Tecnologia

OpenAI: da era da percepção para a economia da inteligência

CRO da companhia defende IA como motor de uma nova economia baseada em utilidade, intenção e conversa

i 23 de junho de 2026 - 13h07

Em sua estreia no palco do Cannes Lions, a OpenAI defendeu uma visão que posiciona a inteligência artificial não apenas como ferramenta de suporte, mas como motor de uma nova “economia da inteligência”. Denise Dresser, chief revenue officer (CRO) da companhia, aponta que o setor publicitário vive um momento de transição, em que a prioridade deixa de ser a simples captura da atenção para focar na utilidade e na relevância conversacional.

Denise Dresser, chief revenue officer (CRO) da OpenAI

Denise Dresser, CRO da OpenAI, acredita que potencial da tecnologia para empresas ainda não foi desbloqueado (Crédito: Celina Filgueiras)

“Saímos da era da percepção para a economia da inteligência. Isso significa que, à medida que os usuários chegam com uma intenção mais profunda, você os alcança com anúncios mais úteis quando precisam. Trata-se de alcançar mais pessoas levando a ideia e escalando-a imediatamente”, diz.

É a partir da perspectiva da utilidade que a empresa trabalha sua plataforma de ads no ChatGPT, em funcionamento em sete países há quatro meses, mas com promessas de expansão. A executiva revela que, até o momento, no âmbito da experiência do usuário, a redução na taxa de fechamento de anúncios reduziu na casa dos 50%, o que justifica o otimismo da OpenAI.

“Existem várias maneiras de alcançar os públicos e os criativos têm muitas formas de entregar o conteúdo e os ativos certos. Essa é apenas mais uma maneira de alcançar as pessoas com a mensagem certa e a marca certa”, afirma ao analisar o quão competitivo pode ser anúncios na IA em relação a outras categorias.

Mesmo assim, com óbvia imparcialidade, Denise aposta que, se comparado com a publicidade em mecanismos de buscas, por exemplo, o anúncio em ferramentas de inteligência artificial tende a ser “mais útil, inteligente sobre o usuário e conversacional”.

Na perspectiva da CRO da OpenAI, o potencial econômico ao redor do uso da tecnologia pelas empresas ainda não foi desbloqueado, sendo reduzida a uma questão de produtividade ou horas economizadas. A abordagem simplificada, no entanto, não rendeu os resultados compatíveis com os investimentos das corporações, no auge do boom das ferramentas generativas.

“Uma lição aprendida é que essa geração de IA e capacidade não é apenas uma transformação tecnológica, mas de negócios. Agora, os CEOs e os conselhos entraram na sala. Eles não estão pensando em ‘incrementalismo’, mas em algo realmente exponencial. Então, é preciso esquecer a produtividade pela produtividade. Cada fluxo de trabalho e cada indústria pode ser reimaginada”.

Questionada sobre o impacto nos empregos, assunto recorrente no contexto da IA, a executiva minimiza: “Vamos passar por uma evolução tecnológica que mudará a forma como nós, humanos, trabalhamos. No mundo real, vemos que a inteligência artificial ajuda as pessoas a amplificarem o que são capazes de fazer. As empresas que estão apostando nessa capacidade estão percebendo que ela é uma aceleradora”, finaliza.