O dia da invasão dos marcianos

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O dia da invasão dos marcianos

A transmissão histórica de ?A Guerra dos Mundos?, feita por Orson Welles em 1938, causou pânico nos EUA e criou uma nova era na comunicação mundial

Sergio Damasceno
13 de fevereiro de 2014 - 8h10

Nesta quinta-feira, 13, celebra-se o Dia Mundial do Rádio. O veículo foi viabilizado como o conhecemos em 1916, quando foi feita a primeira transmissão comercial via rádio. Mas, ainda em 1893, o padre gaúcho Roberto Landell de Moura (considerado o inventor do rádio) já apresentava publicamente equipamentos que tornavam possível a transmissão por ondas. Essa tecnologia mudaria o mundo e o Brasil e transformaria a audiência, a informação e a conexão por meio de um veículo que estabeleceria, portanto, uma rede de alcance local, regional, nacional e mundial.

Nos EUA, em 30 de outubro de 1938, véspera do Halloween, a rádio CBS interrompeu a programação normal para transmitir uma suposta notícia extraordinária. Os marcianos invadiam a Terra em cilindros metálicos e seguia-se o extermínio da raça humana pelos monstros. A transmissão durou uma hora (ouça abaixo a íntegra da transmissão em inglês), mas, antes do fim, milhares de pessoas já haviam acreditado na fantasiosa versão. A verdade era bem outra: tratava-se de uma peça radiofônica apresentada pelo ator Orson Welles (que faria, posteriormente, O Cidadão Kane) de uma adaptação do livro A Guerra dos Mundos, de H.G.Wells. A CBS estimou que o programa foi ouvido por seis milhões de pessoas, das quais metade o sintonizou quando já havia começado e, por isso, perdeu a introdução que informava tratar-se de ficção. Pelo menos 1,2 milhão de pessoas acreditou ser um fato real. Dessas, meio milhão teve certeza de que o perigo era iminente, o que levou ao pânico a população da região de New Jersey e também de Newark e Nova York. Começava ali a comunicação de massa e, mais importante, o peso que uma transmissão coletiva, com credibilidade (dos autores da peça), poderia causar na audiência. Depois, Welles falaria sobre a repercussão (veja vídeo em inglês).
 

wraps

Ao longo dos seus 98 anos comerciais (92 no Brasil), o rádio registrou momentos importantíssimos – Primeira e Segunda Guerras Mundiais, chegada do homem à Lua, guerra do Vietnã, emissões das Copas do Mundo e da Olimpíada e todos os grandes fatos históricos que cobrem os séculos 20 e 21.

O Dia Mundial do Rádio foi estabelecido em 13 de fevereiro pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) porque foi nesse dia que United Nations Radio emitiu, pela primeira vez, simultaneamente, em 1946, um programa para seis países. A primeira celebração da data aconteceu em 2012.

Estima-se que no mundo haja 4 bilhões de aparelhos receptores de rádio (exceto os de automóveis e os celulares e dispositivos equivalentes) e que a audiência global do meio chegue a 4,2 bilhões de pessoas, ou seja, a 58% da população mundial, de 7,2 bilhões de pessoas. A digitalização do rádio e a expansão da base de celulares (e outros dispositivos que aceitam aplicativos e acessam rádios na web) fez com que o rádio se adaptasse às evoluções tecnológicas e não perdesse o valor como veículo propagador de informação e entretenimento. Nos EUA, 95% da população têm acesso ao rádio.

Brasil

O Brasil tem 9.599 emissoras de rádio (AM, FM e comunitárias), ou seja, é mais de uma estação por município – o País tem 5.570 municípios. Em termos de veículo, o rádio perde apenas para a TV: tem uma penetração de 87,9% ante os 96% da TV aberta. E esse número não abrange dispositivos como celulares e iPods, que têm rádios embarcados. A expansão constante do meio reflete-se no aumento da receita publicitária: segundo o Projeto Inter-Meios, de Meio & Mensagem, o rádio manteve o desempenho positivo registrado ao longo de 2013 e elevou em 10,3% seu faturamento em relação a 2012, com 4,07% (R$ 1,183 bilhão) de share do bolo total de R$ 29 bilhões. São famosos os spots publicitários que viraram bordões por meio do rádio.

A implantação do rádio digital brasileiro está fora de sintonia desde 2007, quando começaram oficialmente as primeiras consultas públicas sobre os padrões. Já foram realizados testes com o DRM (europeu) e o iBiquity (norte-americano), mas nem emissoras e tampouco o governo chegaram a um consenso. O tema está parado e não há previsão de quando – e se – um dos padrões será adotado para o rádio brasileiro. É o único meio que ainda não migrou para a era digital, num momento em que a digitalização atrai cada vez mais público e, consequentemente, a verba publicitária.

As rádios, ainda assim, têm se reinventado. Os players se uniram no ano passado para promover a valorização e modernização do meio. Outro exemplo é o sucesso de rádios customizadas como a Sul-América Trânsito. Sinal de que o sinal do rádio nunca deixou de ser percebido e valorizado pelo ouvinte. Em 7 de novembro do ano passado, Dia do Radialista, a presidente Dilma Rousseff sancionou a migração de rádios AM para FM. O decreto regulamentou a transição de faixas e favorece até 1,8 mil emissoras que, em função da baixa qualidades das ondas médias (espectro usado pelas AM), perderam audiência e anunciantes para emissoras em VHF.
 

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