Brasileiro na Alemanha: “Estamos assimilando o golpe”

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Comunicação

Brasileiro na Alemanha: “Estamos assimilando o golpe”

Redator sênior na Grabarz & Partner, em Hamburgo, Gustavo da Costa Neves revela os impactos do coronavírus no país europeu

Renato Rogenski
27 de março de 2020 - 6h00

Alemanha é um dos países da Europa com o maior número de infectados e, ao mesmo, com um dos menores índices de letalidade por Covid-19 (Crédito da imagem: Sean Gallup_GettyImages)

Apesar de estar entre os cinco países com o maior número de infectados com o coronavírus Covid-19, até o momento, a Alemanha é uma das nações europeias com a menor taxa de letalidade em decorrência da pandemia. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), um dos principais motivos são os 500 mil testes diagnósticos realizados por semana no país, o que ajuda a tratar os casos de forma mais rápida e organizada. Contudo, como nos principais países afetados pela doença em todo o mundo, as restrições também têm modificado o dia a dia das pessoas e do mercado na sociedade alemã.

Desde 2018 morando no país, onde primeiro trabalhou na Havas, em Dusseldorf, e agora é redator sênior na Grabarz & Partner, em Hamburgo, Gustavo da Costa Neves conta a seguir como a nação europeia, incluindo o mercado publicitário local, está lidando com os efeitos da pandemia.

M&M – De que forma essa pandemia afetou até agora o mercado local?
Gustavo –
Apesar de as empresas serem muito sólidas aqui, tanto clientes quanto agências, já existe um certo receio de ambas as partes. O governo tem planos socorristas para empresas, mas já se ouve falar em demissões.  Contratações em muitas agências foram congeladas. É isso o que se ouve falar por aqui. Do ponto de vista de consumo, tudo ainda é muito recente. Mas, nos mercados, vemos muita panic-buying, pessoas estocando comida. Coisa que aqui não é muito parte da cultura. Geralmente, compra-se o que vai consumir no dia. Álcool em gel, antissépticos, luvas e máscaras de proteção já são itens raros, por exemplo. E tem também o fenômeno do papel higiênico.

M&M – Quais segmentos devem ser mais afetados por aí?
Gustavo –
Com certeza restaurantes, pequenos comércios, profissionais autônomos, agências de propaganda e, principalmente, de agências de eventos. Queria dizer uma coisa importante. O Brasil está 15 dias na frente de nós. Aproveitem esta vantagem. Fiquem em casa. Vamos achatar a curva. Lavem as mãos, evitem contatos com outras pessoas. É tempo de pensar na comunidade como um todo, mesmo que o isolamento seja praticamente solitário. Força. É difícil, mas vai passar.

M&M – Como está o clima e o sentimento das pessoas e do governo?
Gustavo – Estamos meio assustados. É tudo muito novo. Acho que as pessoas ainda estão assimilando o golpe. Eu, pessoalmente, lavo a mão toda hora, deixo de sair sempre que possível e evito contato com pessoas na rua. Está sendo difícil para todos aqui. E acredito que para o Brasil vai ser ainda pior, pois, nossa cultura é do contato, do abraço, do beijo. É preciso segurar a onda.

M&M – Como o escritório em que você trabalha está lidando a pandemia?
Gustavo –
A Grabarz & Partner foi uma das primeiras agências de propaganda de Hamburgo a instituir o home office. E, apesar de todas as dificuldades de levantar um plano de ação para mais de 400 funcionários, tudo deu certo. O fluxo de trabalho está normal e estamos utilizando o Teams da Microsoft. Nele, fazemos reuniões periódicas via videoconferência. Trocamos arquivos e feedbacks também por e-mail. Também não alteramos nenhuma campanha, mas acredito que algumas foram colocadas em espera. Pelo menos no meu grupo, que cuida de Burger King, Volkswagen e Amazon.

Crédito da imagem de topo: DKosig/iStock

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