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Women to Watch

A relevância dos aliados

Promover a equidade de gênero no ecossistema de inovação e nos Conselhos e lideranças das empresas foi um dos assuntos abordados no palco do WTW Summit

Amanda Schnaider
13 de abril de 2022 - 21h48

A conexão entre as mulheres e o empreendedorismo é quase intrínseca. Dos 52 milhões de empreendedores do Brasil, 30 milhões são mulheres, segundo dados do Global Entrepreneurship Monitor de 2020. Justamente pelas mulheres serem maioria no empreendedorismo, mas ainda não haver equidade de gênero, esse foi o tema debatido em uma das Trilhas do Women to Watch Summit, evento que visa promover o protagonismo das mulheres que fazem a diferença.

 

Dani Junco e Ettiene Du Jardin falaram sobre a inclusão de mulheres no ecossistema de inovação (Crédito: Gustavo Scarena/Imagem Paulista)

 

O primeiro painel da trilha abordou a questão da falta de incentivo às mulheres no ecossistema de inovação. Lilian Natal, partner e head e marketing da Distrito, mostrou alguns dados de uma pesquisa da Distrito, feita em parceria com a B2Mamy, aceleradora de negócios para mães empreendedoras, que mostram que apesar do crescimento do ecossistema de startups e venture capital no Brasil, apenas 4,7% das startups brasileiras foram fundadas exclusivamente por mulheres e 5,1% por mulheres e homens. Apesar de já esperarem por um número baixo, Lilian contou que o resultado da pesquisa que contou com 400 startups foi impressionante.

Outro dado impressionante que chamou a atenção da equipe foi a questão de que apenas 0,2% das startups que recebem investimentos no Brasil são fundadas por mulheres. Com essa realidade, ao lado de Dani Junco, CEO e fundadora da B2Mamy, e Ettiene Du Jardin, co-fundadora e CPO da Mimo Live Sales, a head de marketing da Distrito questionou o público do Women to Watch Summit: “Como deixamos esse ecossistema realmente mais igual?”

Para atingir a equidade neste sentido, as painelistas concordaram que é preciso a ajuda de aliados, mas bons aliados, pessoas que, de fato, incentivem as mulheres. Para Dani ter um time diverso é ter performance. “Você não é um aliado se não te custa nada”, reforçou a CEO e fundadora da B2Mamy. Ela ainda enfatizou que é preciso discutir sobre a sustentabilidade financeira das mulheres no Brasil. “Não tem propaganda que faça comprar ‘brusinha’ no mercado se não tivermos dinheiro”.

Assim como Dani, Ettiene ressaltou que ter aliados relevantes é importante para esse ecossistema mudar. “Acredito que vamos ter uma mudança significativa dentro do nosso ecossistema quando entendermos o nosso papel. O meu papel é trazer a visão para que outras mulheres possam ter o seu espaço”, completou.

Ao ser esse aliado, a co-fundadora e CPO da Mimo Live Sales, destacou o poder que ser uma pessoa privilegiada tem nisso. “Precisamos entender que privilégio só é ruim para quem não tem”. Ela ainda deu uma dica para os homens que estão no topo da pirâmide usem esse privilégio para abrir as portas para essas “minorias”. “Usem o poder que vocês têm, façam uma leitura de autoconhecimento e tentem ver quais são os privilégios que vocês têm e o que conseguem fazer com eles”. Dani concorda com Ettiene e se vê otimista: “Acredito num mundo melhor e nós que estamos aqui somos responsáveis por abrir as portas pelo lado de dentro, já que já entramos”.

A discussão acerca da importância dos aliados para mudar o jogo também foi abordada no segundo painel da Trilha Carreira e Empreendedorismo do Women to Watch Summit. Lisiane Lemos, cofundadora do Conselheira101 – projeto fruto de uma parceria da KPMG e da Women Corporate Directors Foundation (WCD) – falou sobre essa importância com Valéria Café, diretora de vocalização e influência do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), em uma conversa moderada pela Presidente Conselho Women to Watch e CEO Momentum, Maria Laura Nicotero. “Vejo a relevância dos aliados. Se eles não estiverem junto com a gente, entendendo o nosso lado, essa jornada não vai acontecer”, afirmou Lisiane.

