O Vir.us 2020: oportunismo e/ou alienação?

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O Vir.us 2020: oportunismo e/ou alienação?

Mônica Gregori, co-fundadora da Cause e Cecilia Troiano, diretora geral da Troiano Branding analisam a polêmica acerca do nome da marca de roupas da atriz Thaila Ayala

Amanda Schnaider
9 de junho de 2020 - 17h19

Letícia de Sá, Thaila Ayala e Juliana Xavier (Crédito: reprodução)

Nesta semana, a atriz Thaila Ayala recebeu uma chuva de críticas por conta do nome dado a sua marca de roupas: Vir.us.2020, lançada em plena pandemia da Covid-19, que está matando milhares de pessoas ao redor do mundo. Em seu manifesto, a marca convidava as pessoas a “viralizar o melhor da vida e construir um novo mundo mais colorido”.

Após isso, muitas pessoas começaram a comentar e criticar, nas redes sociais, a atitude da atriz de tentar “tirar proveito” da pandemia. Entre os comentários estavam coisas como: “não se romantiza o coronavírus”, “nome infeliz”, “que vergonha o nome dessa marca em plena pandemia”, “oportunista e alienada”. Então, Thaila usou seu perfil no Instagram para tentar explicar a situação, respondendo um cometário, afirmando que a escolha do nome foi com boa intenção e que veio da locução verbal “tornar viral”.

 

Thaila tenta se explicar, respondendo um comentário (Crédito: reprodução)

Apesar disso, o termo ‘Virus 2020’ foi parar entre os assuntos mais comentados no Twitter Brasil na tarde de segunda-feira, 8. Até mesmo o influenciador Felipe Neto usou sua conta para expressar sua indignação a respeito do assunto. Ele disse: “Esse vexame da marca ‘Virus 2020’ só reforça a importância de se ter especialistas em comunicação em todo o projeto”.

Ainda na segunda-feira, porém, um pouco mais tarde, após a repercussão negativa, Thaila reposicionou a marca, mudo seu nome para Amar.ca 2020 e retirou algumas publicações do ar, além disso, as legendas dos posts também foram alteradas. A página oficial trouxe seu reposicionamento: “Somos uma marca nova e atenta, comprometida a escutar, trocar experiências, ser criativa e diversa. Queremos cada vez mais ter um canal aberto com vocês, adoramos ouvir e por isso nos inspiramos a mudar nosso nome. Agora somos a AMAR.CA”. Ainda na segunda-feira, Thaila usou seu perfil no Instagram para pedir desculpas ao público: “Quero pedir desculpa a todos vocês que apontaram as incongruências. Nunca quis romantizar a pandemia. Esse assunto nunca deve ser romantizado”.

Para Mônica Gregori, co-fundadora da Cause, consultoria que apoia organizações a desenharem estratégias de engajamento em torno das causas que são relevantes para elas, a ação não foi fruto de maldade nem oportunismo, mas sim, de uma alienação. “Não dá para julgar, porque não sabemos exatamente, de repente a marca já estava desenhada. A única coisa que posso dizer que me parece uma alienação que não conseguiu enxergar qual era o real significado desse termo hoje na vida das pessoas”, reforça. Ela ainda observa que neste caso houve um erro de contexto. “No ano passado não teria nenhum problema, porque todo mundo iria achar que era viral, fala-se do marketing viral, de contagiar os consumidores. Eram palavras que tinham outro significado, por isso que é importante a leitura do contexto o tempo inteiro, principalmente quando se está falando de uma marca, de posicionar um produto”, completa.

Por outro lado, Cecilia Troiano, diretora geral da Troiano Branding, discorda de Mônica. Para ela, a marca foi criada fazendo uma “escada” com o uso do vírus. “O próprio manifesto criado para a marca, faz essa ‘escada’ para alavancar a nova marca. Ou seja, foi sim um oportunismo e não uma oportunidade”, reforça. Cecilia, ainda pontua: “Não foi desatenção, foi uma marca criada para navegar na onda da Covid, mostrar a luz e as cores que podem emergir desse momento, como está dito no manifesto da marca”.

O que ambas concordam é que hoje em dia, os consumidores estão mais atentos a qualquer atitude das marcas – das já estabelecidas e das novas – e esperam empatia delas. “Temos hoje no Brasil uma legião de pessoas fiscalizando as marcas que cometem pecados, isso é muito bom. Consumidores querem empatia das marcas e não mais aceitam serem usados pelas que se aproveitam desse momento para pegar carona no vírus para se promoverem”, comenta a diretora geral da Troiano Branding. “As marcas precisam, de fato, dialogar, interagir e se sentir parte da sociedade, porque quando elas se sentem parte da sociedade, elas sentem as dores da sociedade”, complementa Mônica Gregori, co-fundadora da Cause.

**Crédito da imagem no topo: Reprodução

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