Re-commerce

O fim da obsessão pela novidade?

Stella McCartney e, Jamie Iannone, CEO do eBay, apresentaram um futuro possível sem desperdícios na cadeia de moda (e além dela)

i 26 de junho de 2026 - 16h57

Stella McCartney e, Jamie Iannone, CEO do eBay, no Cannes Lions 2026

A estilista Stella McCartney e, Jamie Iannone, CEO do eBay, falaram sobre a ascensão do re-commerce (Crédito: Caio Fulgêncio)

Após anos em que a economia digital premiou o “compre mais”, uma nova mensagem tem ganhado espaço no universo do consumo de moda: compre melhor, use mais, revenda depois. E isso passou a ser utilizado como estratégia de crescimento de algumas marcas. Ao menos foi o que quiseram mostrar na edição deste ano do Cannes Lions o CEO do eBay, Jammie Iannone, e a estilista Stella McCartney.

Os dois discutiram como a economia circular está deixando de ser um nicho para se tornar uma força cultural que redefine o consumo moderno.

O eBay, fundado em 1995, foi trazido ao debate como um pioneiro do re-commerce, utilizando inteligência artificial (IA) e garantias de autenticidade para transformar cidadãos comuns em vendedores ativos. Já McCartney detalhou como o design ético e o uso de materiais reaproveitados são essenciais para a sobrevivência da indústria da moda, sempre muito criticada – não sem razão – por práticas nada sustentáveis. As peças de sua grife têm sido confeccionadas com materiais como “fio de alga marinha, cristais livres de chumbo, lantejoulas de origem vegetal, viscose de manejo florestal responsável e couro vegano”. Em breve, promete ela, serão 100% sustentáveis.

Forever loved

A dupla defendeu que a sustentabilidade e a rentabilidade coexistem por meio da valorização dos chamados produtos “pre-loved” (seminovos), incentivando uma mudança sistêmica onde produtos são vistos como ativos duradouros com múltiplas vidas úteis.

“Cresci sabendo, desde muito cedo, que queria trabalhar com moda e estar inserida nesse universo. Eu era obcecada por roupas vintage. Minha mãe usava muitas peças vintage e — tanto nas minhas primeiras coleções quanto hoje em dia — sempre me inspirei muito nesse estilo, pegando coisas antigas e dando a elas uma cara nova”, contou Stella, ressaltando, em seguida, que as novas gerações têm aderido por entender que é algo mais sustentável e por se preocupar menos com a opinião alheia.

O CEO do eBay confirmou o crescimento do “re-commerce”, ou comércio de itens de segunda mão, até em velocidade maior que itens novos, para além até da categoria de moda: “Tudo o que estou vestindo comprei no eBay, tudo de segunda mão, incluindo esta jaqueta incrível da linha da McCartney. E, se analisarmos bem, não é só moda. São eletrônicos recondicionados, peças automotivas recuperadas de veículos, etc. E isso traz muitas vantagens. Primeiro, é muito mais sustentável; evita que produtos acabem em aterros sanitários. Em segundo lugar, é possível encontrar ótimos produtos a preços excelentes. E, em terceiro, as pessoas podem expressar seu estilo e interesses únicos no que fazem; é por isso que estamos apostando tanto nisso”.

Segundo o executivo, a Europa está na vanguarda do movimento, tanto do ponto de vista do engajamento dos consumidores, quanto de regulamentação, uma vez que existem no continente muitas normas sobre a reciclagem de tecidos e materiais que circulam no mercado ou – no caso das peças automotivas – a exigência de oferecer uma peça recondicionada além da peça nova, para impulsionar a economia circular. Segundo ele, dos US$ 80 bilhões vendidos na plataforma, 40% correspondem a itens usados ​​ou recondicionados, e 90% não são produtos novos de coleção.

Ao explorar temas de inovação tecnológica e responsabilidade ambiental, a estilista e o CEO apresentam um futuro no qual o desperdício é eliminado por meio de uma comunidade global conectada pela preservação de recursos e pela expressão da identidade individual.

“O futuro da moda é trabalhar da maneira como eu trabalho”, disse Stella, para quem economizar energia todos os dias, abordando as coisas de uma perspectiva totalmente inovadora coloca a marca na vanguarda do setor e agrega valor.

“A próxima geração quer consumir algo que tenha autenticidade e que traga a gentileza em sua essência. Somos muito orientados por informações. Vivemos em uma época em que é difícil acreditar no que vemos e entender o que estamos comprando. Na Stella, queremos que as pessoas saibam exatamente o que estão adquirindo”, completou a estilista.