O “Next Now” do varejo já começou e exige decisões no presente
O futuro do varejo acontece no agora, impulsionado por IA, decisões automatizadas e operações orientadas por dados
Durante muito tempo, o varejo falou sobre o futuro como algo distante. Hoje, essa lógica já não se sustenta. O que antes era tendência passou a fazer parte do dia a dia das empresas: dados em tempo real, operações integradas, jornadas fluidas e decisões cada vez mais automatizadas.
A inteligência artificial é um dos principais motores dessa transformação, mas não como uma camada isolada de tecnologia. Seu valor real aparece quando é integrada a dados, processos e pessoas, criando um ecossistema capaz de antecipar demandas, personalizar experiências e operar com eficiência em um cenário de margens pressionadas, custos logísticos crescentes e consumidores cada vez mais exigentes.
O ponto de partida dessa mudança é a jornada do cliente. Segundo a Accenture [1], a aplicação estratégica de IA pode elevar a produtividade do varejo entre 12% e 21%, justamente por permitir experiências mais fluidas e personalizadas ao longo de todos os pontos de contato. Para o consumidor, não existem mais canais separados; existe uma única relação com a marca, que precisa ser contínua e coerente do início ao fim.
Para viabilizar essa experiência, o varejo precisou se reinventar por dentro. Operações que antes eram reativas passaram a ser orientadas por previsões e dados em tempo real. A combinação entre inteligência artificial e Internet das Coisas (IoT) já permite prever a demanda com mais precisão, ajustar estoques de forma dinâmica e otimizar cadeias logísticas completas. Não por acaso, projeções indicam que, até 2027, mais de 25% do orçamento de TI das 5.000 maiores empresas da América Latina será destinado a iniciativas de IA, refletindo a urgência por eficiência operacional e resiliência [2].
Nesse cenário, os agentes de IA ganham protagonismo. Diferentemente de assistentes tradicionais, eles atuam como uma verdadeira força de trabalho digital, automatizando decisões de pricing, reposição, priorização de pedidos e integração entre sistemas. De acordo com a McKinsey [3], 62% das organizações já estão ao menos experimentando esses agentes. O impacto vai além da automação: eles liberam tempo das equipes humanas para atividades estratégicas, criatividade e relacionamento com o cliente.
Nada disso é possível sem dados confiáveis e governança sólida. A expansão da IA no varejo reforça que a vantagem competitiva não está apenas nos modelos, mas na qualidade, integração e segurança das informações. Infraestruturas de dados bem governadas permitem escalar a inteligência artificial com confiança, respeitando privacidade, segurança e as expectativas do consumidor. Estimativas da Accenture [1] indicam que a adoção estratégica da IA pode adicionar até US$ 1 trilhão ao PIB das principais economias da América Latina até 2038. Mas esse é um impacto que só se concretiza quando há confiança e uso responsável dos dados.
Por fim, o “Next Now” do varejo é também uma transformação cultural. A tecnologia amplia o potencial humano, mas exige novas habilidades, liderança orientada por dados e uma mentalidade de colaboração entre pessoas e sistemas inteligentes. Os chamados “colaboradores aumentados” já demonstram ganhos expressivos de produtividade, trabalhando de forma mais eficiente e com menos fricção [3]. Ao mesmo tempo, surgem novas funções e a necessidade contínua de capacitação em dados, software e analytics.
O varejo que se consolida agora não é definido apenas por inovação tecnológica, mas pela capacidade de executar com visão estratégica. Integrar IA, agentes, dados e pessoas é o caminho para construir operações mais resilientes, experiências mais relevantes e negócios preparados para um mercado em constante mudança.