Live marketing quer mudanças em concorrências

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Live marketing quer mudanças em concorrências

Modelos e prazos de pagamento estão sendo questionados; Ampro investe em campanha para anunciantes e Dream Factory propõe novos formatos

Teresa Levin
11 de maio de 2020 - 12h12

Um post do CEO da BRF  Lourival Luz, no LinkedIn, tornou-se espaço para a manifestação de representantes do setor de live marketing pedindo mudanças em prazos de pagamento e no formato de concorrências. Aproveitando uma manifestação do executivo sobre resultados e doações, algumas lideranças de agências do segmento levantaram suas queixas em relação à práticas como leilão reverso e pagamentos em um período de 90 à 120 dias, praticados pelo anunciante em uma concorrência em curso. À reportagem, a BRF enviou nota oficial dizendo que “vem implementando a modalidade de leilões eletrônicos na área de Suprimentos, por ser uma prática que assegura a transparência e a livre concorrência”, que “o leilão eletrônico é uma das etapas do processo, que também inclui avaliação técnica de cada fornecedor participante” e que “todo o processo é realizado com regras e condições preestabelecidas e claras, que são comunicadas aos participantes desde o início do leilão”. Mas o fato é que  a discussão envolvendo a BRF ocorrida na última semana dá sequência a uma série de queixas estabelecidas neste segmento. Para profissionais do live marketing, são práticas que que se mostram ainda mais danosas em meio aos efeitos da crise desencadeada na economia pela pandemia da Covid-19.

A Associação de Marketing Promocional (Ampro), uma das entidades líderes do segmento,  iniciou um movimento nacional pela mudança definitiva nas condições de contratação das agências de live marketing por parte dos clientes. Intitulada #jobEnteguejobPago, a campanha conta com a adesão e o apoio da Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap) e da Federação Nacional de Agências de Propaganda (Fenapro). “Esta é uma bandeira histórica da Ampro, mas a crise evidencia este problema como nunca”, observa Alexis Pagliarini, presidente executivo da Ampro. A entidade alerta para um cenário de agências fragilizadas com um levantamento que mostra que a crise do novo coronavírus prejudicou diretamente mais de 70% de suas afiliadas. Por isso, em sua campanha, a Ampro questiona a realização de concorrências não remuneradas, contratos sem garantias, sem compromisso de faturamento anual e com prazos de pagamento de 60, 90 ou 120 dias.

As práticas consideradas predatórias também são criticadas por Célio Aschar, sócio da Aktuellmix e ex-chairman da Ampro, que assinou um artigo sobre o tema, no mês passado, no site do Meio & Mensagem. “Num momento onde pessoas estão sendo demitidas em grande escala, não podemos mais aceitar pagamentos acima de 30 dias. É uma prática insustentável que está agravando mais ainda a crise”, reclama. Celio frisa que, embora alguns anunciantes também estejam passando por problemas sérios, este é o momento certo do diálogo e da união de forças. “Temos que entrar num consenso do que possa ser uma relação sustentável”, observa.

Com visão similar, a Dream Factory elaborou um manifesto no qual critica os modelos vigentes. “Precisamos realmente do apoio das marcas nesse momento. A grande maioria do nosso mercado não vai ter qualquer faturamento nos próximos meses. Com isso, muitas agências vão quebrar e milhares de pessoas vão ficar desempregadas”, prevê Claudio Romano, CEO da Dream Factory. Para ele, é fundamental mudar o processo de concorrências, que atualmente demanda que uma equipe inteira trabalhe de graça para criar uma campanha ou um projeto, que, na maioria das vezes, é jogado fora. “Com as equipes reduzidas devido à crise e sem faturamento, o processo atual não é sustentável. Isso envolve a concorrência em si e também os prazos de pagamentos atuais, que giram em 90 ou 120 dias”, diz. A sugestão da agência é que os clientes realizem análises técnicas das empresas através do seu histórico. “E, naturalmente, estabeleçam uma negociação em cima de uma proposta comercial que foque nas receitas das agências e não nos custos de terceiros”, sugere. A Dream Factory anuncia que o seu movimento já conseguiu a adesão de pelo menos dois anunciantes: Ipiranga e UOL.

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