Histórias de sororidade: Mulheres que impulsionam mulheres

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Histórias de sororidade: Mulheres que impulsionam mulheres

Camila Mateus, Cláudia Romano, Cynthya Rodrigues, Heloísa Santana e outras lideranças femininas contam quem foram as mulheres que fizeram a diferença em suas trajetórias  


22 de abril de 2024 - 6h28

Na primeira parte desta série de matérias, apresentamos histórias de mulheres que foram impactadas por outras em suas carreiras profissionais. Foram relatos de lideranças que tiveram suas trajetórias definidas pelo apoio, incentivo, promoção ou simples conselho de outras líderes femininas que cruzaram seus caminhos. 

Nesta segunda parte, trouxemos mais histórias inspiradoras de mulheres que impulsionaram, acreditaram, revolucionaram, superaram barreiras e contribuíram, assim, para que outras se superassem e seguissem em frente em suas trajetórias profissionais.

Aquela que define seu futuro

Camila Mateus, head de marketing da OMO Lavanderia, corporate venture building da Unilever, sobre Maria Elena Lioi 

Camila Mateus (Crédito: Divulgação)

Comecei minha carreira como trainee na Sadia no ano de 2005 e, em 2007, tive a sorte de ser puxada pela Maria Elena Lioi para a área de mídia. Naquela época, estava no início da era digital e ela achava que eu tinha as soft skills para liderar essa disciplina. Foi um momento muito importante na minha vida profissional, pois ela me apoiou e me conduziu para que eu conseguisse avançar na minha carreira. De 2007, ano em que fui promovida, até o final da minha estadia na empresa, em 2011, ela sempre foi uma pessoa que me motivou, promoveu e me deu todas as chances para me desenvolver.

A Maria sempre me falava ‘você vai ver que o digital vai ser extremamente importante na sua carreira e você vai alçar voos que nem imagina’, e foi exatamente o que aconteceu. Aprendi muito com ela, não só a como conduzir o trabalho, mas sobre essa motivação e sobre apostar em alguém, enxergar o valor numa pessoa que ainda não enxerga que o tem. Esse aprendizado foi tão importante que carrego isso comigo em todas as novas experiências que tenho, incluindo agora, como head de marketing da OMO Lavanderia. 

Aquela que superou barreiras

Cláudia Romano, presidente do Instituto Yduqs e vice-presidente do grupo educacional Yduqs, sobre Nanny Faggiano, diretora de Parcerias, Carreiras e ESG da Yduqs

Cláudia Romano (Crédito: Divulgação)

Quando olho para trás, vejo minha trajetória marcada por desafios, superações e muito aprendizado. Em mais de 20 anos atuando no segmento de educação, vi muitas vidas serem transformadas, e isso me dá um orgulho enorme. Olhando especificamente para as mulheres do meu time, gostaria de destacar a história de Nanny Faggiano, diretora de Parcerias, Carreiras e ESG da Yduqs. Ela entrou na empresa há 13 anos, com apenas 24 anos de idade, e cresceu junto conosco. Nanny passou por diversas áreas na empresa, como operações, financeiro e RH, e há 8 meses veio para a minha vice-presidência para me ajudar na missão de transformar vidas e causar um impacto positivo no mundo.  

Sua história foi desafiadora e de muita resiliência desde o seu nascimento. Filha de pai alcoólatra, foi abandonada e passou por oito famílias até ser adotada aos três anos. Viveu uma infância e adolescência de muita rejeição, mas teve a vida transformada pelo amor de sua mãe adotiva e pela educação, que foi sua ferramenta de mudança. No trabalho, encontrou o combustível para reescrever sua própria história. Sua jornada não foi fácil. Ela batalhou, enfrentou barreiras e nunca desistiu. Ela é uma inspiração para todas as mulheres do time. Mas o que torna essa história ainda mais especial é nossa parceria. Nanny não é apenas uma diretora talentosa, mas uma aliada, uma voz que ecoa o acolhimento e a colaboração que permeiam nosso grupo. Nossa jornada é coletiva, e cada passo que damos fortalece o movimento pela igualdade e valorização feminina.

Aquela que apoia a maternidade

Cynthya Rodrigues, head comercial Latam da GMD, sobre Aretha Mergulhão, sócia-diretora e head de RH da GMD 

Cynthya Rodrigues (Crédito: Betojeon)

Todos nós enfrentamos medos e incertezas, e pude identificar claramente os meus quando, no final de 2023, a sociedade em que eu estava não deu certo e a empresa se desfez. Logo, comecei minha busca por recolocação no mercado de trabalho, estando também grávida. Ainda é difícil compreender como o mundo corporativo encara um dos momentos mais bonitos da vida como se fosse um obstáculo para os negócios. Em um país onde, no primeiro trimestre de 2023, a taxa de desemprego entre as mulheres grávidas atingiu 13,9%, não foi difícil entender a situação em que me encontrava.  

