OK Burger King! Criatividade ou risco à privacidade?

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OK Burger King! Criatividade ou risco à privacidade?

Vídeo da rede em que garoto-propaganda aciona o sistema do Google Home traz discussões sobre ética na junção de publicidade e Internet of Things

Luiz Gustavo Pacete
17 de abril de 2017 - 10h13

O Burger King “trollou” o Google ou seus próprios consumidores? A pergunta é feita desde o fim da semana passada quando a rede de fast-food lançou um comercial que ativava o sistema de voz do Google Home. “Você está assistindo um anúncio de 15 segundos do Burger King, que, infelizmente, não é tempo o suficiente para explicar todos os ingredientes frescos no sanduíche Whooper. Mas eu tenho uma ideia. OK Google, o que é o Whooper?”, dizia o garoto-propaganda fazendo com que os ingredientes do sanduíche fossem lidos pela assistente de voz.

A ousadia da marca levou o Google a bloquear a ativação dos dispositivos. Para Luis Constantino, head de inovação e diretor de criação da We, a ideia não é antiética pois não houve um hacking. “O Burger King não invadiu o sistema, apenas utilizou uma função que é aberta e transformou isso em uma oportunidade. Em campanha de oportunidade é preciso avaliar os prós e contras e de forma muito rápida, porque a hora de comunicar pode passar. Era preciso ter avaliado como o device funcionava, e prever a reação das pessoas”, diz Constantino. Na visão de James Scavone, CCO da SalveTribal Worldwide,o Burger King enxergou uma oportunidade e atacou. “Eu gostei da ousadia e da ideia. O efeito colateral é um risco que só quem faz primeiro corre. Não sei se vende hambúrguer, mas vende ousadia.”

 

okgoogle

Algumas horas depois que o comercial foi ao ar a ativação deixou de funcionar (Crédito: Reprodução)

Luiz Peres Neto, professor do programa de Pós Graduação em Comunicação e Práticas de Consumo da ESPM, observa que a atitude do Google de bloquear o acionamento do sistema mediante a menção feita pelo comercial do Burger King foi compreensível. “Não há o que criticar o Google, pois é uma empresa que detém o monopólio no segmento de buscadores e está defendendo seus interesses comerciais. A crença de que o sistema de inteligência artificial do Google usa critérios de interesse público está equivocado, pois ele atua seguindo os interesses privados da companhia. Este sistema de inteligência artificial do Google armazena como um espaço público, quando na verdade é um espaço privado”, diz Neto.

Ainda de acordo com Neto, do ponto de vista da publicidade é importante pensar nas possibilidades que a internet das coisas pode oferecer do ponto de vista da criação e da interação com os diferentes públicos. “Você tem objetos conectados em rede, que rastreiam outras coisas e essa troca de informações gera milhões de possibilidades com um custo muito menor para a criação publicitária. Porém, do ponto de vista do consumidor é uma atuação não desejada? É uma invasão de privacidade? Estamos expostos a este cenário, a partir do momento que as ‘coisas’ estão em rede e esta será uma prática corrente do mercado”, reforça Neto.

 

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