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A pergunta é: agora que você vai voltar para o seu trabalho, para os seus clientes e para os seus objetivos, o que fará de diferente?


16 de março de 2017 - 12h44

Li depoimentos interessantíssimos sobre o maior evento de inovação, tendência e inspiração da atualidade, o SXSW. Nele, pipocaram visões futurísticas, palestras com as pessoas mais interessantes do mundo, vontade de estar em duas palestras ao mesmo tempo, reclamações sobre as imensas filas, número recorde de brasileiros inscritos (mais de mil!), networking e tudo o que Austin pode oferecer para uma galera sedenta por “ver o que está acontecendo”.

Legal. Tudo certo. Mas engraçado como senti uma ponta de incômodo (inveja por não ter ido à festa? Acho que não). Incômodo por achar que alguns celebram a ida ao evento como um fim nele mesmo: “Eu fui, eu vi, eu estava lá”, “Eu encontrei fulano de tal”, “Eu conheci aquele bar e tomei aquela cerveja”. Como se ir ao SXSW estivesse no rol das conquistas, e não das responsabilidades. Explico.

A pergunta é: agora que você vai voltar para o seu trabalho, para os seus clientes e para os seus objetivos, o que fará de diferente? Sim, eu sei que a cabeça abriu, houve inspiração, muitas conexões. Mas insisto: o que fará de diferente, de verdade? Não vale uma inovação de verniz, como uma utilização mais bacana de uma rede social. Uma sacada.

Senti a mesma coisa quando estive na Singularity University. Primeira pergunta do curso de uma semana: “Como você impactará 1 bilhão de pessoas no mundo após aprender tudo o que temos para ensinar?”. Quase surtei quando voltei para o batente. Aquele cujo 90% do tempo não é feito de inovação, disrupção. Isso ocorreu há quase dois anos e ainda não me recuperei.

Encarar o SXSW como uma tremenda responsabilidade é meio caminho andado. E é um meio. Um meio para incomodar. Voltar revoltado, angustiado, ansioso, maluco, inconformado, “P” da vida mesmo. Com aquele sangue “no zoio” para fazer diferente e melhor. A pessoa viu a luz e voltou para as trevas? Bora transformar isso aqui. E não só no contexto publicitário; afinal, o SXSW é muito mais do que isso. E põe aí muito mais do que isso!

Que bom que mais de mil brasileiros estiveram no SXSW. M-i-l b-r-a-s-i-l-e-i-r-o-s. E dos melhores! Estamos falando dos clientes, publicitários e inovadores das empresas mais expressivas do nosso país. Pessoas que viram um Woodstock de inovação e das possibilidades.

Já passou o Réveillon, o Carnaval e o SXSW (daqui a pouco tem Cannes, né?). Temos alguns meses para quebrar tudo e nos reinventar.

Que bom que vocês foram. Que responsabilidade vocês têm.

Mil brasileiros.

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  • Rene De Paula Jr

    oi Loeb, excelentes colocações.

    também sou alumni da Singularity e hoje trabalho em dois filhotes da SU, a ExO Works e o Fastrack Institute.

    esse interesse massivo dos brasileiros por inovação é realmente impressionante, nem eles lá fora entendem 🙂

    eu me lembro de ter dito pro Salim: aqui tudo funciona, quero ver é fazer isso acontecer longe daqui.

    felizmente temos hoje a ExO Works e o FTI pra ajudar a fazer isso acontecer no resto do mundo.

    abraço!

  • Diego Santos

    Júlio César certa vez proferiu a célebre frase: “Veni, vidi, vici” (Vim, vi, venci). O que falta ao SXSW é um célebre: “Vim, vi e FIZ”. hehe

  • Leandro Bravo

    Depois do meu primeiro SXSW, mudei bem a minha vida. Hoje estou com uma startup que um dos pilares é conseguir fazer com que pessoas consigam viver do que amam fazer e isso é derivado do aprendizado que tive por lá. Não tem volta.