Marcas se posicionam sobre greve dos apps de delivery

Buscar

Marketing

Publicidade

Marcas se posicionam sobre greve dos apps de delivery

Ifood, Rappi e Uber Eats dizem apoiar direito à manifestação, mas defendem medidas adotadas na relação com entregadores

Renato Rogenski
1 de julho de 2020 - 14h01

Uma das imagens utilizadas nas redes sociais para defender a paralisação dos entregadores por aplicativo (Crédito: reprodução/ Twitter)

Nesta quarta-feira, 1, por meio de um movimento articulado com maior foco em São Paulo, mas que se espalhou para outras cidades brasileiras, os entregadores por aplicativo decidiram interromper por um dia as suas atividades. Com a paralisação que está sendo chamada de “Greve dos Apps” ou “Breque dos Apps”, os profissionais reivindicam melhores condições de trabalho na relação com empresas como Ifood, Rappi e Uber Eats.

Entre as principais exigências estão o aumento do valor pago por corridas, quantia mínima por entrega, seguro de roubo, acidente e vida, auxílio durante a pandemia, incluindo a distribuição de EPIs (equipamento de proteção individual), além do fim dos bloqueios e desligamentos indevidos dos aplicativos.

Embora o período de isolamento social tenha aumentado o volume das entregas e o share de delivery tenha crescido de 9% em abril de 2019 para 32% em abril de 2020, segundo o Instituto Food Service Brasil (IFB), a intensificação do serviço também expôs um desgaste na relação entre entregadores e os aplicativos.

Mobilização nas redes
Atípico no setor informal de serviços mediados por tecnologia, o movimento conseguiu mobilizar a opinião público no debate sobre precarização do trabalho nos últimos dias. Não à toa, nesta quarta, o tópico ocupa três dos cinco assuntos do momento no Twitter Brasil, com as hashtags #BrequeDosApps em primeiro, #GrevedosApps em segundo e #grevedosentregadores em quinto. Entre os conteúdos que circulam nas redes sociais, os apoiadores da causa pedem que nenhum cliente faça pedido pelos aplicativos no dia de hoje. Consequência da mobilização, diversos usuários também têm rebaixado a nota dos apps nas lojas de aplicativos, com comentários críticos às condições de trabalho oferecidas aos entregadores.

Um dos inúmeros comentários que rebaixa a nota dos aplicativos de entrega em apoio ao movimento (Crédito: reprodução)

Em São Paulo, a expectativa é que os organizadores do ato entreguem ainda hoje uma Carta Aberta ao Ministério Público do Trabalho (MTP) pedindo o reconhecimento do vínculo empregatício entre motoboys e aplicativos de entregas. Por meio de comunicado, tanto o Ifood quanto o Rappi afirmaram apoiar a liberdade de expressão e ressaltaram que não pretendem punir ou desativar os entregadores que participarem do movimento. Em seus posicionamentos, ambos também fizeram questão de explorar os principais pontos de reivindicação dos trabalhadores.

Pagamentos por entrega
O Ifood afirma que o valor médio das rotas é de R$ 8,46 e que a quantia é calculada usando fatores como a distância percorrida entre o restaurante e o cliente, uma taxa pela coleta do pedido no restaurante e uma taxa pela entrega ao cliente, além de variações referentes a cidade, dia da semana e veículo utilizado para a entrega. A empresa afirma também que todos os entregadores ficam sabendo do valor da rota antes de aceitar ou declinar a entrega e que todas as rotas têm um valor mínimo de R$5,00 por pedido, mesmo que seja para curta distância. A empresa também alega que, em maio, o valor médio por hora dos entregadores foi de R$ 21,80, esse valor é 4,6 vezes maior do que o valor por hora tendo como base o salário mínimo vigente no país.

Post do Ifood defende as medidas de proteção e segurança da empresa para os entregadores, no Facebook (Crédito: reprodução)

Já o Rappi explicou que o frete varia de acordo com o clima, dia da semana, horário, zona da entrega, distância percorrida e complexidade do pedido. A empresa também diz que 75% dos entregadores ganham mais de R$ 18 por hora, quando ativos em entregas. O Rappi defendeu ainda que possibilita que os clientes deem gorjeta aos entregadores por meio do aplicativo. Entre fevereiro e junho, a companhia diz ter identificado um aumento de 238% no valor médio das gorjetas e de 50% no percentual de pedidos com gorjeta. Há também um mapa de demanda para ajudar os entregadores parceiros a identificar as regiões com maior número de pedidos.

