Bia Granja, YouPix: “Precisamos falar de políticas afirmativas”

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Bia Granja, YouPix: “Precisamos falar de políticas afirmativas”

Sócia fundadora do YouPix afirma que conteúdo e autenticidade tiveram suas discussões aceleradas e implementadas durante a pandemia

Thaís Monteiro
31 de agosto de 2020 - 6h00

Entre 1 e 4 de setembro, o YouPix sedia virtualmente a sexta edição do YouPix Summit. É a primeira vez que o evento acontece durante quatro dias, de forma online e gratuitamente. A edição visa debater o impacto da pandemia para o mercado de comunicação, digital e para a sociedade, com cerca de 100 palestrantes de marcas, produtoras, agências e criadores de conteúdo. O Summit deste ano tem apresentação da VIU Hub, empresa do grupo Globo, e oferecimento de Magalu, Bradesco e Squid.

 

Sexta edição do evento busca novos públicos e discussões (Crédito: Divulgação/YouPix)

“Já que decidimos fazer digital, pensamos: por que não fazer isso ter escala e chegar em mais pessoas, até para ter uma discussão mais diversa fora do eixo Rio-São Paulo”, questiona Bia Granja, sócia fundadora do YouPix. O evento também terá apenas uma trilha de programação linear com uma curadoria mais madura e assertiva, a fim de gerar uma imersão de conteúdo e evitar causar ansiedade no público com um calendários de diversas palestras no mesmo horário.

O formato maior e mais imersivo do evento reflete o propósito do YouPix de reforçar seu braço de educação. A procura pelos cursos oferecidos pelo hub duplicou durante a pandemia. De acordo com Bia Granja, o público está procurando alimentar seu repertório de ferramentas para lidar com a imprevisibilidade do período. O YouPix ainda intensificou a produção de reports de inteligência e está preparando novos cursos e lançando um site que consolida essa frente de negócios.

As temáticas tratam de diversidade, inclusão e do momento de disrupção e incerteza em função da pandemia, que altera estratégias e negócios. De acordo com a executiva, os criadores de conteúdo devem estar envolvidos nos debates sociais por questão de sobrevivência como qualquer outro business de comunicação, e devem rever seus valores e implicações da sua influência. “Essa discussão da responsabilidade está só no começo. Sempre foi uma tendência, mas era muito opcional e agora é mandatório. A grande expectativa é ver como isso vai se concretizar mesmo agora. Precisamos sair do propósito e falar de políticas afirmativas”, afirma Bia. Ao Meio & Mensagem, a executiva discute as implicações da pandemia para a revisão da função do criador de conteúdo.

“Não estamos dando nossos like para qualquer pessoa”, afirma Bia Granja, sócia fundadora do YouPix  (Crédito: Divulgação/YouPix)

Meio & Mensagem – De que forma esse mercado foi impactado pela pandemia?
Bia Granja –
No começo teve uma pausa geral, porque todos ficaram perdidos sem saber o que fazer. As marcas tiraram o pé dos investimentos e os influenciadores também não sabiam se podiam criar conteúdo nesse momento tão assustador. Mas muito rapidamente, eles se planejaram, se reposicionaram, o uso do digital ampliou e o engajamento veio. Os influenciadores tiveram um papel maior, porque as marcas não podiam falar sobre elas e elas tiveram que estabelecer uma conversa no digital muito focada em conteúdo. Aumentou a demanda para um tipo diferente de job, que antes era de exposição e virou de narrativa de conteúdo relevante e útil. A marca não sabe fazer isso porque é um skill.

M&M – Um dos temas a ser discutido no YouPix Summit – e talvez o ponto centraldo debate – é o impacto da pandemia na comunicação e na sociedade. Quão importante é o mercado do marketing de influência estar a par disso?
Bia Granja – A importância é simples: sobrevivência. Quem não estiver dialogando vai cair. Isso vale para criadores, marcas e qualquer business de comunicação. Não é por amor, gratidão e altruísmo. As pessoas procuram por um perfil com valor, propósito, com que consigam compactuar e compartilhar de uma visão de mundo. Acho que, como a gente está imerso nesse contexto da pandemia, vamos tomar decisões sob aspectos emocionais e que compartilham da nossa visão de mundo. Não nos detalhes, mas alguém que enxerga o mundo de um jeito parecido. Acho que isso vale para todo mundo.

M&M – Nesse período foi posto em xeque o comportamento de alguns criadores de conteúdo por desrespeitar o isolamento social. O mercado ainda tem que aprender nesse sentido de ser um exemplo? Quais são os desafios?
Bia Granja –
Os influenciadores precisam entender a influência que eles têm, porque elas vem pro bem e pro mal. É legal eu vender, mas eu tenho que entender que as minhas práticas mais sutis podem influenciar o público. Estamos revendo a essência e os valores desses influenciadores. O que eu sou tem que reverberar por todos os cantos do meu corpo porque assim isso vai para o meu conteúdo naturalmente e eu não vou ter dúvida ou receio de publicar. Todos devem se questionar: onde você se insere no mundo enquanto sociedade? Nós não aguentamos mais influenciadores que vendem uma vida incrível mas a realidade é outra. Não estamos dando nossos like para qualquer pessoa.

M&M – Mesmo trabalhando há 14 anos com o mercado de marketing de influência e realizando há seis anos o Summit, você acredita que ainda há a necessidade de educar os criadores ou marcas sobre esse universo?
Bia Granja – Eu continuo a falar as mesmas coisas que falo há quatro anos. Isso é bom, porque mostra consistência, mas também é, de certa forma, um pouco frustrante. Existe uma evolução na discussão do que é um influenciador, mas ela demora porque segue o ritmo das mudanças sociais. As marcas com quem eu falei há quatro anos já estão inovando, mas ainda tem gente precisando ouvir o básico. Temos que ter paciência e seguir fazendo essa evangelização. Vai demorar para o mercado amadurecer.

M&M – Que tendências você enxerga para esse mercado pós-pandemia?
Bia Granja –
Eu não queria falar mais de tendências porque parece que são coisas que vão acontecer independente do que nós fizermos para isso se realizar. Tendência devia ser mais um plano de metas. Minha chamada é para que nós falemos menos de tendências. Mas acho que essa discussão sobre responsabilidade está só no começo. Sempre foi uma tendência, mas era algo muito opcional. Agora é mandatório. A grande expectativa é ver como isso vai se concretizar mesmo agora. Sair do propósito e falar de políticas afirmativas.

**Crédito da imagem no topo: Ajwad Creative/iStock

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