Quando a loja vira mídia: retail media entra em fase decisiva
A NRF deixa claro que a disputa agora é por inteligência, não por espaço
Caminhar pela NRF Retail’s Big Show 2026 não deixa espaço para dúvidas ou interpretações suaves de que o varejo físico está sendo definitivamente reprogramado como um ativo de mídia inteligente, e a inteligência artificial já assumiu o papel de sistema operacional dessa transformação. Não estamos falando de tendências emergentes, mas de modelos que já estão funcionando em escala nos principais mercados do mundo.
O ponto de venda deixou de ser um espaço passivo. Ele agora compete pela atenção, influencia decisões e entrega performance. Quem ainda enxerga a loja apenas como ambiente de exposição está, simplesmente, fora do jogo. O que está em curso é a consolidação da loja como canal estratégico de comunicação, integrado às estratégias globais de marcas e varejistas, operando em tempo real e orientado por dados.
Há uma ruptura clara com o digital signage tradicional. A mídia em ambientes físicos deixa de ser estática, genérica e decorativa. Ela passa a responder a fluxo, contexto, inventário e intenção do consumidor. Isso aproxima definitivamente o OOH da lógica de performance que, até pouco tempo atrás, era exclusiva do digital. A diferença é que agora a decisão acontece no último metro da jornada, onde o impacto é imediato e mensurável.
A inteligência artificial não aparece aqui como acessório ou camada adicional. Ela é a infraestrutura central da experiência. É a IA que decide o que faz sentido mostrar, em que momento e com qual objetivo de negócio. Quem insiste em operar mídia física sem IA está construindo ativos que envelhecem rápido e escalam mal. O diferencial competitivo não está no hardware, nem no espaço físico, mas na capacidade de orquestrar mídia, dados e objetivos comerciais como um único sistema inteligente.
Outro ponto que fica cristalino na NRF é que retail media não é, nem nunca foi, apenas um canal digital. A ideia de que retail media se resolve no e-commerce é limitada e ultrapassada. O que está se consolidando globalmente é uma estratégia omnichannel real, em que a mídia física ocupa um papel central, conectando dados online à experiência presencial e influenciando a decisão no momento mais crítico da jornada de compra.
O que se vê aqui não é o começo de algo, é uma virada de chave. O futuro do retail media já está em operação. A discussão agora não é se isso vai acontecer, mas quem vai escalar, integrar e operar com inteligência. Para quem atua no ecossistema de mídia e OOH, o recado é direto: ou o ponto de venda é tratado como infraestrutura estratégica de mídia inteligente, ou ele se torna irrelevante diante de um consumidor cada vez mais orientado por contexto, dados e experiência.