Criar e continuar sendo humano
O que perderemos quando a IA conseguir tudo?
A programação prevista para este ano de Cannes Lions apresentou uma potente maturidade sobre IA na criatividade, e essa evolução de pensamento tem influenciado minha perspectiva sobre o assunto.
Ano passado li e ouvi discursos inflamados (e com razão) sobre substituição de pessoas no mercado, algo que infelizmente aconteceu em muitos lugares. Mas, recentemente, surgiram notícias de empresas voltando atrás e recontratando as pessoas que, antes, “eram substituíveis pela IA” e, agora, perceberam que esse briefing precisava de melhor planejamento e pensamento crítico.
Tudo isso inspirou minha palestra no Gramado Summit, este ano, onde abordei criatividade e valor humano. Dentre algumas citações, compartilho a de Sidney Harris, que acredito ser uma preocupação atual: “O perigo real não é que os computadores comecem a pensar como pessoas, é que as pessoas comecem a pensar como computadores.”
Faltando poucos dias para Cannes Lions 2026, estou bem empolgado com a prévia da programação, que abordará diversos temas que se conectam com a preocupação de Harris, como por exemplo o desafio da escala sem perder qualidade ou integridade de marca, o uso da IA sem perder controle criativo, o papel da criatividade em meio à era da IA e até mesmo uma revolução analógica (painel da Polaroid, veja só), para mencionar alguns poucos exemplos.
Criar e continuar sendo humano, independentemente do que os avanços tecnológicos puderem nos oferecer, é se perguntar: quando a IA conseguir fazer algo que nos substitua, o que perderemos no caminho?
Cannes Lions é um bom exemplo do que nenhuma tecnologia pode substituir: reunir pessoas através da criatividade. Para mim, é um bom argumento a favor de continuar sendo humano na criação e, também, um dos motivos que me incentiva a repetir minha ida ao evento.
Por isso, proteja sua criatividade: ela é o nosso luxo, o que ninguém fará por nós e o que passaremos às próximas gerações. E, principalmente, porque criar e fazer parte da criação é das melhores coisas que existem.
Agora, a caminho de meu segundo Cannes Lions, onde também comemorarei o aniversário da minha agência, OIO, aviso: estarei com uma sacola térmica com vinhos (pois 18 euros em um chopp não é nada convidativo) e um sorriso no rosto. Me encontra lá.