Diretoras buscam mais oportunidades por trás das câmeras

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Diretoras buscam mais oportunidades por trás das câmeras

Após mais de um ano de existência no Brasil, projeto Free the Bid ganha adesão de 14 agências; ideia é ampliar trabalhos de profissionais do audiovisual

Bárbara Sacchitiello
8 de março de 2019 - 8h00

Diretoras que fazem parte do projeto fazem balanço das primeiras ações (Crédito: Divulgação)

Entre as diversas áreas da indústria da comunicação em que as mulheres buscam maior participação está o setor audiovisual. Da percepção de que a maioria dos profissionais contratados para dirigir comerciais ainda são homens, a Apro (Associação Brasileira de Produção de Obras Audiovisuais) trouxe ao Brasil, há mais de um ano, a plataforma Free the Bid. Idealizada nos Estados Unidos, a iniciativa propõe um compromisso às agências de publicidade: incluir ao menos uma mulher nos orçamentos feitos com diretores de cena para a produção de comerciais.

Após o primeiro ano completo em vigência no País, o Free the Bid já consegue mensurar os primeiros resultados: 14 agências de publicidade tornaram-se signatárias do compromisso de incluir diretoras de cena em seus orçamentos de produção: Africa, AKQA, BETC/ Havas, Dentsu, Fbiz, F/Nazca, FCB, Isobar, Lov, Mutato, Publicis, R/GA , Tribal e WMcCann. A DM9 também chegou a assinar o pacto antes de ser fundida com a Sunset, dando origem à SunsetDDB.

Ao longo do ano passado, essas agências fizeram orçamentos com 25 diretoras de cena que fazem parte do Free the Bid no Brasil — além da regra para a cotação dos diretores, o movimento também funciona como um banco de dados de talentos, no qual as diretoras expõem seu portfólio e experiências profissionais.

Apesar da adesão das agências, a proposta do movimento é aumentar a conversão de cotações em contratos de trabalho. Dos 970 orçamentos dos quais participaram no ano passado, as diretoras de cena associadas ao movimentando foram contratadas para 276 (média de 28% do total). “Quando chegarmos a 50% estarei feliz. Mas a competição no setor ainda é alta e, infelizmente, o ciclo do mercado fez com que apenas homens adquirissem experiências na direção de cena de determinadas áreas. Em comerciais de carros, por exemplo, a grande maioria dos diretores de cena é homem. Aí, quando uma nova agência precisa contratar um diretor e exige experiência, ela acaba caindo novamente na contratação de um homem”, explica Marianna Souza, presidente-executiva da Apro, gerente da Film Brazil e uma das responsáveis pela implementação do Free the Bid no País.

Entre as agências que mais contrataram diretoras de cenas para trabalhos no ano passado, segundo análise do Free the Bid, a Publicis aparece em primeiro lugar, seguida de BETC/Havas, Africa, Dentsu, Mutato e DM9. Já considerando as que mais fizeram orçamentos com diretoras mulheres, Africa e Publicis dividem a liderança, seguidas de DM9, BETC/Havas e Dentsu. “Demos importantes saltos, conquistamos importantes parcerias e pudemos observar que, sim, a quantidade de filmes dirigidos por mulheres aumentou. Mas não se muda um modo de pensar assim, de uma hora para outra. É importante termos a consciên cia que o trabalho vai muito além de firmar um compromisso de participação em um orçamento”, opina uma das integrantes do projeto, Mariana Youssef, diretora de cena da Paranoid.

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