Agências estruturam escritórios no metaverso

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Comunicação

Agências estruturam escritórios no metaverso

Empresas ingressam no universo virtual para engajar funcionários e incentivar clientes

Thaís Monteiro
19 de maio de 2022 - 7h00

Para além de ajudar seus clientes a criar ativações e anúncios no metaverso, as agências publicitárias estão empreendendo em esforços próprios para estar presentes no novo hype do mercado. Agências, consultorias, holdings e grupos como Accenture, Havas, WPP, Media.Monks, R/GA e Wunderman Thompson inauguraram ou se preparam para abrir escritórios no universo virtual de plataformas como Roblox, AltspaceVR, da Microsoft, Sandbox e tantas outras.

 

Escritório do Havas Group no metaverso visa reunir colaboradores (Crédito: Reprodução/Havas Group)

A Media.Monks foi pioneira, passou a explorar o metaverso ainda em 2020. No início da pandemia de Covid-19, o diretor de soluções criativas Lewis Smithingham começou a realizar reuniões nos videogames Grand Theft Auto e Animal Crossing. Ainda em março, o produtor executivo Brook Downton criou uma réplica do escritório de Nova York no Minecraft. A intenção da Media.Monks é continuar a construir espaços nas diversas plataformas onde há público e realizar uma pesquisa para entender o que funciona em qual domínio para compreender como auxiliar clientes na empreitada.

Para a empresa, não basta replicar estruturas, mas compreender como estar no metaverso agrega para cada organização. “É compreensível que as empresas estejam se apressando na apropriação literal das terras para tentar replicar 1:1 suas estruturas e espaços de relacionamento no mundo real. Qualquer empresa que esteja contemplando uma mudança para o metaverso deve primeiro se perguntar se pode agregar valor e significado de uma maneira que seja autêntica para sua marca, funcionários e, mais importante, seu público”, coloca Smithingham.

Em fevereiro, o Havas Group anunciou a intenção de criar um escritório no metaverso descentralizado Sandbox para lançar conteúdo exclusivo, gameficado e animado, além de realizar conferências, eventos, shows, entre outras atividades. O espaço ganhou o apelido de Havas Village e visa conectar as pessoas com mais qualidade.

Conforme Alexandra Brown, CMO da BETC Havas, agência que é parte do grupo, todas essas experiências e intenções se tratam de dois aspectos comuns: a sensação de presença e senso de comunidade. “Não é que o escritório vai morrer. Ele só é algo além, como o próprio nome diz. Ele vai contribuir para esse novo formato de trabalho para novas possibilidades porque é sobre senso de presença”, explica. “Vamos acabar com essa perda de limitação da presença e distância”, complementa.

A Accenture passou a explorar o metaverso em novembro de 2020 com a criação um campus virtual e réplicas de escritórios na Índia, Espanha e Califórnia no AltspaceVR, da Microsoft. Lá, eles realizam a recepção de novos colaboradores, reuniões, aulas sobre novas técnicas, encontros de network e colaborações. Cerca de 150 mil colaboradores contratados este ano já começaram a interagir com o metaverso em seu primeiro dia na empresa.

Esse movimento também parte de uma naturalização ou maior aceitação de que o futuro do trabalho é remoto e inclui novas ferramentas de interação, integração e cocriação que, no caso, podem acontecer em outros espaços que não salas de conferências físicas.

“Na pandemia fomos forçados a ter uma aceleração da digitalização porque não tivemos escolha. O que percebemos é que as pessoas aprenderam a trabalhar fora do trabalho. Desde 2016 eu fazia isso. Pra mim sempre foi fácil trabalhar na nuvem. O trabalho remoto veio para ficar e os chefes acreditaram. As empresas estão de pé, continuaram a manter o lucro”, argumenta Alexandra.

Auxílio aos anunciantes
O experimento nas plataformas que hoje já são consideraradas metaversos é uma forma das empresas se especializarem nos terrenos que se tornam populares ao olhar dos consumidores e, consequentemente, das marcas que são clientes de tais agências.

“Não basta apenas falar sobre isso, é preciso estar disposto a passar um tempo nesses espaços, experimentá-lo em primeira mão e aprender o que está funcionando”, coloca Tim Dillon, VP sênior de mundos virtuais e reais da Media.Monks. Para isso, a empresa já conta com desenvolvedores, criativos especialistas em tecnologia, arquitetos de computação e infraestrutura e especialistas interdisciplinares para atender os parceiros na demanda sobre o metaverso.

De forma similar, R/GA e a Wunderman Thompson abriram espaços no metaverso para auxiliar clientes a compreender o conceito. A R/GA inaugurou um escritório no Roblox em 2020 para contextualizar os anunciantes sobre o que é a Web 3.0 e incentivar sua exploração, mas a empresa visa criar um escritório no Descentraland. Já a Wunderman Thompson abriu um espaço B2B no na plataforma Odyssey este ano com áreas de varejo, jogos, conferências e quiosques para educar clientes sobre a experiência do usuário e recursos do metaverso.

Outra forma, encontrada pelo Havas Group, é criar uma vertical especializada no tema, servindo como referência aos potenciais clientes interessados em conhecer mais sobre o metaverso. A a Metaverse by Havas, uma consultoria e serviço de criação e mídia é parte dessa estratégias. Ela visa atender marcas que buscam se inserir no metaverso. “Vemos no metaverso essa possibilidade de reinventar no branding, história de marca, potencial de receita”, descreve Alexandra.

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