Marketing

Setor busca tornar o protetor solar um hábito no Brasil

Marcas como L’Oréal e Neutrogena usam o verão para educar o público e combater a desinformação no skincare

i 27 de janeiro de 2026 - 6h00

Uma pesquisa do Instituto de Cosmetologia de Campinas, realizada em 2024, apontou que 65,5% dos brasileiros afirmavam não usar protetor solar diariamente. O estudo sobre fotoproteção entrevistou mais de mil pessoas nos 27 estados do País. Quando questionados sobre os motivos que os fazem não usar o produto, 24,% apontaram a textura dos protetores, 21,1% o preço elevado e 12,5% consideram o uso desnecessário.

protetor solar

Ação “Mochileiros”, de Neutrogena, leva experiências de conscientização para diferentes regiões do Brasil (Crédito: Divulgação)

Paralelamente, em dezembro, um estudo da Kenvue apresentado no Congresso da Academia Europeia de Dermatologia e Venerologia indicou que o uso de protetor solar poderia economizar mais de R$ 2,5 bilhões ao sistema de saúde brasileiro em cinco anos ao evitar casos de câncer de pele não-melanoma.

Os dados ajudam a ilustrar um dos principais desafios do mercado de proteção solar: tornar o uso de seus produtos um hábito diário do consumidor. Nesse sentido, o período do verão funciona como um aliado das marcas na missão.

Lizandra Martins, gerente de marketing de Neutrogena, explica que o verão é historicamente um dos períodos mais relevantes para o setor porque concentra a maior exposição ao Sol, atividades ao ar livre e, consequentemente, um aumento natural da demanda. “No entanto, no Brasil, um país tropical com alta incidência solar durante todo o ano, esse pico sazonal também evidencia um desafio estrutural, em que o brasileiro tem a cultura do bronzeamento sem proteção”, descreve Lizandra.

A intensificação estaria não só na proteção solar, mas em todos os cuidados com o corpo, rosto e cabelos. “Mais do que um aumento pontual da demanda, o verão funciona como um ponteiro e hub de tendências. É momento de conscientização e experimentação de produtos que tendem a se incorporar à rotina do consumidor ao longo do ano”, aponta Alan Spector, CDMO do Grupo L’Oréal no Brasil.

Ao mesmo tempo, nos últimos anos, o comportamento e o nível de exigência dos consumidores também evoluíram, especialmente, no universo do skincare. “Nos últimos anos, observamos consumidores mais informados, conectados e questionadores, que buscam entender a ciência por trás dos produtos. Ao mesmo tempo, surgiram movimentos de desinformação, como a onda anti-protetor solar, que difundem mitos sobre o uso do produto”, descreve a gerente de marketing de Neutrogena.

Com isso, a companhia adaptou a estratégia para traduzir conhecimento técnico em mensagens acessíveis ao público, além de combater a desinformação. A L’Oréal também ampliou a presença online e investiu na parceria com criadores de conteúdo, como o Dr. Drauzio Varella, para traduzir a ciência em conteúdos informativos.

Além de informar, a categoria precisou rever sua oferta para atender efetivamente à diversidade do público local. Nos últimos anos, a L’Oréal ampliou o número de fórmulas com cor e, em 2022, adotou uma nomenclatura descrita como antirracista para todo o seu portfólio de tonalidades.

“Costumamos dizer que o Brasil é um laboratório a céu aberto para as nossas inovações. Por aqui encontramos 55 dos 66 tons de pele mapeados pelo grupo globalmente e condições climáticas, como calor, umidade, e altos índices de UV, que permitem com que nossos produtos sejam adaptáveis a qualquer lugar. Inovações desenvolvidas aqui são exportadas para o resto do mundo”, afirma o CMDO.