Carvalho, da Claro: “Reclusão traz pico de demanda”

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Carvalho, da Claro: “Reclusão traz pico de demanda”

Algar, Claro, Nextel, Oi, TIM e Vivo se uniram por meio do Sinditelebrasil em medidas coletivas para assegurar conectividade durante quarentena imposta pelo coronavírus

Sergio Damasceno Silva
27 de março de 2020 - 6h39

Carvalho: “Estamos vendo uma demanda para a qual nenhuma rede foi projetada” (Crédito: Divulgação)

Algar, Claro, Nextel, Oi, TIM e Vivo, por meio do Sinditelebrasil, que reúne as teles no País, anunciaram medidas coletivas para garantir a conectividade, acesso em tempo real a compromissos de trabalho e estudo e interações a distância nos momentos de lazer com programação de TV, streaming, músicas e games. Calcula-se que, globalmente, o aumento da demanda por dados seja de 30% a 40%. Para que a conectividade funcione neste período de coronavírus e quarentena, as teles e o Sinditelebrasil comunicaram que têm feito gestão de crise, gerenciamento da operação de redes e serviços essenciais, informação e entretenimento aos usuários. Conjuntamente, essas teles respondem por 309 milhões de acessos entre telefonia fixa, móvel, banda larga e TV paga. Antes disso, as teles já haviam se antecipado com iniciativas individuais como o aumento gratuito da largura de banda. Na Claro, o diretor de marketing, Márcio Carvalho, explica os detalhes do plano de contingenciamento que envolve este período da Covid-19.

Meio & Mensagem – Essa iniciativa da Claro se materializará de que forma para pessoas físicas ou jurídicas? Por exemplo, como o usuário sabe que o plano tem aumento de largura de banda? Tem alguma mudança perceptível? E isso se refere somente à banda larga móvel ou envolve a Net também?
Márcio Carvalho – A Claro está desde o último dia 14 tomando todas as medidas possíveis para melhorar as condições de conectividade no país, tanto nas redes móveis, residenciais e até no WiFi. Essas medidas serão reavaliadas permanentemente, conforme formos entendendo a nova curva de demanda na rede em um momento onde a grande maioria dos brasileiros está reclusa em casa e precisa continuar trabalhando, estudando e acessando entretenimento. Precisaremos conscientizar todos para uso racional e responsável das redes, em um momento onde estamos vendo uma demanda para a qual nenhuma rede foi projetada. Nossa grande preocupação era esclarecer a população e combater fake news. Em conjunto com as programadoras, abrimos acesso a todos os canais de notícia na TV por assinatura para que as pessoas tivessem fontes confiáveis de informação. Para quem não tinha TV, abrimos o sinal destes mesmos canais por meio do Now online. Mas a proliferação do streaming e do uso de vídeo chamadas gera um outro efeito colateral. Assim como a reclusão em casa tem como objetivo achatar a curva, ou impedir um pico de demanda no sistema de saúde, a reclusão em casa traz um pico de demanda nas redes de comunicação, à medida que chamadas de vídeo estão sendo usadas em um volume nunca antes previsto, assim como streaming de vídeo, jogos online, aplicativos de trabalho remoto, educação a distância etc. Pelas características normais de uso, o pico de demanda na rede acontecia entre 19:00h e 23:59h. É nesse horário que as pessoas precisam ter mais consciência, para não aumentar ainda mais este pico e evitar congestionamentos que prejudiquem a todos, principalmente os serviços essenciais como a comunicação de quem precisa com médicos e hospitais. A TV tradicional é uma excelente opção para garantir entretenimento sem sobrecarregar a rede de banda larga ou o WiFi de casa. Por isso, novamente em parceria com as programadoras, abrimos uma grande quantidade de canais de TV por assinatura, capazes de garantir entretenimento para as famílias nas horas de lazer e informações atualizadas sobre a crise. O período dessa ação segue sendo indeterminado e vai depender do período autorizado por cada um dos nossos parceiros de conteúdo. Já nos próximos dias a Claro anunciará as ações focadas nos clientes de pequenas e médias empresas, ajudando a todos a se capacitarem para esta nova maneira de trabalhar remotamente, somando forças também com provedores de soluções capazes de manter os colaboradores conectados com as suas empresas durante o período de quarentena.

