Economia Prateada: o poder econômico da população 45+ no Brasil

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Opinião

Economia Prateada: o poder econômico da população 45+ no Brasil

No mundo inteiro, o grupo da faixa 50+ é considerado o com maior patrimônio líquido coletivo, uma população que tem um grande potencial consumidor


6 de março de 2024 - 6h00

O Brasil está passando por uma transformação demográfica sem precedentes que está moldando sua economia, sociedade e cultura. Com o envelhecimento da população e a taxa de natalidade em declínio, o país está se tornando um dos protagonistas na economia prateada.

A economia prateada, também conhecida como economia sênior ou economia da terceira idade, refere-se a um segmento econômico que se concentra nas necessidades, desejos e atividades econômicas da população madura. Ela abrange uma ampla gama de produtos, serviços e indústrias que atendem às necessidades específicas desse grupo que está em crescimento à medida que a população envelhece em muitos países.

Não é preciso observar muito para perceber que o Brasil está se tornando um país idoso. Em 2021, o IBGE registrou o menor número de nascimentos desde 2003, enquanto a expectativa de vida do brasileiro cresceu 40% nos últimos 60 anos. Isso significa que há menos nascimentos e que as pessoas estão vivendo mais tempo. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2030 o Brasil terá a quinta população mais idosa do mundo.

Esse fenômeno é conhecido como a “inversão da pirâmide etária”. Anteriormente, a base da pirâmide populacional era composta por jovens, enquanto os idosos eram uma minoria. Agora, a base está diminuindo, e a parte superior, representada pelos idosos, está crescendo. Essa inversão tem implicações significativas para a economia e a estrutura social do país.

O poder da economia prateada no Brasil

A economia prateada no Brasil é uma força em crescimento. Segundo o Sebrae, as pessoas com mais de 60 anos já são responsáveis por 20% do consumo nacional. Além disso, dados do World Data Lab revelam que a economia prateada já movimenta 15 trilhões de dólares por ano, tornando-se a terceira maior atividade econômica do mundo.

Outro ponto importante é que a grande maioria do público sênior no Brasil possui renda própria. No estudo Elas 45+ da Estúdio Eixo, onde desdobramos sobre os desafios e oportunidades do público feminino maduro no Brasil, descobrimos que cerca de 86% das pessoas com mais de 55 anos têm fontes de renda, e esse número sobe para impressionantes 93% entre aqueles com mais de 75 anos. Além disso, 63% das pessoas na faixa dos 60 anos são provedoras de suas famílias. Isso torna o público sênior um dos segmentos com mais dinheiro disponível para gastar.

No mundo inteiro, o grupo da faixa 50+ é considerado o com maior patrimônio líquido coletivo. É uma população que tem um grande potencial consumidor e só tende a se fortalecer mais nos próximos anos, na medida que o país envelhece.

Faltam produtos e serviços adequados

Entretanto, apesar de a economia prateada ter uma participação considerável e crescente na nossa economia, ainda falta uma oferta adequada de produtos e serviços direcionados ao público sênior no Brasil. A maioria das empresas se concentra em atender os millennials, ignorando uma grande parcela da população que busca por produtos que atendam às suas necessidades.

Hoje, 63% dos negócios têm os millennials como alvo, e a cada 10 consumidores brasileiros acima de 55 anos, 4 sentem falta de produtos e serviços voltados para eles. Ou seja, existe um desequilíbrio claro de oferta e demanda, a pergunta aqui é: até quando?

Estamos tendo a chance de observar a primeira geração que reivindica seu direito de envelhecer da maneira que quiser. O público sênior quer produtos e serviços que atendam suas necessidades e desejos, eles querem se sentir representados e incluídos na sociedade. Essa inclusão não beneficia apenas os idosos, mas todo o sistema, pois promove uma economia mais robusta e inclusiva.

A economia prateada representa uma oportunidade valiosa que requer uma resposta proativa das empresas e da publicidade. Ao reconhecer o potencial econômico e social da população idosa, podemos criar um país mais inclusivo e preparado para enfrentar os desafios e oportunidades do envelhecimento da população. Pensar em economia prateada, ao contrário do que muitos pensam, não tem nada a ver com pensar no passado, é olhar para o futuro

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