Três sentimentos para ler o momento atual
Semana de aprendizados do SXSW evidencia relações humanas, ansiedade com IA e pressão por executar mais rápido
Essa é a semana oficial dos principais aprendizados do SXSW. Para muitos, esse é um momento pouco atrativo, com o excesso de informação. Para mim, é justamente o contrário: desperta curiosidade.
O SXSW é como um festival de milhares de eventos acontecendo simultaneamente, e cada pessoa volta de lá com um recorte próprio, uma percepção totalmente diferente da do outro.
Ainda assim, não vou me deter em listar os principais fatos. O meu olhar, aqui, se volta para os sentimentos mais humanos que ficaram.
O primeiro deles diz respeito às relações humanas, que seguem sendo o nosso bem mais precioso. Pode parecer óbvio, mas um dado que ouvi durante o evento chama atenção: há cada vez mais pessoas não apenas utilizando a inteligência artificial como ferramenta, mas estabelecendo com ela relações afetivas — namorando, casando e substituindo vínculos humanos por interações artificiais. O que antes parecia restrito à ficção, como no filme Her, já se apresenta como realidade. Um movimento que teve início com as redes sociais e que segue se intensificando, com um potencial nocivo relevante e preocupante.
Outro sentimento humano recorrente foi o de estar atrasada. Essa percepção surgiu em diferentes momentos. A pergunta foi inevitável: “como ainda não implementei agentes em tudo o que faço?” Em seguida, veio a constatação de que apenas criar agentes já não é suficiente, o avanço está em utilizá-los como verdadeiros “arquitetos das empresas”. Pouco depois, um palestrante que é um programador bastante renomado, compartilhou a mesma sensação. Se até especialistas no tema se percebem assim, é um indicativo claro de que o ritmo das transformações é, de fato, acelerado. E fica a reflexão de como iremos lidar com isso.
Por fim, o terceiro sentimento que ficou é sobre a necessidade de aprofundar menos e executar mais. Não se trata de abrir mão do conhecimento, mas de reconhecer que é possível passar longos períodos absorvendo conteúdos, referências e novas tecnologias sem, necessariamente, colocá-los em prática. O desafio, portanto, está em selecionar o que é relevante, direcionar o foco e agir.
Ao final, a principal percepção é que os aprendizados não estão, necessariamente, na tecnologia em si, mas na forma como ela tensiona e redefine o que é essencialmente humano. É nesse contraste que reside o impacto mais profundo do SXSW.