Dida Silva, da Floresta: “O mundo está olhando para outros conteúdos”

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Dida Silva, da Floresta: “O mundo está olhando para outros conteúdos”

Produtora brasileira levou três produções nacionais para o festival L.A. Screenings 2022

Amanda Schnaider
27 de maio de 2022 - 6h00

Dona de produções como De Férias com o Ex, Shark Tank, Lady Night e Top Chef, a Floresta, produtora da Sony Pictures Television no Brasil, levou três produções originais nacionais para o festival L.A. Screenings 2022, que voltou ao formato presencial nesta semana. As três produções são: Rio Connection, segunda coprodução internacional com os Estúdios Globo e Globoplay; O Dono do Lar, sitcom do Multishow, que estreou a quinta temporada no início do mês; e Túnel do Amor, novo reality show de relacionamento apresentado por Marcos Mion.

 

Túnel do Amor é a nova produção da Floresta para o Multishow e Globoplay (crédito: Edu-Viana/Divulgação/Multishow)

A vice presidente e diretora geral da Floresta, Adriana Silva, mais conhecida como Dida, entende que está na hora de o Brasil mostrar para o mundo que é capaz não só de adaptar formatos internacionais para o mercado nacional, como exportar formatos no País para outras regiões do planeta. “O mundo está olhando para outros conteúdos, que o mundo está olhando para outras culturas, está buscando conteúdo representativo e diverso. Então é só uma questão realmente de conseguirmos mostrar o nosso trabalho e conquistar mais espaço para podermos exportar os nossos originais”. Em entrevista ao Meio & Mensagem, Dida comenta sobre o mercado brasileiro de audiovisual e os projetos da Floresta.

Adriana Silva (crédito: divulgação)

Meio & Mensagem – O Brasil tem potencial para criar mais formatos que possam ser consumidos em outras partes do mundo? O que precisaria para isso acontecer mais?
Adriana Silva – O Brasil sempre performou muito bem em fazer as versões brasileiras de formatos consagrados pelo mundo, e agora está na nossa hora de mostrar para o mundo que também somos capazes de criar formatos originais que podem performar bem, não só no Brasil como em outros países. Cada oportunidade que temos de estar mostrando o nosso conteúdo para o mundo vai ampliando a possibilidade do nosso audiovisual ser visto em outros países também. Hoje, acredito que a questão da língua, que sempre foi limitante para nós porque estamos teoricamente sozinhos na América com português, tem mudado, porque temos visto vários projetos de língua nativa, como Round 6, Lupin e La Casa de Papel, performando bem no mundo inteiro mesmo sendo língua nativa. Acredito que isso está mudando, que o mundo está olhando para outros conteúdos, que o mundo está olhando para outras culturas, está buscando conteúdo representativo e diverso. Então é só uma questão realmente de conseguirmos mostrar o nosso trabalho e conquistar mais espaço para podermos exportar os nossos originais.

M&M – Quais são os gêneros que acredita que tem mais apelo, atualmente, entre a audiência, reality, docs, séries de ficção?
Dida – Hoje em dia o consumo do conteúdo está bem amplo. Os reality shows estão bombando, vão continuar bombando, é assim há 20 anos e acreditamos que vai continuar. O nosso case de sucesso são os reality shows, mas o que estou vendo também como tendência é: comédia, docu-reality e true crimes. Todo mundo está buscando true crimes ou histórias reais, biografias também. Eu acredito que esses são os gêneros que estão performando e que estão são buscados.

M&M – Muitos comentam que nesse pós-pandemia o mercado de produção vem tendo um aquecimento. A Floresta vem notando isso? Como estão as demandas por projetos a produtora?
Dida – A demanda está grande. O mercado está realmente aquecido e acredito que isso também se deve a termos mais plataformas para colocarmos o nosso conteúdo. A entrada do SVOD no Brasil, junto com outras plataformas internacionais, tem aquecido muito o mercado. As produtoras independentes nunca tiveram com tanta demanda de produção como está agora e acreditamos que isso seja uma crescente. Com relação aos projetos da Floresta, realmente estamos com várias produções no momento, de diferentes gêneros, tanto na ficção como no entretenimento estamos com bastante produção em andamento e para diferentes players. Estamos produzindo para TV aberta, TV fechada, e agora para as plataformas de SVOD também. Então, acredito que ter ampliado a gama de plataformas no mercado fez com que o mercado desse esse boom. O momento está muito propício não só para estarmos fazendo versões brasileiras de formatos consagrados, que tem performado super bem em todas as plataformas do Brasil, mas também produzir projetos originais, e isso que é muito legal. Essa é a importância de estarmos aqui no L.A. Screenings mostrando três projetos brasileiros originais que podem também funcionar em outros territórios.

M&M – Como a produtora vem pensando em formatos e conteúdos multiplataforma já que a audiência é cada vez mais fragmentada?
Dida – O nosso foco sempre foi a produção de conteúdo para televisão, mas também produzimos para o digital, também produzimos para outras plataformas, mas sempre tivemos mais focados em produção de conteúdo para televisão. Mas hoje em dia os projetos acabam virando 360, acabam performando em diferentes plataformas. Acredito que hoje você pode ter um programa que o episódio está na televisão aberta, ele pode gerar um conteúdo para o digital, que pode gerar um conteúdo extra para uma outra plataforma. Então, hoje o conteúdo está bem amplo.

M&M – O Brasil tem um histórico de sucesso em relação à adaptação de diversos formatos estrangeiros, sobretudo de reality shows. Quais são os principais critérios para que um formato tenha mais sucesso perante a audiência brasileira?
Dida – Procuramos entender o que o mercado brasileiro está buscando para poder fazer a adaptação daquele formato. Por exemplo, os talent shows nem tem muito o que se adaptar, você traz os talentos que fazem com que aquele projeto fique atrativo para a nossa audiência. Mas o principal é sempre estarmos entendendo o que os players estão buscando para fazer a melhor adaptação para o nosso mercado. Entender o público-alvo, entender o que eles buscam naquele momento.

M&M – Quais são os próximos projetos da Floresta, tanto para TV como para outros meios?
Dida –
Estamos bastante focados na ficção. A Floresta tem um pipeline grande no entretenimento, mas nos últimos anos temos investido no desenvolvimento de ficção, estamos colhendo agora os frutos, o Rio Connection é um grande exemplo disso. Estamos com um foco grande na ficção, inclusive no cinema também. Em breve, vamos produzir o nosso primeiro filme. Então, estamos com foco em produção de séries, novelas, porque agora as plataformas de streamings também estão ampliando esse conteúdo e buscando séries longas, e os nossos projetos de entretenimento. Muito em breve vamos estrear a terceira temporada do Se sobreviver, Case, no Multishow, também está vindo aí o Queer Eye Brasil, que vai ser o primeiro país a fazer uma temporada do Queer Eye fora dos Estados Unidos, então estamos com uma expectativa muito grande, e as próximas temporadas de Shark Tank Brasil, Lady Night, estamos gravando Soltos em Salvador que daqui a pouco vai estar no Prime Video também, estamos produzindo o próximo De Férias com o Ex. Estamos com uma gama grande de projetos que estão entrando em produção.

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