Seguro e outros benefícios
Nessa questão, o Ifood afirmou que desde 2019 oferece a todos os entregadores cadastrados em sua plataforma o Seguro de Acidente Pessoal. A iniciativa é operacionalizada pela MetLife e pela MDS. Com ela, estão cobertas despesas médicas e odontológicas, bem como indenização em caso de invalidez temporária ou permanente ou óbito decorrente do acidente. O seguro não representa nenhum tipo de custo para os parceiros. O benefício é válido durante o período no qual eles estão logados na plataforma da empresa e também no “retorno para casa” – válido por uma hora e até 30 km do local da última entrega realizada de moto, ou por duas horas e até 30 Km do local da última entrega para quem realiza entregas com bicicletas, patinetes ou a pé.

O Rappi fiz oferecer, desde o ano passado, seguro para acidente pessoal, invalidez permanente e morte acidental, além de parcerias que possibilitam desconto na troca de óleo, na compra de rastreador de veículos e em estacionamentos de bicicletas próximo a estações de metrô. A empresa diz também ter inaugurado o Rappi Points (bases físicas para descanso, que estão fechadas devido à pandemia).

Apoio na pandemia
O Ifood afirmou ter implementado em março medidas protetivas que incluem fundos de auxílio financeiro para quem apresentar sintomas e para aqueles que fazem parte dos grupos de risco. Também foi disponibilizado gratuitamente até o final do ano um plano de benefícios em serviço de saúde. Em abril, a empresa iniciou a distribuição de EPIs (álcool em gel e máscaras reutilizáveis) em kits com duração de pelo menos um mês. O entregador recebe um convite no aplicativo, como se fosse um pedido, e o deslocamento é pago até o ponto de retirada.

Já o Rappi, como medida de segurança aos entregadores, diz ter adotado a entrega sem contato, em que os entregadores deixam o pedido na porta do cliente e se afastam, para evitar a proximidade, além de distribuir álcool em gel e máscaras para entregadores parceiros. A Empresa afirma ter disponibilizado ainda, por meio do aplicativo, um botão específico para que ele notifique a Rappi caso apresente sintomas compatíveis com Covid-19 ou confirme o diagnóstico, para que deixe de prestar serviços no aplicativo e seja imediatamente orientado. Nesse caso, o Rappi diz ter criado um fundo que apoiará financeiramente os entregadores parceiros com sintomas ou confirmação da Covid-19 pelo período de 15 dias.

Desativação de entregadores
O Ifood alega que os principais casos de desativação acontecem quando a empresa recebe denúncias e tem evidências do descumprimento dos termos e condições que pode incluir, por exemplo, extravio de pedidos, fraudes de pagamento ou, ainda, cessão da conta para terceiros. A companhia também alega que, quando isso acontece, o entregador recebe uma mensagem via aplicativo e é direcionado para um chat específico para entender o motivo da desativação. Segundo o Rappi, os bloqueios na plataforma são restritos ao não cumprimento dos Termos e Condições e podem ser revistos por meio do aplicativo do entregador.

 Uber Eats e Amobitec
Diferentemente de seus concorrentes, quando procurado pelo Meio & Mensagem, o Uber Eats encaminhou à redação um posicionamento da Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), entidade que contempla os serviços de aplicativo que atuam no setor de delivery. O texto diz que desde o início da pandemia as empresas ligadas à associação realizaram diversas ações de apoio aos entregadores parceiros, como a distribuição gratuita ou reembolso pela compra de materiais de higiene e limpeza, como máscara, álcool em gel e desinfetante, e a criação de fundos para o pagamento de auxílio financeiro para parceiros diagnosticados com Covid-19 ou em grupos de risco.

O comunicado afirma também que os entregadores parceiros cadastrados nas plataformas estão cobertos por seguro contra acidentes pessoais durante as entregas. Por fim, a entidade ainda ressalta a importância do segmento para a economia, sobretudo no contexto atual. “Diante de um cenário econômico crítico como o da pandemia da Covid-19, a flexibilidade dos aplicativos foi essencial para que centenas de milhares de pessoas, entre entregadores, restaurantes, comerciantes e micro empresas, tivessem uma alternativa para gerar renda e apoiar o sustento de suas famílias”.

Crédito da imagem de topo: piranka/iStock

Publicidade

Compartilhe

  • Temas

  • iFood

  • RAPPI

  • uber eats

  • Instituto Food Service Brasil

  • digital

  • Brasil

  • paralisação

  • aplicativos de entrega

  • breque dos apps

  • greve dos apps

  • entregadores