O que Ryan Reynolds e Abercrombie & Fitch nos ensinam sobre conexões reais
O palco da NRF nos oferece um vislumbre do futuro do varejo, do marketing e do consumo
Todos os anos, o palco da NRF nos oferece um vislumbre do futuro do varejo, do marketing e do consumo. Em 2026, duas histórias aparentemente distintas, mas profundamente conectadas, chamaram minha atenção: a de Ryan Reynolds, astro de Hollywood e empreendedor por trás de marcas-fenômeno, e a da Abercrombie & Fitch, um ícone que se reinventou ao reaprender a ouvir.
De um lado, temos Ryan Reynolds. Seu sucesso com Aviation Gin, Mint Mobile e até mesmo o time de futebol Wrexham A.F.C. não é fruto do acaso ou apenas de seu carisma de estrela de cinema. É o resultado de um manual de estratégias que desafia as velhas regras do marketing. Reynolds não vende apenas um produto, ele convida as pessoas para dentro de uma história. Sua abordagem se baseia em três pilares que qualquer marca, de qualquer tamanho, deveria observar:
1. Autenticidade como estratégia
Reynolds não cria uma “persona de marca”. Ele é a marca. Seu humor, sua agilidade nas redes sociais e sua capacidade de rir de si mesmo criam uma conexão que o dinheiro de grandes orçamentos de marketing simplesmente não consegue comprar. Ele nos ensina que, na era digital, a autenticidade não é um diferencial, é o ponto de partida.
2. Comunidade acima de audiência
Seja transformando clientes em defensores ferrenhos da Mint Mobile ou criando um documentário que nos fez apaixonar por um time de futebol galês, Reynolds transforma consumidores em uma comunidade. Ele gera um “investimento emocional”. As pessoas não compram apenas o gim; elas compram a narrativa, a diversão e o sentimento de pertencer a algo maior.
3. Velocidade e relevância cultural
Sua agência, Maximum Effort, é famosa por criar campanhas que respondem quase em tempo real aos acontecimentos culturais. Essa agilidade mostra um entendimento profundo de que a relevância é passageira e a oportunidade não espera planejamentos anuais engessados.
Do outro lado do espectro, temos a impressionante reviravolta da Abercrombie & Fitch, detalhada por sua CEO, Fran Horowitz. Se nos anos 2000 a marca era sinônimo de exclusividade e de um padrão de beleza inatingível, hoje ela representa o oposto. A A&F estava se tornando irrelevante no mercado, presa a uma fórmula que já não dialogava com as novas gerações. O que eles fizeram? Algo fundamental, mas que muitas empresas esquecem: pararam de falar e começaram a ouvir.
A reinvenção da Abercrombie foi um exercício de humildade e de foco estratégico no consumidor. Eles entenderam que a cultura havia mudado. Os jovens não queriam mais ser ditados por uma marca; eles queriam marcas que refletissem seus valores de inclusão, conforto e identidade própria. A liderança de Fran Horowitz foi crucial ao admitir que a antiga visão não servia mais e ao ter a coragem de reconstruir a identidade da marca com base em uma escuta ativa e genuína de seu público.
Mas, o que une um ator que virou o “Midas do marketing” e uma gigante da moda que renasceu das cinzas? A resposta é a mesma: o reconhecimento de que, em um mundo saturado de dados e automação, a conexão humana é o ativo mais valioso.
Ambos os casos nos mostram que as marcas de sucesso do futuro não serão aquelas com os maiores orçamentos, mas sim aquelas que dominarem a arte de construir narrativas autênticas, fomentar comunidades engajadas e ter a coragem de mudar.
A disputa no mercado não é mais apenas por atenção, mas por significado. E as marcas que vencerão são aquelas que, como um bom roteiro de cinema ou uma coleção bem pensada, contam uma história da qual as pessoas querem, genuinamente, fazer parte.