Marcas qualificadas perdem com saída do Jô

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Marcas qualificadas perdem com saída do Jô

Prestes a iniciar sua última temporada na Globo, Jô Soares teve papel importante como opção para anunciantes

Luiz Gustavo Pacete
22 de fevereiro de 2016 - 4h38

“O espaço que uma marca como a Audi encontra no “Programa do Jô” não é o mesmo que ela vai encontrar em um outro talk show”, a afirmação de Vagner Matrone, coordenador do curso de Rádio e TV da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), ilustra a representatividade do apresentador para público e marcas qualificadas.

Na visão do acadêmico, o mercado perde uma das poucas opções de conteúdo voltado ao público qualificado que existia na TV brasileira. “Não estou fazendo comparações, sem dúvida, Adnet, Gentili e outros jovens apresentadores atingem um público importante, jovem e relevante, mas muito diferente daquele que foi cultivado por Jô Soares”, explica.

Apesar de a Globo garantir que Marcelo Adnet não será o sucessor de Jô, o mercado entende que ele é um provável substituto. “A TV aberta vive uma metamorfose muito grande tendo em vista atingir novos grupos de telespectadores, isso é legítimo, mas o fim do “Programa do Jô” é uma grande perda para a TV aberta”, conclui Matrone.

“Ele teve e tem um papel muito importante na construção das marcas e na qualificação das mesmas, junto ao público que assiste ao seu programa, muito antes de se falar de conteúdo qualificado e segmentado. Com certeza, será uma lacuna irreparável.”, comenta Paulo Sant´Anna, diretor-geral de mídia da DPZ&T.

Em entrevista ao Estadão, nesta segunda-feira, Jô Soares afirmou que existem vários profissionais com talento para fazer um talk show no Brasil, mas que não possui coragem de sugerir nenhum nome. “Nem sei se a Globo pretende continuar a fazer talk show”, disse Jô.

O “Programa do Jô” já vinha passando por mudanças. Em 2015, a Globo diminuiu de três para dois blocos a atração. Na matéria, o Estadão levanta a possibilidade de Jô Soares ganhar um programa semanal, algo que a Globo ainda não confirma.

A versatilidade na TV

Atualmente com 78 anos, Jô Soares estreou seu programa na Globo em 2000, egresso do SBT onde apresentou o programa “Jô Soares Onze e Meia” entre 1988 e 1999. Entre 1987 e 1988, Jô apresentou o “Veja o Gordo” no SBT, em alusão ao “Viva o Gordo”, exibido na TV Globo de 1981 a 1987.

Jô queria ser diplomata, mas seu lado bem-humorado extrapolou o ambiente sisudo das relações internacionais. Foi no humor que estabeleceu novos formatos para a televisão brasileira. “Tudo o que fiz, tudo o que faço, sempre tem como base o humor. Desde que nasci, desde sempre”, diz Jô Soares. Sua fala consta nos registros do Memória Globo.

Sua consagração como comediante veio por meio de programas como Faça Humor, Não Faça Guerra e Viva o Gordo, exibidos na Globo durante a década de 1980. Em 1988, no SBT, Jô ganhou um talk show e misturava o humor ao conteúdo das entrevistas. Paralelamente, construiu uma carreira que inclui a dramaturgia, o cinema, o teatro e a literatura.

“O meu humor tem sempre um fundo político, sempre tem uma observação do cotidiano do Brasil. Os meus personagens são muito mais baseados no lado psicológico e no social do que na caricatura pura e simples. Eu nunca fiz um personagem necessariamente gordo. Eles são gordos porque eu sou gordo”, diz.

Em junho do ano passado, Jô Soares chegou a sofrer ameaças após uma entrevista com a presidente Dilma Rousseff. Na ocasião, foi acusado de ter sido condescendente com a presidente. Em novembro, outra polêmica envolveu o apresentador. Na entrevista com a blogueira Julia Tolezano, conhecida como Jout Jout Prazer, fãs e admiradores de Jout Jout alegaram que Jô Soares fez perguntas sexistas.

 

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