Ordem no caos

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Ordem no caos

Entre os estilistas mais famosos do País, Marcelo Sommer também aplica criatividade a uma série de outras atividades para além das passarelas

Roseani Rocha
18 de abril de 2016 - 8h00

Estilista renomado, ao longo de sua carreira Marcelo Sommer também tem demonstrado que um de seus maiores talentos é a capacidade de se reinventar. Hoje, imprime a sua marca a uma série de outras atividades além da moda. É possível encontrar Sommer no figurino de um artista badalado da música brasileira, nas roupas de uma companhia de teatro alternativo, em um evento de marketing feito para uma marca ou até mesmo em coleções de produtos para casa assinadas especialmente para a TokStok. Agora, prepara sua volta às passarelas com uma marca própria, a Oliveira, que lança até o fim deste ano (a Sommer ainda existe, mas foi vendida em 2004 para a AMC Têxtil). Dar conta de tantos projetos distintos — muitos feitos simultaneamente — e conseguir reconhecimento em todos requer uma dose alta de criatividade. Ao Meio & Mensagem, Sommer compartilha sua visão sobre a criatividade em si, seus processos e reflexos nos projetos que desenvolve — e com os quais busca atender a sua própria sensibilidade e também tocar a alheia.

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Meio & Mensagem — Como você define criatividade?

Marcelo Sommer — Definiria como um dom. Acho que criatividade é um adicional de fábrica, que vem com a pessoa; ou você tem ou não tem. Desenhar é uma coisa que se aprende, ser criativo não sei se é algo que se aprenda. Deve ter maneiras, exercícios que permitam aumentar sua criatividade, mas acredito que seja mais algo que venha com a pessoa.

M&M — Qual é o papel da criatividade e o que representa em particular para o universo da moda?

Sommer — Hoje em dia, faço bastante prestação de serviço para outras áreas também, mas todas envolvendo criatividade. No meu caso, criatividade é fundamental, é minha ferramenta de trabalho. Criatividade, intuição, a técnica… Também não adianta muito uma coisa sem a outra. Não adianta somente ter criatividade. É um dos elementos e tem de vir junto com um monte de outras coisas: administração, profissionalismo. Não estamos mais nos anos 1960 ou 1970, quando a pessoa podia ser somente criativa. Agora, tem de atender um monte de outras habilidades.

Marcelo Sommer(AN)_14

Ideias também vêm das referências coletadas mundo afora

M&M — Como, no seu caso, se desenvolve a criatividade? Você tem um processo especial prévio para criar? Estuda muito algum tema, acumula informações etc.?

Sommer — Não. É meio caótico meu processo criativo. Quer dizer, se estou prestando algum serviço para uma confecção, que eu tenha de desenhar uma coleção, usar um tema, com um compromisso mais comercial, tenho um processo mais de trabalho mesmo. Se é algo meu, independente, tenho um processo mais caótico, de fuçar na minha caixa de referências, buscar nos meus livros, na coleção de bordados que eu trouxe de viagem ou de suvenires. Não tenho muito um ponto de pesquisa para criar; pode ser a partir de um filme, de uma viagem, de um senhor que vi andando com certa roupa na rua. Pode vir de várias maneiras.

M&M — Tem alguma outra marca sua com que esteja trabalhando?

Sommer — Estou ensaiando para lançar a Oliveira, uma marca nova de masculino e feminino. Vou começar por camisetas, que sempre foi o meu best seller, e um pouco de alfaiataria. Vou vender numa plataforma de e-commerce e em duas ou três multimarcas de São Paulo. Quero começar bem pequenininho, porque entendi que uma das coisas que não quero é uma marca maior do que eu, como a Sommer chegou a ser um dia. Há uns três, quatro anos, parei de desfilar na SPFW e foquei mais no meu trabalho em prestação de serviço, nessa parte de figurinos e licenciamento do meu nome. Fiz uma linha grande para a TokStok, lancei em novembro do ano passado e está muito legal. É um sucesso. Foram três linhas, na verdade, a Folksy, a Nórdica e a linha infantil. Meu contrato com eles é por pelo menos mais dois anos, está indo superbem. É uma delícia esse trabalho!

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Uma das coleções criadas para a TokStok

 

 

A íntegra desta entrevista está publicada na edição 1705, de 11 de abril, exclusivamente para assinantes, disponível nas versões impressa e para tablets nos padrões iOS e Android.

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