Innovation Week: cinco tendências que movem o mundo

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Innovation Week: cinco tendências que movem o mundo

Evento em Porto Alegre estreia com foco no comportamento humano; dados e criatividade também foram tema do primeiro dia

Teresa Levin
2 de abril de 2019 - 11h35

Unir diversas áreas em um mesmo evento, ao longo de uma semana, com foco em aprendizado, inovação, criação e comportamento humano. Atraindo publicitários, designers, profissionais de tecnologia e estudantes das mais diversas áreas, foi dado o ponta pé inicial  nesta segunda-feira, 1, na Innovation Week, o evento promovido pela primeira vez em 2019 pela Associação Riograndense de Propaganda (ARP). Ocupando a Escola Superior de Propaganda e Marketing, ESPM-Sul, a Innovation Week começou com uma série de workshops e três palestras no palco principal. Um dos destaques ficou por conta da apresentação de Soraia Schutel, estudiosa do comportamento humano no mundo moderno, que aproveitou a ocasião para apresentar cinco tendências que hoje movem o mundo.

 

Com uma bagagem acadêmica que inclui estudos em São Petersburgo, na Rússia, e outros centros do conhecimento mundiais, hoje ela atua como  educadora e é sócia fundadora da Sonata Brasil, além de ser integrante da plataforma Escola de Você, que visa formar mulheres empreendedoras. E é o papel da mulher na sociedade justamente uma das tendências mundiais que hoje deve ser observada, aponta Soraia. Os dados explicam o porquê: hoje 83% das decisões de consumo são tomadas pela mulher e, apesar da transformação de seu papel nos lares e do maior poder de decisão, 71% delas concorda que a propaganda não as representa. “80% das entrevistadas afirmaram que a propaganda mostra a mulher como objeto sexual, branca, de cabelo liso e jovem”, disse. Segundo Soraia, as mulheres não se sentem representadas na comunicação, apesar de definirem a economia. “E elas se conectam com marcas que representem seus valores. As marcas precisam olhar para este público”, avisa.

Capacidade de escuta e empatia norteiam uma outra tendência mundial que a estudiosa classifica como Soft Skills. “Por mais evoluídos que estejamos em termos de tecnologia, nunca se focou tanto no comportamento essencialmente humano que as máquinas não desenvolvem”, observa. A espiritualidade também é uma outra tendência, incluída nesta lista por Soraia por uma simples percepção: as pessoas estão buscando novos valores e este é um comportamento global, ninguém quer mais o modelo antigo de viver e existir.

 “Buscamos coisas mais profundas, qualidade de vida, as pessoas querem encontrar sentido. Isso nunca aconteceu em massa, mas hoje é um movimento global generalizado”, avisa. Oportunidades de trabalho em áreas como tecnologia, enquanto setores tradicionais como montadoras de automóveis perdem vagas, apontam também para uma necessidade de qualificação da mão de obra para que esta seja alocada em áreas em expansão, apostando na capacitação das pessoas e não no trabalho. E, por fim, a diversidade chega como tendência global. “Cada um tem um viés, uma visão de mundo que adquiriu com experiência e formação, mas não conseguimos ter visão total. Ter gente diferente, que pense de diversas maneiras, nas equipes, é a chave da inovação”, diz.

 Tanto o empoderamento feminino quanto a diversidade foram também foco da apresentação de Marcio Borges, vice-presidente executivo e diretor geral da WMcCann Rio. Ao detalhar o projeto Labs desenvolvido pela agência no Brasil, que faz um uso maciço de dados para elaborar ações criativas, ele citou exemplos da união de criatividade e de informações que levaram a campanhas de comunicação poderosas. A valorização da mulher apareceu no case Fearless Girl e a diversidade na iniciativa de comunicação da WMcCann que trouxe a modelo transgênera Valentina Sampaio em uma ação para L’Oreal. “O grande desafio do data science é entender o que pode ser previsto, mas para isso tem que ter nascimento, aquela coisa que faz o gatilho inicial para um movimento acontecer”, observa. Com uma observação de dados, continua, é possível tornar a criação mais acurada, para impactar a sociedade, percebendo o que está latente nela. “E que ninguém ainda trouxe à tona como discussão”, fala. Com a profusão de dados em que estamos inseridos, as marcas devem abraçá-los para que  sejam transformados em vantagem competitiva. “Precisamos achar o pronto de predição. Ele é o que está entre o que posso induzir através da comunicação e predizer até onde isso poderá dar. E o mais importante: é essencial diminuir o risco”, alerta.

 Complementando as reflexões que marcaram a abertura da Innovation Week, Dado Schneider apresentou características das gerações que vivem hoje, com adultos inéditos, que viverão mais de 100 anos, com saúde, e que mudarão de profissão ao longo da vida; já os jovens deste século, nascem com comportamento multicanal. “Vivemos com o Ser, Ter, Parecer e Acontecer, valores que andam juntos. Mas precisamos valorizar o Ser”, diz. Para ele, com os aplicativos que facilitam a desintermediação de variadas formas de consumo, veremos um crescimento de um comportamento de consumo compartilhado. “Na Campus Party, por exemplo, vejo muita gente com iniciativas simples para melhorar o mundo. Tenho convicção que a geração que nasceu neste século em meio a um monte de iniciativas  para mudar o mundo realmente irá mudá-lo”, observa.

 A Innovation Week é uma iniciativa da ARP e conta com curadoria de seu grupo de marketing, formado por anunciantes do mercado gaúcho. Ela acontece entre 1 e 5 de abril, em Porto Alegre, e contará com 15 palestras e 40 workshops. O evento, lançado este ano, chega para ocupar o lugar do que era antes a Semana de Comunicação ARP. Ele será encerrado com uma premiação voltada para projetos inovadores, o Innovation Award.

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