 

Lisiane Lemos e Valéria Café conversaram sobre a equidade nos Conselhos (Crédito: Eduardo Lopes/Imagem Paulista)

O trabalho do Conselheira101, criado durante a pandemia, se encaminha para a terceira turma. “Somos aquele empurrãozinho e tem o papel dos aliados”, reforçou a cofundadora, explicando que o projeto não funciona como uma empresa de recrutamento, mas como programa de incentivo à presença de mulheres negras nos conselhos administrativos. “Revolucionamos essa forma de entender as mulheres negras dentro desses espaços e principalmente o papel das mulheres brancas”.

Esse incentivo é necessário, justamente porque, segundo dados do estudo Brasil Board Index, da SpencerStuart, apenas cerca de 14% das cadeiras de conselhos hoje, no Brasil, são ocupadas por mulheres nas empresas de capital aberto. Além disso, uma pesquisa da WCD revela que os conselheiros homens tradicionalmente vêm das áreas de finanças já as mulheres trazem olhar mais forte em sustentabilidade, inovação e transformação digital.

Essa disparidade entre homens e mulheres não acontece somente nos Conselhos das empresas, mas também nas diretorias, destacou Valéria Café, diretora de vocalização e influência do IBGC. O Instituto realizou estudo para entender o que está acontecendo dentro das empresas quanto à questão de gênero. “O nosso susto foi quando percebemos que só 26,9% das diretorias das empresas listadas são compostas por mulheres. É muito pouco”. Dessa forma, Valéria ressaltou que as empresas têm que começar a mudança por aí. “É importante termos diversidade nas empresas em toda a sua liderança, a começar pelos Conselhos, mas também nas diretoras e gerência das empresas”.

Operárias da notícia

O último painel da Trilha Carreira e Empreendedorismo abordou a dificuldade que é ser mulher e jornalista nos dias atuais devido à pressão e ao aumento da violência envolvendo a profissão. “O jornalismo nunca foi tão massacrado e tão valorizado ao mesmo tempo, e tão necessário. A ideia é falarmos sobre esse ofício, essa transformação sobre o nosso ponto de vista como mulher”, começou Regina Augusto, Curadora de Conteúdo Plataforma Women to Watch e Diretora Executiva do Cenp, que moderou o painel composto pela jornalista e roteirista, Rosana Hermann e Mariana Queiroz, jornalista da GloboNews.

 

Mariana Queiroz e Rosana Hermann  falaram sobre os desafios de ser mulher e jornalista nos dias atuais (Crédito: Gustavo Scarena/Imagem Paulista)

Logo no início da conversa, Mariana contou a história da sua carreira. Ela começou sua jornada profissional como estagiária na Globo, onde permanece até hoje, agora na GloboNews. A jornalista contou que virar mãe de gêmeos transformou a sua carreira. “O meu olhar acabou virando mais para as mulheres depois disso. Fui estudar a economia do cuidado, primeira infância”.

Durante sua carreira, Mariana também cobriu momentos delicados e tristes da história brasileira como as tragédias de Brumadinho e Mariana, ambas em Minas Gerais. “Tem um desafio muito grande como jornalista e repórter que é sempre manter a sua sensibilidade e empatia. É fácil você perder o tom. Em Brumadinho e Marina você vê muita coisa horrível de perto, aquilo te transforma completamente”, completou.

Outro desafio enfrentado para os jornalistas, principalmente para as mulheres jornalistas, atualmente é o aumento da violência. Tanto Rosana quanto Mariana já sofreram ataques, sejam eles físicos ou virtuais. “É inacreditável o número de ameças que mulheres jornalistas sofrem mesmo quem não está trabalhando com hardnews”, enfatizou Rosana.

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