Custo e concorrência, os novos dramas da Netflix

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Custo e concorrência, os novos dramas da Netflix

Relatório da Nomura Securities estima que a empresa deverá perder até 480 mil clientes nos EUA após o aumento de mensalidade previsto para o fim do ano

Luiz Gustavo Pacete
14 de julho de 2016 - 17h18

Nos últimos três anos, a entrega de produções próprias de alta qualidade a um preço acessível foi um dos diferenciais para o crescimento da Netflix. A receita que fez da plataforma um sucesso, no entanto, está se tornando um desafio.

 

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OITNB chegou à quarta temporada como um dos sucessos emblemáticos da Netflix

Um relatório desta semana feito pela Nomura Securities e assinado pelo analista Anthony DiClemente mostra que o aumento de mensalidade nos Estados Unidos, previsto para o fim do ano, pode resultar em uma perda de 480 mil clientes à empresa, ainda que o ajuste adicione US$ 520 milhões à receita anual. “Estamos alterando aos poucos e fazendo com que os membros mais antigos tenham um benefício mais longo e vendo como conduzir os reajustes”, disse Reed Hastings, CEO da Netflix, em uma carta dirigida aos investidores.

Até o fim do ano, os assinantes dos EUA, com contas anteriores a 2014, terão suas mensalidades alteradas de US$ 7,99 para US$ 9,99. A empresa possui 47 milhões de clientes naquele país e 81 milhões no mundo. No Brasil, em junho, todas as assinaturas básicas passaram de R$ 19,90 para R$ 22,90.

Marcelo Trevisani, head do Marketing Estúdio da CI&T, explica que a Netflix lida com o mesmo desafio imposto ao Uber e ao Airbnb: empresas que estabeleceram um padrão de qualidade ao entrar no mercado, mas que agora precisam equilibrar altos investimentos com captação de receita. “A Netflix já tem mais de 17 concorrentes e estabelece um alto padrão de qualidade, mas que tem um custo.”

Apesar do desafio, Trevisani explica que o Netflix atraiu um público com alto nível de engajamento e por mais que ele perca usuários neste momento, os “Netflix Lovers” continuarão fiéis, independentemente do preço. “House of Cards, Orange is the New Black, produções que trouxeram um conceito de qualidade e atraíram a atenção dos fãs de séries são os ativos mais importantes da plataforma”, diz Trevisani.

 

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Marseille, com Gérard Depardieu, é um exemplo de produção regional da plataforma

Somente neste ano, segundo Ted Sarandos, diretor-chefe de conteúdo da Netflix, estão sendo investidos US$ 5 bilhões na produção de 31 novas séries. Além de sucessos como House of Cards, Orange is the New Black, Sense8, Narcos e outras, a Netflix vem investindo em produções regionais como a francesa Marseille e a brasileira 3%, atualmente em estágio de produção.

Victor Azevedo, do Ibmec, explica que os valores exercidos pela Netflix são baixos para conseguir se estabelecer nos mercados de atuação. “Ou seja, isso não ‘e acostumar mal o cliente, na verdade essa primeira etapa é uma forma de conseguir novas assinaturas. Ao assinante entrar, começa a segunda etapa da estratégia mantê-lo através do conteúdo que ao longo dos tempos vem sendo aprimorado através da análise de comportamento do consumidor.”

Em julho de 2015, informações foram publicadas afirmando que a Netflix estaria testando formatos publicitários. O que foi desmentido em seguida.

De acordo com Azevedo, com preços relativamente baixos e conteúdo relevante criado a partir dos interesses dos seus assinantes, aumentos como esse podem gerar evasão, mas a quantidade de assinaturas conseguidas suprem a perda. “Se fizermos um recorte veremos que ao longo de 4 anos o Netflix já deve ter aumentado o valor algumas vezes, isso mostra que esses aumentos são feitos de forma orgânica seguindo o aumento de assinaturas e a criação de novos conteúdos.”

 

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