Onde estão as campanhas brasileiras do novembro negro?

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Opinião

Onde estão as campanhas brasileiras do novembro negro?

Mês que se encerra é marcado por celebrações da cultura negra, mas valorização efetiva e comunicação ainda são desafio na indústria brasileira


30 de novembro de 2022 - 6h00

(Crédito: Shuttestock)

Temos muito o que caminhar no que diz respeito à participação de marcas e empresas no novembro negro – mês em que celebramos a Consciência Negra no Brasil. Às vezes sobra boa vontade, mas falta efetividade e isso acontece por alguns motivos: um deles é o baixo entendimento sobre o poder que essa data tem, já que está associada de forma positiva à maior parte da população e dos consumidores do país mais negro fora da África no planeta.

Além disso, existe o gol já perdido da Copa do Mundo: pela primeira (e provavelmente a última) vez na história, o evento é feito em novembro. As marcas poderiam ter usado, de forma estratégica, a data para provocar mudanças quanto a práticas racistas nos jogos, problemática cada vez mais frequente, ou propor reflexões importantes, que pudessem contribuir com o tema.

Mas pouquíssimas foram as empresas que assumiram o seu papel nessa história. Consigo listar no máximo três, pelo que eu me lembre.

É preciso assumir de uma vez por todas o posicionamento antirracista, já que pessoas pretas consomem produtos e serviços diariamente, movimentando quase 2 trilhões de reais anualmente – segundo o Instituto Locomotiva –, mas que apesar disso seguem sendo ignoradas pela publicidade, inclusive no mês em que celebram a sua cultura.

O Dia da Consciência Negra, assim como o Dia dos Pais, das Mães e das Crianças, precisa constar como data de oportunidade comercial para absolutamente todas as empresas do território nacional. Essa é uma pauta mandatória e que precisa ser vista com seriedade. O que também não quer dizer que as comunicações sobre o tema precisam ser necessariamente concentradas apenas em novembro. É preciso criar uma conexão consistente com o público e mantê-la ativa durante 12 meses do ano.

Até quando estaremos inertes a pautas tão importantes como essa? E quando as marcas entenderão o papel poderoso que possuem para formação de opinião e imaginário na sociedade?

Os caminhos nós já temos há muito tempo: agências especializadas, produtoras, coletivos, profissionais. Agora é preciso evoluir e dar os próximos passos para fazer a diferença na vida das pessoas e na sociedade com ações concretas e que funcionem efetivamente.

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