Startup cria plataforma baseada em opinião pública

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Startup cria plataforma baseada em opinião pública

Bianca Celoto, sócia e diretora de conteúdo do Quinto, fala sobre rede de debates sociais que quer alcançar 100 mil usuários neste ano

Igor Ribeiro
20 de março de 2019 - 6h00

 

As últimas eleições presidenciais mostraram como as plataformas digitais têm ganhado força no debate político no País. Não só política, mas costumes, esportes, segurança, saúde e outras notícias em geral têm atraído cada vez mais engajamento popular nas redes sociais. Com base nisso que o publicitário André Bastos começou a conceber O Quinto, um aplicativo destinado ao debate popular, com funcionamento similar a uma plataforma digital.

“Senti a necessidade de mudar as coisas e essa vontade ficou maior quando eu percebi que essa insatisfação não era só minha, mas de todas as pessoas. E elas também estão querendo se tornar protagonistas de alguma mudança”, afirmou o CEO em comunicado. André atuou por por quase 20 anos como executivo comercial de veículos, primeiro como diretor da área no metrô do Rio de Janeiro e depois na TV Tem.

Da experiência na afiliada Globo no interior de São Paulo trouxe Bruno Alves, colega da área de publicidade, que se tornou sócio e diretor de operações do Quinto. À sociedade se juntou ainda a jornalista Bianca Celoto, também egressa da TV Tem e atualmente diretora de conteúdo na plataforma. A startup tem outros colaboradores em setores como marketing, tecnologia, jornalismo e áreas administrativas.

Bianca Celoto, sócia e diretora de conteúdo do O Quinto (Crédito: Divulgação)

A startup contou com investimento inicial de R$ 1 milhão dos próprios sócios e foi apresentada pela primeira vez no Web Summit 2018 Lisboa, em novembro. No próximos mês os sócios começam um road show por universidades para apresentar a plataforma digital e o serviço de pesquisa que pretendem monetizar por meio da base de dados construída nas enquetes no aplicativo. Leia a seguir destaques da entrevista de Bianca ao Meio & Mensagem sobre o lançamento de O Quinto:

Meio & Mensagem — Em tempos de debate político e ideológico acalorado, fala-se muito que bate-boca nas redes sociais — o famoso “ativismo de sofá” — não resolve nada. O Quinto busca, de alguma forma, responder a isso?
Bianca Celoto —
É fato que a internet 3.0 deu voz e imediatismo para as pessoas, mas hoje as opiniões se encontram descentralizadas pelas mais diversas redes sociais, distorcida pelo alto consumo de fake news e, parcialmente, impactada por usuários falsos. O Quinto se diferencia das outras redes sociais oferecendo um espaço para debate organizado, dentro de um ambiente de votação e sem a influência parcial, já que produzimos conteúdo próprio de apoio com formato neutro e informativo. É com essa preocupação, inclusive, que o Quinto optou por pedir o CPF no cadastro de usuários, para ter a mínima garantia de ouvir a opinião de pessoas de verdade e não de massas de manobra. Esse, inclusive, é o novo rumo que o criador da rede mundial computadores, Tim Berners Lee, está apostando. Um futuro com pessoas reais e responsáveis pelos seus atos.

Conseguimos saber o perfil de quem votou a favor da doação de órgãos, contra o casamento LGBT e gosta de Annita, por exemplo. A plataforma será lançada em maio deste ano

Uma pauta de interesse social que ganha corpo no app pode ser tangibilizada? Levada à atenção de políticos, empresários e outras autoridades? Como?
A vocação do Quinto é organizar a voz coletiva, levando para o debate questões do cotidiano, da atualidade e que fazem parte do dia a dia das pessoas. Dentre as 11 categorias de votação, os temas Atualidades, Política, Economia, Comportamento e Cidadania se destacam. Acreditamos que os resultados das votações podem reverberar de diversas formas, sendo usados como argumentos de pressão nos poderes públicos e até privados. As nossas instituições ainda lidam a duras penas com a opinião coletiva, propagada de maneira desorganizada e distorcida pelo atual formato das redes sociais mais usadas. Essas instituições precisam evoluir.

Qual é o principal modelo para a startup gerar receita?
O nosso modelo de negócio será a comercialização do acesso ao QTrends, uma plataforma de pesquisa de tendências a partir dos resultados das votações do app Quinto. Com o QTrends comercializaremos cruzamentos de opinião e não dados individuais dos nossos usuários, algo muito preservado pela nossa política de privacidade. O QTrends é um software de fácil usabilidade que consegue medir as tendências de forma segmentada, em pesquisas didáticas. Conseguimos saber o perfil de quem votou a favor da doação de órgãos, contra o casamento LGBT e gosta de Annita, por exemplo. A plataforma será lançada em maio deste ano.

Qual é a expectativa de crescimento do O Quinto?
Nossa meta é atingirmos 100 mil usuários até o final do ano. Estamos começando rodadas com investidores de diversas áreas para escalar o aplicativo. Para isso, além de focar no crescimento de base de usuários, já temos nas próximas etapas a gamificação, inteligência artificial e a implementação de blockchain nos dados das votações. Além de também, em função da sua escalabilidade, planejamento de expansão para outros países, a partir de 2020.

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