A super liga de futebol

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Opinião

A super liga de futebol

Os grandes clubes estão cansados de pagar a conta de todos os outros e querem aumentar já seu faturamento


28 de setembro de 2016 - 8h00

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Crédito: Paul Gilham/Getty Images

O poder do futebol não está na FIFA, nas Confederações Regionais ou nas Federações Nacionais. Todos tentam achar seu espaço e tirar uma lasquinha do esporte. Quem manda no futebol hoje são alguns poucos clubes.

Você pode achar que as grandes estrelas e seus salários estratosféricos têm grande importância. Mas não têm. Se Cristiano, Lionel ou Neymar não estiverem em ação em algum dos principais clubes europeus, em breve, esqueceremos deles. Basta ver o exemplo de jogadores que escolheram jogar na Turquia, Rússia ou China.

Graças à tradição, sorte e bom gerenciamento, os clubes tornaram-se megacorporações. Com negócios em vários países, milhões de consumidores (ou fãs) espalhados por todos os continentes e patrocinadores que os promovem na mídia e pontos de venda, eles têm um alcance maior que a maioria das marcas de consumo.

Apesar desta posição privilegiada, eles são forçados a pagar um alto pedágio para as suas federações e confederações. Além de contribuições financeiras ainda têm que liberar seus jogadores para constantes competições das seleções. Mas a principal reclamação é ter que dividir o lucro das competições continentais, a Liga dos Campeões e a Copa da Europa, com os times menores. Os clubes não estão nada contentes com isso.

O que aconteceria se estes clubes decidissem abandonar suas ligas e criar uma nova, no formato das americanas? Uma liga de futebol na Europa onde ninguém é rebaixado ou promovido. Uma liga que pertença aos clubes e que tenha jogos no mesmo formato dos campeonatos nacionais?

Já imaginou um campeonato com Real Madrid, Atlético de Madrid, Barcelona, Manchester City, United, Chelsea, Arsenal, Liverpool, Juventus, Milan, Internacional, Paris Saint Germain, Porto, Bayern de Munique, etc.? Jogos todos os finais de semana de ida e volta com pontos corridos? Seria o fim da Liga dos Campeões da UEFA e da maioria dos campeonatos nacionais.

Isto pode parecer uma teoria de conspiração, mas não é. Há muita gente na Europa pensando e discutindo a viabilidade de uma liga neste formato. Os grandes clubes estão cansados de pagar a conta de todos os outros. Querem aumentar seu faturamento e querem fazer isto agora.

As implicações para o mundo do futebol são muitas e são profundas. As dificuldades de implementar um modelo como este são impensáveis para o formato do futebol de hoje. Mas não são impossíveis.

Se as intenções são reais ou apenas uma forma de pressionar a UEFA a mudar o critério de distribuição dos milhões arrecadados não sabemos. Mas certamente uma liga nestes moldes atrairia muitos patrocinadores, canais de televisão e fãs. Tudo isso se traduz em mais receitas para este grupo seleto de grandes clubes.

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