Home office dá continuidade às operações de empresas

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Home office dá continuidade às operações de empresas

Em tempos de pandemia gerada pelo novo coronavírus, modelo aplicado de forma inesperada, por parte das companhias, pode gerar problemas operacionais, mas também mostrar a viabilidade da ausência de presença física

Victória Navarro
20 de março de 2020 - 6h00

Diante da rápida disseminação do novo coronavírus (Covid-19), o home office veio para, junto de tecnologia e capacidade criativa, manter em movimento a oferta de produtos e serviços aos clientes de diversas companhias do mercado brasileiro. Nos últimos dias, dentre uma série de medidas adotadas a fim de evitar aglomerações em deslocamento de pessoas, bem como convívio físico entre profissionais, muitas empresas passaram a atuar sob o modelo de trabalho remoto. A aplicação do método de colaboração chegou, para parte das companhias, de modo inesperado e pouco planejado, o que pode implicar, caso não haja transparência, em problemas operacionais e disseminação de vírus digitais, mas, por outro lado, na desmistificação do home office por aqueles que ainda valorizam a presença física em vez de resultados reais.

 

Em 2018, de acordo com o IBGE, 2018, 3,8 milhões de brasileiros já trabalhavam sob o modelo home office (crédito: Jacoblund/iStock)

Segundo Nilson Filatieri, CEO e cofundador da HeroSpark, plataforma de soluções para empreendedores digitais, a adoção do trabalho remoto por empresas que não são acostumadas a trabalhar sob modelo pode ser turbulenta. “Nem todas as empresas estão preparadas. Ainda percebo lideranças que valorizam mais a comunicação presencial”, complementa Izabela Mioto, coordenadora da pós-graduação de Gestão de Pessoas: Desenvolvimento Estratégico do Capital Humano, da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap). 

Após o período de isolamento, determinado em decorrência da rápida e fácil disseminação do novo coronavírus, o CEO e cofundador da HeroSpark acredita que as empresas “não passarão a adotar esse modelo como lei, mas ficarão mais flexíveis a essa prática”. Izabela acrescenta que, mesmo que forçadamente, talvez essa seja uma oportunidade de as pessoas e empresas experimentarem um novo formato, até porque “não reconhecemos aquilo que não conhecemos”.

Nilson e Izabela concordam que o modelo home office surgiu para otimizar o principal recurso dos colaboradores, o tempo. “Dependendo da cidade em que a pessoa mora, é natural que perca até quatro horas por dia indo e vindo do trabalho”, esclarece o executivo. O trabalho em casa, além disso, diminui gastos com locação de salas comerciais, pagamentos de transporte e contas de água e luz. Por outro lado, a professora ressalta que nem todas as pessoas estão preparadas para atuar sob o modelo. “Existem personalidades que se beneficiam de ambientes calmos, sem muitas interferências, Para outras, o contato com pessoas é uma fonte de energia. Nesse caso, o isolamento pode trazer desânimo e desmotivação”, explica. Outro ponto, acrescenta, é a necessidade de as companhias oferecerem bons recursos tecnológicos para seus funcionários — internet e equipamento —, uma vez que nem todos contam com isso em suas residências.

No Brasil, o home office, destacou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), teve queda de 2,1%, entre 2012 e 2014; cresceu 7,3%, em 2015; e voltou a ter queda de 2,2%, em 2016. Foi, em 2018, quando 3,8 milhões de brasileiros já trabalhavam em casa que o modelo atingiu seu auge — embora, aponta Izabela, a alta informalidade dos empregos tenha contribuído para essa estatística. Empresas como Amazon e Google, conta Nilson, adotam esse modelo há tempos. “É cultural, vai de país para país. O fim do modelo de repartição pública veio, em parte, junto com o empreendedorismo digital”, afirma.

“Se as pessoas não se planejarem, torna-se fácil perder o foco. A nossa casa possui mais distrações, em alguns casos. Home office é trabalho e exige responsabilidade”, diz Nilson, da HeroSpark

Metodologia e organização
Entretanto, o trabalho em casa, reforçam, funciona mediante disciplina. “Se as pessoas não se planejarem, torna-se fácil perder o foco. A nossa casa possui mais distrações, em alguns casos. Home office é trabalho e exige responsabilidade”, lembra o CEO e cofundador da HeroSpark. A professora da Faap aponta que a empresa, na figura da área de recursos humanos e das lideranças, deve criar um guia que dê as principais dicas para que os colaboradores saibam a melhor forma de trabalhar em casa: “Nesse contexto, entram itens como clareza de metas e atividades a serem realizadas e a forma de acompanhamento, para que os chefes possam realizar os ajustes necessários diante da situação de seus times.”

Nilson esclarece que é crucial definir um canal de comunicação. “De preferência, um que não gere muita distração e as informações acabam se perdendo”, diz. Em empresas que trabalham tempo integral sob o regime de home office, é natural, afirma, que os líderes marquem encontros periódicos entre toda a equipe, a fim de facilitar a integração e criar alinhamentos.

“É preciso que líderes e gestores de recursos humanos deem exemplos, assumindo a posição de conselheiros”, recomenda Izabela, da Faap.

Vírus digitais
Porém, como o home office, até então, não fazia parte do cotidiano de diversas empresas, muitas não tiveram tempo de preparar uma infraestrutura de segurança da informação, capaz de proteger os dados que passarão a transitar pelas redes privadas e mobile de cada colaborador. Dessa forma, afirma a professora da Faap, é importante que haja diretrizes que orientem os funcionários sobre o envio e o armazenamento de arquivos, confidencialidade de informações e esferas de acesso. “Para isso, é preciso que líderes e gestores de recursos humanos deem exemplos, assumindo a posição de conselheiros. Assim, colaboradores com dúvidas saberão quem acionar para ter os devidos esclarecimentos”, recomenda Izabela. 

A professora conta que algumas companhias, especialmente nos últimos anos, quando as ciências comportamentais passaram a ganhar espaço no mercado, criaram personagens digitais — não, necessariamente, bots ou mecanismos com inteligência artificial, mas imagens e cartoons mais simples, que orientam as pessoas. “Também é importante que a empresa defina de maneira clara e objetiva quais as ferramentas aceitas nessa troca de dados e mensagens e que, caso outra seja utilizada, haja uma orientação rápida”, adiciona. Segundo Izabela, é importante, ainda, que a empresa defina, de maneira clara e objetiva, quais as ferramentas aceitas na troca de dados e mensagens e fomentar a utilização e atualização de programas antivírus e de proteção contra phishing, malware e outras ameaças online, que podem atingir aqueles que não costumavam acessar informações corporativas de seus próprios notebooks, desktops e smartphones. 

*Crédito da foto no topo: Sturti/iStock

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