M&M – Vocês foram os primeiros a fazer tal iniciativa, antes mesmo da Anatel divulgar ofício ao mercado. É um posicionamento de marca ante uma crise que é global. Mas também é uma parcela importante para a vida e economia do País. Como vocês avaliam a crescente expansão do home office e de que forma a infraestrutura de rede pode ajudar em grandes centros urbanos como SP e Rio?
Carvalho – Nossa preocupação genuína foi ajudar com tudo que pudéssemos fazer, o mais rápido possível, num momento em que toda a sociedade ia passar por uma grande mudança comportamental. E que dependia de muita consciência coletiva e de todos os serviços que provemos. Tanto que nosso movimento seguinte foi fazer uma grande aliança com as demais operadoras de telecomunicações, pois compartilhávamos dos mesmos desafios e desse mesmo propósito. Ajudar a todos e nos preparar para uma briga complexa, contra um inimigo invisível. Tudo isso tende a ajudar o Brasil a ser mais digital no futuro. Mas a grande preocupação do momento é ajudar o país a combater o vírus e todos os impactos econômicos que advém da medida drástica e necessária de fazer as pessoas se recolherem às suas casas para evitar a disseminação do vírus. Nossa economia informal vai sofrer muito, as pequenas e médias empresas terão fortíssimo impacto, uma recessão mundial pode vir aí. Portanto, é hora de somarmos todas as forças possíveis e nos prepararmos para essa luta e para toda a transformação social e econômica que ela traz como consequência.

M&M – Ainda não se tem dimensão da crise que o coronavírus debelou em todo o mundo e nem o alcance do Covid-19 no Brasil. De qualquer forma, temas importantes como o leilão da 5G podem ser adiados. E até mesmo eventos internos da Claro e eventos externos dos quais vocês eventualmente participariam foram ou serão cancelados. Como ficam os patrocínios nos quais vocês estão diretamente envolvidos e quais são as perspectivas da operadora ante cancelamentos que afetam o setor, como 5G, embarques reduzidos de aparelhos e atrasos da indústria global de elementos de rede?
Carvalho – O momento exige de nós pensar em primeiro lugar na saúde e bem-estar dos nossos clientes, colaboradores e de toda a sociedade. Desde a escalada da pandemia nós cancelamos todos os eventos, e, seguindo as determinações dos órgãos públicos de saúde, nós suspendemos a programação nos nossos teatros e cinemas por tempo indeterminado. Essa medida também se estende aos eventos patrocinados pela Claro que estavam programados para as próximas semanas. Quanto ao cenário de telecomunicações, já estamos sentindo os efeitos mais imediatos e óbvios: fechamentos das lojas, lançamentos de aparelhos atrasados por problemas com fornecedores e restrições de deslocamento cada vez maiores para conter a propagação do vírus. O 5G, que ainda depende de leilão aqui no Brasil, é uma conversa para se ter mais pra frente, depois que o Brasil e o mundo conseguirem lidar com o surto do vírus, garantirem a saúde da população e anunciarem as medidas de recuperação das economias e dos empregos.

M&M – Internamente, que medidas a Claro tomou para que as pessoas trabalhem e atendam o público, no geral, em meio à crise?
Carvalho – A Claro está operando com o comitê de crise, conectado com a Anatel e governos federal, estaduais e municipais. E atuando de forma coordenada com as demais operadoras, tudo para monitorar permanentemente os impactos do vírus no nosso negócio, nas redes, clientes e sociedade em geral. E tomando medidas enérgicas a fim de resguardar a saúde e bem-estar de todos os colaboradores. A saúde de todos é a maior prioridade e requer revisão permanente das ações à medida que as determinações dos governos vão saindo. Entre as medidas já tomadas, estão a redução ao máximo os deslocamentos e visitas técnicas – exceto quando há casos críticos de falha ou degradação dos serviços; estamos reforçando a comunicação para que os clientes optem pelos canais de atendimento digital, com desmobilização gradativa dos pontos físicos de venda e atendimento.

M&M – É possível fazer uma avalição preliminar do quanto a crise pode atrasar iniciativas da Claro e do setor? E que alternativas ou caminhos podem ser adotados para minimizar os eventuais prejuízos?
Carvalho – Muito cedo para isso e nosso foco agora é ajudar na orientação de todos irem para casa, permanecerem lá, com acesso à informação e entretenimento, estudando ou trabalhando. E, acima de tudo, dar todo suporte necessários as atividades críticas que nos possibilitarão manter a sociedade funcionando e cuidando das pessoas afetadas pela doença.

M&M – A Claro fará campanhas associadas às facilidades que oferece durante este período? E qual é o prazo deste contigenciamento?
Carvalho – Estamos colocando nossos meios à disposição das campanhas oficiais de esclarecimento na TV, SMS, notificações de push no celular, site e demais canais oficiais da Claro. E orientando os clientes a procurarem os canais digitais de atendimento, como os aplicativos digitais de atendimento da Claro (residencial e móvel). O impacto de cada medida está sendo reavaliado diariamente pelo comitê de crise, e como companhia seguimos empenhados dia após dia em buscar soluções que amenizem a situação causada pelo coronavírus, anunciando sempre novas alternativas para manter os brasileiros em casa, da melhor forma possível.

M&M – E quanto ao posicionamento global da América Móvil (controladora da Claro e da Net) existe algum statement a ser seguidos nos mercados em que a empresa atua?
Carvalho – Estamos passando pela crise de forma praticamente simultânea em vários países e replicando todas as melhores práticas que ajudem a todos, em todos os países.

(foto do alto: Nico El Nino/iStock)

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