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FFW Brasil Fashion Awards quer ser novo fórum da moda nacional

Correalização da plataforma FFW e Visionary Brazil selecionará talentos em 17 categorias, incluindo o Designer Emergente

i 3 de fevereiro de 2026 - 6h00

Desfile da Misci, uma das marcas que se tornaram referência nacional

Desfile da Misci, uma das marcas que se tornaram referência nacional (Crédito: divulgação)

 

Duas inquietações levaram Augusto Mariotti, diretor criativo da plataforma FFW a pensar na necessidade de uma premiação para a moda brasileira: a primeira, certo esvaziamento do papel da SPFW – na qual trabalhou desde o começo, com Paulo Borges – como articuladora da indústria, após a venda para a IMM, uma empresa de eventos; e a segunda era a própria ausência de algo que refletisse a respeito e reconhecesse os talentos do meio, a exemplo do que fazem outros segmentos, como o cinema, a literatura e outras artes.

Com isso, em 2023, ele idealizou o Melhores do Ano, uma premiação com votação popular online. Ano passado, 200 mil pessoas se engajaram na escolha, o que deixou clara a importância da iniciativa. Com isso, em 2026, a premiação foi remodelada e ganhou o reforço da participação da Visionary Brazil, de Ana Isabel de Carvalho Pinto, como correalizadora.

Transformar para o futuro

O agora FFW Brasil Fashion Awards busca olhar tanto o presente quanto, especialmente, o futuro da moda nacional, reconhecendo criatividade, inovação, impacto do negócio e sustentabilidade em toda cadeia que a movimenta.

Um júri profissional, do qual fazem parte – além de Ana Isabel e de Augusto – Paulo Borges, Daniela Falcão, Dudu Bertholini, Hanayrá Negreiros, Luiza Brazil, Olivia Merquior e Lilian Pacce foi responsável por fazer uma long list de talentos em 17 categorias e, em seguida, fazer uma short list, com cinco ou seis pessoas em cada. Os vencedores serão conhecidos em evento a ser realizado em abril, em São Paulo (local em definição).

O voto popular segue presente em três categorias, mais ligadas aos consumidores finais: Fashion Icon, Creator e Collab que deixaram sua marca em 2025. Além disso, serão escolhidos marca do ano, designer do ano, fotógrafo, modelo e inovação em negócios da moda, assim como um reconhecimento especial ao autor/a de projeto de alto impacto e transformação da indústria a partir da sustentabilidade, o Changemaker 2025.

Ana Isabel de Carvalho Pinto, da Visionary Brazil, e Augusto Mariotti, diretor criativo da FFW

Ana Isabel de Carvalho Pinto, da Visionary Brazil, e Augusto Mariotti, diretor criativo da FFW: objetivo de fomentar identidade e fortalecer negócios (Crédito: divulgação)

Já o vencedor ou vencedora da categoria Designer Emergente receberá um prêmio de R$100 mil – 50% em aporte financeiro direto e 50% em mentoria estruturada e visibilidade na plataforma FFW.

“Trago à premiação uma visão de negócio aplicada, de olhar para pequenos negócios como um grande potencial também. A ideia é reconhecer potencial criativo e impulsionar o futuro da moda. Por isso pensamos no prêmio em si em três frentes: incentivo financeiro (para o talento desenvolver novos projetos, ter capital de giro), mentoria e apoio de mídia”, argumenta Ana Isabel.

Augusto corrobora que o objetivo é uma transformação para o futuro, com atenção a pessoas, projetos e negócios que realmente estejam movendo a moda para um futuro mais responsável.

A divulgação do FFW Brasil Fashion Awards aproveitará, claro, o poder de comunicação da FFW, que somente no Instagram registra mais de 45 milhões de visualizações de seus conteúdos, mas também terá, a partir deste mês, uma estratégia de comunicação ancorada em alguns porta-vozes – além dos próprios concorrentes, que são elos da indústria de moda.

Para a cerimônia, em si, os organizadores também têm conversado com marcas, não apenas de moda, mas que tenham sintonia com o segmento. “A ideia é termos uma grande apresentando o evento e algumas ligadas a determinadas categorias específicas”, pontua Mariotti.

Gaps e potencial da indústria

Questionados sobre as lacunas que percebem na indústria local, Ana Isabel, aponta a falta de um órgão regulador que centralize as diversas vertentes do negócio da moda e facilite sua atuação, por meio desse ponto único de convergência. “Existem algumas associações, mas não têm capilaridade em todos os negócios da moda. É necessário encarar a moda como um negocio impulsionador da economia, porque apesar de ter melhorado, ainda é vista de modo informal”, diz.

Já o diretor criativo da FFW lembra que a indústria da moda movimenta mais de R$ 200 bilhões por ano no Brasil, sendo o segundo maior empregador da indústria de transformação, perde apenas para a de alimentos: “É muito grande, mas muito pulverizada. Diferentemente da França, por exemplo, que tem uma federação de moda, que reúne todos da cadeia, aqui não temos. Isso acaba não gerando projetos de desenvolvimento ao setor”.

Ambos não escondem o desejo de que o FFW Brasil Fashion Awards seja uma semente que leve à criação desse órgão, eventualmente.

E num contexto em que o varejo de moda é dominado por marketplaces asiáticos populares, como Shopee e Shein, a visão de ambos é bastante realista, ou seja, reconhecem o poder tecnológico, de maquinário e mão de obra da China, mas ao trazer um outro tipo de atenção para o setor localmente pode-se começar um movimento de para criar uma organização.

A única frente em que a moda brasileira pode competir globalmente com Chian EUA e marcas europeias, avaliam, é com criação, não preço ou tecnologia. “É fomentar a identidade mesmo. Temos um país muito rico no trabalho artesanal, por exemplo, que não é valorizado. Isso precisa ser fomentado e renovado”, defende a fundadora da Visionary Brazil.