Novos players fortalecem marketing de influência

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Novos players fortalecem marketing de influência

Reflexo do crescimento do segmento em 2020, entrada de empresas no marketing de influência promete conexões aprofundadas e inovadoras entre marcas e criador

Thaís Monteiro
16 de fevereiro de 2021 - 6h00

Apesar de consolidado há alguns anos, o mercado de marketing de influenciadores não cessa de crescer. Na semana passada, a Adventures Inc., ingressou neste segmento com a incorporação da Go4it Agency, responsável pela gestão de talentos como Lewis Hamilton, Gabriel Medina, Thiago Silva, Letícia Bufoni e outros. Também nas últimas semanas, foram lançadas as operações das agências Curta e Gente, pelo Grupo Fábrica. A proposta das novas entrantes segue as premissas de autenticidade e bom conteúdo, porém identificam que brechas do mercado buscam sanar.

 

(Crédito: Daria Shevtsova/Pexels)

A união da Adventures com a Go4it Agency, além de representar uma união societária, em que Felipe Stanford, Marc Lemann e Cesar Villares passam a fazer parte do grupo fundado por Rapha Avellar e Ricardo Dias, busca trazer ao Brasil um modelo de funcionamento do mercado de influência dos Estados Unidos.

De acordo com a Adventures Inc, a empresa irá conectar os talentos a marcas em projetos de conteúdo original nos esportes, música, celebridades e entretenimento, mas vai se dedicar na criação de marcas próprias dessas personalidades através do poder midiático os agenciados, “tornando-as donas de grandes negócios”, propõe Dias.

Com foco no que chama de “marketing de boa influência”, a agência Gente, do Grupo Fábrica, pretende desenvolver parcerias entre marcas e criadores de conteúdos que consideram “verdadeiros”. Porém, esse não é o primeiro contato do grupo com o universo dos influenciadores. Em 2016, a Fábrica criou um departamento interno para organizar e criar estratégias de demandas internas e para marcas parceiras com influenciadores, com a intenção de ter, eventualmente, uma agência no segmento. Foi com a pandemia e a impossibilidade de realizar eventos que o grupo reviu seu planejamento anual e decidiu empreender na ideia remota, diz Raphael Summar, sócio-fundador do grupo Fábrica.

O braço já foi responsável por unir jogadores de futebol para uma campanha da Nivea, realizar a campanha de lançamento da nova temporada de Superbonita no GNT com influenciadores respondendo o que é autocuidado para eles e tem parcerias com Bio Ritmo e algumas marcas no mercado de games.

“Nosso propósito é conectar marcas e influenciadores a ideias criativas, inovadoras, cheias de atitude e que passem verdade. É exatamente isso o que buscamos. Quando criamos uma campanha e contratamos uma pessoa, buscamos sua história, sua verdade e como ela vai impactar positivamente a vida das pessoas que consomem os produtos ou experiências que estamos vendendo”, afirma Hanna Dias, diretora de conteúdo da Gente.

Já a Agência Curta foi criada com a intenção de atender influenciadores não assessorados que deixavam de desenvolver projetos com marcas por falta do elo entre eles e o anunciante. Ela foi originada da união de Pedro Gelli, também conhecido na internet por Gelli Clash, e Lucas Continentino, que trabalhou com os irmãos Felipe e Luccas Neto e na Loud. Eles já atendem nomes como Lipão Gamer, Skorpion e o próprio sócio como Gelli Clash.

De acordo com Continentino, a ideia para o negócio surgiu em 2018, quando ambos viram uma oportunidade no crescimento favorável dos números do mercado. Mesmo assim, o projeto começou a ser desenvolvido, de fato, em 2020, quando perceberam que o modelo de home office atenderia o formato desejado.

Mesmo o mercado mais abastecido de empresas que agenciam influenciadores, o executivo vê possibilidades no diferencial da empresa, que, para ele, é o foco no desenvolvimento de parcerias comerciais. “Não temos outros pilares que poderiam tirar nosso foco. O time é voltado 100% para a prospecção, atendimento e execução das campanhas”, diz.

O chavão “conteúdo é rei” ainda é prioridade em empresas novas, mas a Agência Curta promete entregar customização para os anunciantes. “É clichê, mas o resultado só é bom quando é positivo para os dois lados. O conteúdo é rei. A marca tem que estar inserida no conteúdo de forma autêntica. Cada cliente tem seu objetivo e nosso trabalho é desenvolver a estratégia de acordo com cada um deles. Geramos bastante awareness, podemos incluir CTAs dentro do vídeo, é realmente pensado caso a caso”, explica Continentino.

Ano de transformação
Mesmo que 2020 tenha sido um ano desafiador para muitos segmentos, no marketing de influência ele serviu para provar para o mercado publicitário a utilidade de ter um criador de conteúdo no digital como comunicador de sua marca ou serviço. No período, aumentaram o consumo de plataformas sociais, o alcance, o engajamento e a conversão.

Para Pedro Gelli, esse caminho já estava sendo trilhado, porém o momento de pandemia acelerou essa tendência, principalmente entre grandes empresas que ainda confiavam na mídia tradicional em detrimento dos criadores de conteúdo.

Hanna credita parte do boom das lives patrocinadas, o envio de produtos para que influenciadores resenhassem e aumento de perfis de pequenas empresas nas redes sociais à classe dos criadores de conteúdo, que comprovaram sua potência. “Com a comprovação do retorno financeiro e aumento de visibilidade da marca, até os mais conservadores sobre o tema entenderam que os influenciadores precisam ocupar, de fato, um lugar de relevância em suas campanhas”, diz.

“O maior desafio é fazer com que os influenciadores realmente conversem com as marcas. Hoje em dia vemos influenciadores muito grandes conversando com marcas grandes, mas não vemos influenciadores médios ou pequenos conversando com marcas médias ou pequenas. Uma grande dificuldade que temos hoje no mercado, e está relacionada com essa questão do diálogo, é que muitos influenciadores não sabem como sugerir valor para seu trabalho e as marcas têm dificuldade em conseguir mensurar as entregas, por exemplo. E esse diálogo precisa existir, e é isso que nós trazemos o supra sumo na qualidade da entrega de conversão das marcas”, propõe Gelli.

**Crédito da imagem no topo: Georgia de Lotz/Unsplash

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