Envolvimento cultural de marcas é fator decisivo para compra

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Envolvimento cultural de marcas é fator decisivo para compra

Pesquisa do Twitter junto a Magna, WMcCann e IPG Media Lab indica que brasileiros preferem empresas que se conectam com movimentos sociais

Thaís Monteiro
18 de setembro de 2019 - 6h14

 

Metade dos entrevistados considera um fator decisivo de destaque uma empresa assumir posições políticas (Crédito: Clem Onojeghuo/Unsplash)

“O aspecto preço/qualidade dos produtos da marca já não é algo bem representativo no momento de decisão de compra, para nossa surpresa. Imaginávamos que seria um fator muito importante, mas o estudo nos mostrou que sua relevância foi considerada decisiva para menos da metade dos entrevistados”, avalia Camilla Guimarães sobre um dos resultados do levantamento O Impacto Cultural, que coloca o preço e qualidade do produto como o aspecto mais relevante para apenas 47% dos entrevistados. Responsável pela área de pesquisa do Twitter, a executiva aponta que a cultura e as causas sociais têm se tornado um ponto cada vez mais relevante nos critérios de avaliação do consumidor. Hoje, 26% dos brasileiros já colocam o envolvimento das marcas nestas questões como mais relevante no momento de pagar pelo produto.

Os dados são conclusões de um trabalho da rede social em conjunto com a Magna, a WMcCann e a IPG Media Lab. O levantamento visa trazer mais insights sobre a resposta do público ao posicionamento de empresas e marcas frente à polarização vigente, não só na política, mas em esferas sociais no geral. Para isso, foram entrevistados 522 brasileiros do público geral e 200 brasileiros usuários do Twitter.

Do público geral, 50% afirmam que uma empresa assumir uma posição política é decisivo para ela se destacar no mercado. Camilla destaca que a preocupação dos brasileiros relacionados ao posicionamento político supera os dados de usuários da América do Norte, por exemplo. Na mesma pesquisa conduzida nos Estados Unidos e Canadá, apenas 30% dos consumidores acham que marcas devem se posicionar.

O público mais impactado são os jovens de 18 a 35 anos e, normalmente, pessoas com maior renda. De acordo com Camilla, 65% dos jovens se consideram mais empolgados com a cultura contra 40% dos mais velhos. As redes sociais com maior relação ao tema são Twitter, Instagram, YouTube e Facebook. Dos usuários do Twitter, 74% preferem empresas que se conectam à cultura e 68% julgaram que as marcas precisam dar algo em retorno à comunidade de alguma forma, seja através de ações filantrópicas ou se posicionando politicamente.

Parte da preocupação dos brasileiros em relação a cultura se deve pela ampliação da definição do conceito. “Sempre escutamos os termos relevância cultural, mas antes isso era sobre se associar à música, línguas, religião, culinária, tradições ou ao futebol. A cultura se ampliou bastante. É sobre estar conectado à discussão do momento, como hoje estamos debatendo sustentabilidade, assédio e demais tópicos”, contextualiza.

Atualmente, as indústrias que se destacam nesse quesito são as de bebidas, entretenimento e serviços financeiros. Empresas relevantes no âmbito cultural também causam melhor impressão nos entrevistados: 80% consideram elas mais informadas e 75% acreditam que são mais engajadas e inclusivas. Para Camilla, as marcas que querem ganhar espaço nesse território devem se aproximar de eventos, como a Copa do Mundo e festas junina, por exemplo, se alinhar às tendências de curto a longo prazo, como minimalismo e beleza natural, e dar retorno para a sociedade com iniciativas de inclusão, na luta por direitos humanos e educação, mas sempre se mantendo alinhadas ao público-alvo.

**Crédito da imagem no topo: Harrison Moore/Unsplash

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