feira, 26: Titanium, onde não havia nenhum finalista do País, e Sustainable Development Goals, na qual o mercado nacional concorria com o case “Desaparecidos”, da Ampfy para Piracanjuba.
Já em Glass, a expectativa é em relação ao Grand Prix, após a carreira vitoriosa que fez no ano passado o case “Nigrum Corpus”, da Artplan para Idomed e Instituto Yduqs. Vencedor do Grand Prix de Industry Craft, 2 Ouros e 1 Bronze, a livro volta atualizado ao Cannes Lions 2026 competindo em áreas em que não foi inscrito anteriormente.
Há três anos, a organização instituiu a prática de liberar antecipadamente a publicação pela imprensa dos Leões de Prata e Bronze, que são entregues aos vencedores durante a tarde na escadaria do Palais des Festivals, mantendo o embargo para Ouros e Grand Prix, até que sejam anunciados oficialmente na cerimônia de premiação da noite.
Saiba mais sobre o histórico do Brasil em Film
O Festival Internacional de Criatividade de Cannes chega neste ano à sua 73ª edição com 31 competições. Entretanto, a única premiada em todas elas é a de Film. Quando o evento surgiu, em 1954, em Veneza, o prêmio era destinado exclusivamente aos melhores filmes publicitários exibidos em cinemas antes dos longas-metragens. Depois fixado em Cannes, o festival se dedicou exclusivamente aos filmes até 1992, quando foi introduzida a premiação de Press & Outdoor.
O mercado publicitário brasileiro só descobriu o evento quase vinte anos depois, em 1971, quando, pela primeira vez, um publicitário do País integrou o júri: Alex Periscinoto, falecido em 2021 e, na época da estreia no evento, vice-presidente da Almap. Quatro anos depois, em 1975, o Brasil conseguiu o primeiro Leão de Ouro do País. Washington Olivetto, então na DPZ, escreveu o texto do filme “Homem com mais de 40 anos”, assinado pelo Conselho Nacional de Propaganda e que nasceu a partir de um anúncio veiculado em 1º de maio de 1975, Dia do Trabalho.
Até 1980, o Brasil havia conquistado somente 3 Leões de Ouro em Cannes. Mas entre 1981 e 1990, período que, curiosamente, coincide com a chamada década perdida para nossa economia, o País brilhou com nada menos que 26 Leões de Ouro em Film – foram os anos dourados da publicidade brasileira. Alguns dos maiores clássicos de nossa propaganda datam dessa época. Em 1981, foram 3 Ouros. Um deles para “Adeus” e “Readmissão”, da DPZ e ABA Filmes, que mostravam a suposta saída e a volta triunfal do Garoto Bombril aos comerciais da marca. Um dos troféus de 1989 foi para o impactante “Hitler”, da W/GGK e ABA Filmes para a Folha de S. Paulo.
Na década seguinte, embora com menos Leões — foram 9 Ouros em Film entre 1991 e 2000 —, o Brasil manteve o nível em comerciais como o das formiguinhas que eram lançadas ao ar pelo aparelho de som da Philco (da então novata F/Nazca, em 1996); “Leds”, da Y&R para Gradiente, que transformou um prédio em aparelho de som, em 1998; “Cachorro peixe”, da AlmapBBDO para Volkswagen, em 2009; e, especialmente, “A semana”, da W/Brasil para a Editora Globo que foi longe em 2000 e disputou o Grand Prix.
Mas, de 2001 para cá, o desempenho em Film rareou e o Brasil ganhou apenas 3 Ouros entre 2001 e 2010, e outros 3 Ouros entre 2011 e 2020. O que salvou essa última década foi o Grand Prix conquistado em 2015 pelo filme “100”, da F/Nazca S&S e Stink para Leica Gallery – um filme de dois minutos que homenageia não só o centenário da marca Leica, mas a história da fotografia, ao reproduzir cenas marcantes.
O último Leão de Ouro em Film do Brasil foi conquistado em 2019, com “The Endless Ad”, da Wieden + Kennedy para P&G. No ano passado, o País ganhou apenas um Leão de Prata, com “Buscapé”, da VMLY&R, O2 Filmes e Supersonica para Vivo e Motorola.
Desde que começou a participar do festival, o Brasil só não foi premiado em Film em duas ocasiões: primeiro em 2024 e agora, em 2026.
