Qual é o QI da IA?
Transição da conectividade móvel simples para o cenário futuro, no qual a inteligência artificial autônoma irá navegar pelas infraestruturas de redes 6G, estimula debates sobre efeitos na tecnologia, na vida e no marketing
Entre as métricas aplicadas para calcular as capacidades humanas, uma das mais populares são os testes de QI (Quociente de Inteligência), bastante usados para medir habilidades cognitivas, como raciocínio lógico, memória, eficiência de linguagem e velocidade na resolução de problemas. São uma tradicional referência para apontar o potencial intelectual, mas, nos últimos tempos, foram banalizados com questionários online bastante discutíveis, além de pouco indicados para observar o potencial criativo e a inteligência emocional.
A mesma evolução tecnológica que colocou os testes de QI ao alcance das nossas mãos possibilitou que as máquinas cumprissem tarefas antes exclusivas dos humanos: passaram a escrever, calcular, correlacionar, diagnosticar e criar, com uma rapidez inalcançável. Turbinado pela inteligência artificial generativa, o desempenho intelectual dos robôs escalou da programação de atividades repetitivas para sistemas autônomos capazes de aprender e raciocinar. Não demorou para a teoria do QI avançar para o mundo das máquinas.
As transformações esperadas pelo movimento de transição da conectividade móvel simples, representada pela atual tecnologia 5G, para o cenário futuro no qual a inteligência artificial (IA) autônoma irá navegar pelas infraestruturas de redes de última geração, expressas pelo 6G, são o foco da edição 2026 do Mobile World Congress (MWC), que acontece nesta semana, em Barcelona, na Espanha. Sob o macrotema The IQ Era, o evento estruturou suas seis trilhas dedicadas a assuntos como Infraestrutura Inteligente, ConnectAI e IA para Empresas.
A ambição do MWC é a de apontar caminhos para ações que ajudem as empresas a enfrentarem o cenário atual de saturação de dados, com a inteligência artificial deixando no passado a funcionalidade de ferramenta adicional e assumindo de vez o papel de núcleo operacional da tecnologia móvel.
Principal fórum global sobre conectividade, que reúne líderes das maiores empresas digitais e de tecnologia, e é base dos principais lançamentos anuais para muitas marcas, especialmente de smartphones, o evento espera mostrar a aplicabilidade dessa transformação em curto e médio prazos, e indicar seus prováveis efeitos não só no mercado da tecnologia, mas também no marketing e na vida das pessoas.
No campo do marketing, especificamente, o principal desafio é o de aplicar as transformações possibilitadas pelo casamento entre a IA e o 6G em ganhos para as marcas na geração de benefícios para as jornadas de consumo. A oferta em tempo real de hiperpersonalização, com decodificação mais profunda de comportamentos e melhor uso de geolocalização, é uma das prioridades.
Mudanças já podem ser vistas em experiências imersivas mais atrativas e de jornadas de commerce guiadas por agentes de IA, com menor interferência humana, o que afeta o tradicional conceito de funil de compra — como detalham as reportagens das páginas 30 a 35, produzidas previamente pelos jornalistas de Meio & Mensagem que acompanham o evento in loco.
Embora não esteja no centro da inovação global que pode nos levar ao que o MWC chama de The IQ Era, o Brasil tem aumentado seu interesse no evento, onde o espaço ocupado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) contará com 28 empresas, entre startups e institutos de ciência e tecnologia — um recorde para a presença nacional.
Parte do projeto 100 Dias de Inovação, o conteúdo multiplataforma sobre o MWC está disponível no site meioemensagem.com.br/mwc, com o noticiário diário e blog com textos de diversos profissionais brasileiros participantes; nas redes sociais, com ampla produção audiovisual; e na próxima edição semanal, com análises consolidadas sobre os debates, apresentações e lançamentos da edição 2026. O MWC é o segundo destino do projeto, que começou em janeiro com a NRF, maior encontro global do setor varejista, realizado em Nova York, e desembarca na semana que vem, em Austin, para o South by Southwest (SXSW).