Foi nesse momento que recebi um impulso positivo. Meus caminhos me levaram até a GMD e, por consequência, até Aretha Mergulhão, sócia-diretora e head de RH da empresa, que conseguiu enxergar além da perspectiva de uma mãe de gêmeos de primeira viagem. Como ela mesma diz: ‘Enxergamos todas as candidatas, mesmo durante a gravidez, como potentes e capazes de realizar suas tarefas profissionais sem distinção, mesmo estando envolvidas na criação de um ser humano. Além disso, a GMD também encara essa oportunidade como uma forma de quebrar paradigmas e dar espaço para essas profissionais.

Hoje, posso afirmar que estou segura e acolhida em uma empresa que me recebeu em um momento em que tantas outras me viraram as costas, e tenho a tranquilidade de criar e desenvolver minha carreira em um ambiente que valoriza a diversidade e reconhece as habilidades das mulheres, graças a essa atitude que Aretha teve comigo ao me impulsionar como liderança feminina. 

Aquela que te impulsiona

Heloísa Santana, presidente da Ampro, sobre Isabela Malucelli, head de atendimento da ForAll

Heloísa Santana (Crédito: Divulgação) 

Quando decidi atuar em agências de comunicação, já estava no mercado há mais de 10 anos. Embora essa mudança tenha sido muito bem planejada (e desejada), trouxe uma série de desafios. Uma das pessoas que mais me inspirou foi a Isabela Malucelli, na época minha gestora direta. Ela não apenas me abriu portas para oportunidades profissionais, como também para uma jornada de autoconhecimento e empoderamento.

Há 25 anos, pautas de diversidade e inclusão não eram prioridade. O tempo passou e o impacto positivo de suas orientações me ajudaram a impulsionar minha própria jornada e, essencialmente, me motivaram a compartilhar esse conhecimento e apoio com outras pessoas nos diferentes ambientes de trabalho por onde fui passando, formando uma corrente de empoderamento e crescimento mútuo.

Aquela que incentiva

Patrícia Coimbra, VP de Gente, Gestão e Performance da Cielo, sobre Maria Helena Monteiro, diretora na CNSeg 

Patrícia Coimbra (Crédito: Divulgação)

Durante a minha trajetória profissional, sempre tive o privilégio de poder trabalhar ao lado de pessoas e mulheres inspiradoras, destacando a contribuição de Maria Helena Monteiro, que era executiva de RH da Shell, e hoje trabalha na CNSeg. Quando mudei para a área de RH, ela tinha acabado de chegar como expatriada com os filhos. A Helena me incentivou a participar de projetos, liderar agendas com profissionais seniores e me indicou quando ainda era jovem para treinamentos internacionais, me encorajando a me expor, assumir riscos e aprender rapidamente. Aprendi como navegar em um ambiente mais executivo e predominantemente masculino, trabalhando com informações estratégicas e dados. 

O apoio dela e de outras mulheres foi um fator determinante, que me permitiu assumir cargos de grande responsabilidade e me destacar em diferentes áreas. Tive muitos líderes inspiradores, com diferentes recortes de diversidade, que contribuíram para que eu criasse minhas próprias referências e pudesse proporcionar o mesmo para minhas filhas, colegas e times. Como líder, tenho a responsabilidade de acelerar a evolução da cultura, das práticas e das políticas nos diferentes ambientes em que atuo, trazendo valor para as pessoas, para o time, para o negócio, para as organizações e para a sociedade.

Aquela que revoluciona o mercado 

Patrícia Travassos, jornalista e fundadora da produtora Prosa Press, sobre Ana Paula Padrão, jornalista e apresentadora 

Patrícia Travassos (Crédito: Divulgação)

Meu celular toca. Eu atendo e, do outro lado da linha, Ana Paula Padrão. O mercado jornalístico estava fervendo com a saída dela da TV Globo para o SBT. E ela chegou à Anhanguera cercada de outras mulheres fortíssimas para criar do zero e liderar uma redação inteira: Guta Nascimento, Beatriz Alessi, Monica Gugliano e Keila Castro. Elas colocaram de pé não só um telejornal, mas fizeram uma revolução feminina no telejornalismo. Eu nunca tinha visto tanta mulher mandando no estúdio, no switcher, na reportagem, na edição.

Além de quase triplicar meu salário na época, o que me possibilitou comprar meu primeiro apartamento, a Ana apontou qualidades no estilo do meu texto e no meu olhar de repórter que eu mesma nunca tinha percebido. Vindo dela, acreditei e segui mais confiante para os destinos longínquos e pautas mais desafiadoras que ela me escalou: Copa do Mundo na Alemanha, viagem presidencial pela África, Assembleia Geral da União Europeia, na Bélgica, Tailândia, Dubai. Certamente, ela contratou uma jornalista, mas formou a empreendedora que eu me tornei hoje, como fundadora da Prosa Press.

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