Foquinha: liberdade para criar ao lado das marcas

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Foquinha: liberdade para criar ao lado das marcas

Em setembro, Fernanda Catania, a Foquinha, ganhou um quadro fixo no canal da Netflix no YouTube e fala sobre a relação entre empresas e influenciadores no desenvolvimento de conteúdo

Taís Farias
14 de outubro de 2020 - 6h00

Em 2020, a Netflix estreou seu primeiro grande festival no Brasil , o Tu-Dum, um evento aberto ao público que reuniu uma série de artistas que fazem parte das produções da plataforma de streaming. Na época, a escolhida para apresentar o festival e personalizar a imagem da marca Netflix no evento foi a jornalista e influenciadora Fernanda Catania, a Foquinha. Com passagens por veículos de mídia, a criadora de conteúdo ficou conhecida pelo público jovem ao longo de seu trabalho na revista Capricho.

 

Foquinha apresentou festivais de música, como Rock in Rio, Lollapalooza e Villa Mix, e programas, como o Prêmio Multishow, TVZ e Música Boa Ao Vivo(Crédito: Divulgação)

Em 2015, ela criou seu canal no YouTube, que conta com mais de 1,9 milhões de inscritos e se dedica a cobrir os acontecimentos do mundo pop no Brasil e no exterior. Em setembro, a parceria com a Netflix ganhou um novo desdobramento: a influenciadora passou a apresentar um quadro mensal no canal da plataforma no Youtube. O Rá-Tu-Dum traz conteúdos sobre os aniversariantes do mês do catálogo do streaming e se apresenta como mais uma aposta da Netflix para se aproximar do público brasileiro.

Com experiência na apresentação de festivais de música, como Rock in Rio, Lollapalooza e Villa Mix, e programas, como o Prêmio Multishow, TVZ e Música Boa Ao Vivo, Foquinha fala sobre o impacto da pandemia na cobertura de entretenimento, a relação entre influenciadores e marcas e as novas demandas do mercado de influência.

Meio & Mensagem – Atualmente, como é sua relação com as marcas ? O que parcerias, como a da Netflix, representam para o seu trabalho?

Foquinha – Eu tenho uma ótima relação com as marcas, sempre de maneira transparente e colaborativa. Eu me relaciono com marcas que eu consumo, que eu confio, e que realmente estão dispostas a ter uma troca, uma parceria comigo, um diálogo mesmo e que me dêem liberdade para que eu possa criar. Sinto que, cada vez mais, as marcas estão percebendo que não faz sentido impor uma ideia fechada para todos os influenciadores da campanha, sem deixar cada um livre para criar dentro do briefing. Eu vejo uma evolução das marcas nesse sentido, elas cada vez mais abertas para isso… isso é muito decisivo para mim, quando eu vou fechar com uma marca, quando vou decidir se a gente vai seguir em frente ao não com trabalho, porque eu acho que a ideia do trabalho é ter a essência do influenciador, sem perder a essência da marca, é claro, mas sendo algo natural e pensado junto. Para mim é muito importante parcerias com marcas para validar o meu trabalho.  Se essas marcas estão fechando trabalhos comigo, significa que elas não só gostam do meu conteúdo, mas também confiam em mim e no meu trabalho. Parcerias com marcas grandes de entretenimento, como a Netflix, Multishow e outros que eu costumo trabalhar, são muito importantes para afirmar meu trabalho como apresentadora de entretenimento. É realmente um reconhecimento! Parece clichê falar, mas é um reconhecimento para mim fechar trabalho com essas marcas, além de que minha grande fonte de renda é o trabalho com as marcas.

M&M- Como você avalia o impacto da pandemia na cobertura de shows e eventos? Quais tendências devem permanecer depois dessa experiência e o que deve mudar?

Foquinha – Eu tive muitas experiências na parte de cobertura e apresentação de shows e eventos durante esse período de pandemia. Acho que uma tendência que vai se manter por um tempo é a da apresentação e cobertura remota. A gente viu que é possível fazer isso sem perder tanta qualidade, que dá para fazer muita coisa legal, do mesmo nível de algo presencial. É claro que sempre tem aquela possibilidade de rolar um problema de internet, o que pode botar tudo por água abaixo. Mas, de qualquer maneira, agora apresentação e a cobertura presencial também tem sido possível, seguindo todas as recomendações da OMS, como distanciamento social uso de máscaras, a redução de equipe, a higienização, a realização do teste com todos os presentes, entre outras coisas. Acho que essas duas maneiras vão se manter por um tempo. Ainda não consigo imaginar eventos com grandes aglomerações. Acho que no ano que vem a gente vai ver novas estratégias e possibilidades para que os grandes eventos voltem a acontecer com público, mas até tudo se estabilizar acho que muita coisa ainda vai acontecer online ou dessa maneira que a gente está fazendo. E também temos visto bastante os eventos de drive-in, que estão acontecendo, estão dando certo… mas são eventos muitos segmentados, na minha opinião. São eventos apenas para quem tem a possibilidade de carro, né, não é acessível. Eu estou muito curiosa para ver estratégias acessível em relação à presença de público nesses eventos, acho que esse vai ser o grande desafio… Vamos ver!

M&M – Ao longo da carreira, você produziu conteúdo para diversas plataformas e acompanhou suas transformações. Quais são os principais aprendizados?

Foquinha – EO principal aprendizado é estar sempre atenta às mudanças e tendências, seguir as transformações e não ficar estagnado. Perceber o que está acontecendo, plataformas novas, as novas tendências… e seguir, entender as transformações, entender quem é você dentro de novos formatos, como e qual é o seu conteúdo dentro dessas mudanças, e como ele pode se transformar junto, o que ele pode trazer delas.  É importante também entender as novas plataformas e o público dessas plataformas, e fazer conteúdos diferentes e pensados para cada uma delas.

M&M – O papel dos influenciadores foi muito discutido ao longo do isolamento social. Qual impacto desse debate para o mercado de influenciadores? 

Foquinha – Nesse momento de isolamento social, a internet foi um refúgio para todo mundo e, automaticamente, a relação do público com os influenciadores se intensificou. O papel do influenciador, na minha opinião, é muito importante neste momento, em dois aspectos principais: conscientização e entretenimento do público. E esse foi um período de reflexão e de muitas discussões sociais importantes, então, nesse sentido, rolou uma cobrança ainda maior por posicionamento e responsabilidade, tanto do público quanto das marcas. Acho que as marcas estão analisando bastante as atitudes dos influenciadores nesse momento, para entender quais se aproximam dos seus valores e posicionamentos. Mais do que nunca, está claro que este é o momento, e cada vez mais vai ser, de não só intensificar o conteúdo, mas ter ainda mais responsabilidade na entrega. Responsabilidade na hora de falar com público, na hora de fazer os conteúdos, seja com marca ou seja organicamente nas redes sociais.

*Crédito da foto no topo: Reprodução 

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