Publicidade

Opinião

A educação é uma via de antecipação do futuro e a garantia da sua longevidade 

Como a formação escolar, em todas as suas fases, é complementada e potencializada durante a jornada profissional?


28 de abril de 2022 - 16h32

(Crédito: rudall30/ Shutterstock)

Recentemente assisti ao filme “A Felicidade das Pequenas Coisas”, que concorreu ao Oscar na categoria de melhor longa-metragem internacional. Na história, que se passa no Butão, um jovem professor aparentemente infeliz com a sua profissão, em seu último ano de contrato, é enviado pelo governo à “escola mais remota do mundo”, na aldeia de Lunana, no topo de uma montanha no Himalaia.  

Em vários momentos fiquei emocionada com a história. Entre eles, numa passagem em que o protagonista, no primeiro dia de aula, recebe a primeira lição de sua jornada nesta aldeia de vida simples e sem tecnologia. Enquanto conhecia seus alunos e entendia as ambições de cada um, é surpreendido quando um aluno responde que gostaria ser professor. E justifica com a sucinta e sábia explicação: “o professor toca o futuro!”. 

O momento em que assisti a esta cena, foi como se a tela se congelasse à minha frente. Imediatamente, comecei a construir o meu próprio filme, com flashes de quantos professores foram fundamentais na minha formação. Naturalmente recordei dos incríveis educadores que passaram pela minha vida, desde a educação primária até a minha formação superior, e todos os cursos que sigo fazendo. Mas, também, começaram a entrar na lista uma série de líderes que marcaram a minha trajetória e outras referências que me ensinam diariamente e seguem tocando o meu futuro.  

Aparentemente, um simples exercício de memória e resgate do meu passado se tornou uma reflexão extremamente reveladora. Como a formação escolar, em todas as suas fases, é complementada e potencializada durante a jornada profissional? De fato, qual é o nosso papel como líderes nas empresas em que trabalhamos? 

Inegavelmente, a educação de base de qualidade, feita de dentro de casa e no banco escolar, é o principal fundamento para o crescimento individual e coletivo. Aqueles que têm este acesso de forma privilegiada, têm as portas abertas de maneira mais rápida e com menos complexidade. Neste sentido, mais que tocar o futuro, chegam até a antecipá-lo. Contudo, enganam-se aqueles que esta é a garantia de uma contínua e longa jornada de sucesso. 

Num mundo em plena transformação, continuar estudando, se formando e aprendendo é fundamental para garantir a longevidade deste futuro presente. Para que profissionais e empresas não fiquem no passado, o Lifelong Learning ganha relevância e se torna fundamental para sucesso de indivíduos em qualquer etapa da sua carreira, negócios e organizações. 

Para aperfeiçoar a performance de seus colaboradores e dos negócios, empresas cada vez mais avançam em modelos de educação continuada para desenvolver novas competências demandadas pelo mercado, tanto em aspectos técnicos como comportamentais. Comumente vemos programas internos de aperfeiçoamento, parcerias com universidades e entidades para especializações técnicas, certificações avançadas, entre outras iniciativas de muito sucesso.  

Muito necessário e louvável que líderes e empresas estejam imbuídos no aprimoramento dos talentos, colaboradores e clientes, que felizmente já deram o primeiro passo naquele futuro tão sonhado pelo aluno de Lunana e os habilita a continuar navegando. Porém, será que o sucesso das organizações e da sociedade não depende de permitir que mais futuros sejam tocados?  

Esta reflexão se torna ainda mais fundamental em um vasto país como o Brasil, que aparece sempre nas últimas posições entre os rankings de países quando o assunto é educação. São vários os aspectos que nos colocam em posições inferiores, desde o nível da formação da população à qualidade de educação e ao investimento neste setor.  

Números de acesso à educação do Kantar Target Group Index mostram alguma evolução ao longo dos anos, mas ainda longe de uma realidade de sucesso. Atualmente, no Brasil, nas principais regiões metropolitanas, 60% da população a partir de 20 anos tem formação no ensino médio. Em 2022, eram apenas 46%. Quanto à formação do próximo nível, mesmo que em evolução, os indicadores merecem atenção. Na população a partir de 25 anos, 21% são formados em cursos superiores, um crescimento de 31% em relação ao número de 20 anos atrás, que era de 16%.  

Noto um enorme avanço com excelentes exemplos de empresas que já ocupam papel de destaque no desenvolvimento de jovens e até adultos, com amplos e profundos projetos de impacto, em parcerias com as mais diversas instituições e segmentos, com foco não apenas na formação ou capacitação técnica, mas também viabilizando o acesso às posições existentes. 

Atualmente, não acredito que empresas e líderes tenham a mesma responsabilidade e fôlego para formar, desenvolver e aprimorar. Seguramente, os últimos aspectos são mais orgânicos e com impactos a curto prazo. Porém, com uma visão a longo prazo, enquanto o volume de posições e demanda de mercado por novas competências segue crescendo, para dar certo, seremos obrigados a encontrar este equilíbrio. 

Publicidade

Compartilhe