O que pretende a Chapa Preta, que concorre à diretoria do Clube de Criação

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O que pretende a Chapa Preta, que concorre à diretoria do Clube de Criação

Capitaneado por publicitárias negras, coletivo quer equilibrar acesso e participação de pessoas pretas e indígenas no mercado

Isabella Lessa
15 de outubro de 2021 - 10h47

Chapa Preta (Crédito: Divulgação)

Depois do episódio envolvendo o filme que divulgava a realização do Festival do Clube de Criação, um grupo de publicitários negros, que já se reuniam de maneira informal para conversar sobre a falta de representatividade étnico-racial no mercado, criou a Chapa Preta, uma das duas delegações que estão concorrendo à gestão do Clube nos próximos dois anos.

Até a divulgação do comercial “Crise, Crie”, criado pela W+K São Paulo, no início de setembro, a única chapa que concorria à direção da entidade era justamente uma encabeçada por Renato Simões, ex-diretor executivo de criação da W+K. O Clube então adiou a eleição e a chapa foi dissolvida. “Foi um gatilho , mas naturalmente o incômodo de ser pessoa negra nesta indústria e outras questões que há muito tempo já reverberam fez a gente articular este movimento. Foi orgânico”, conta Gabriela Moura, candidata à vice-presidência da Chapa Preta e creative data leader da Soko.

Formado 100% por publicitários negros, o coletivo apresenta propostas para acelerar ações que promovam mais equidade no mercado publicitário brasileiro. Entre os planos, estão a criação de um Conselho Colaborativo (à parte da diretoria), formado por pessoas negras, indígenas, LGBTQIA+, com deficiência e em situação de refúgio; e parceria com o Observatório da Diversidade e entidades correlatas, com o intuito de ampliar dados estatísticos sobre diversidade na publicidade.

“O Clube fez um trabalho para pessoas negras estarem no júri do festival. Mas, muitas vezes, esses ambientes também são muito violentos para pessoas negras. Levantamos muitas discussões acaloradas, às vezes rola racismo mesmo. No episódio da Wieden, às vezes podia ter uma pessoa ali, mas talvez essa pessoa tenha sido silenciada, não tenha tido espaço. Os espaços não são seguros. Muitas vezes, as pessoas negras vêm muito para dar um verniz nas organizações. Durante muito tempo esse papel foi das mulheres brancas. Hoje, continua sendo embranquecido”, avalia Joana Mendes, fundadora da YGB e candidata à presidência da Chapa.

Segundo as profissionais, o objetivo do grupo é reforçar ainda mais as ações já realizadas pelo Clube, ao promover ideias de múltiplas fontes para que a propaganda não seja indústria autorreferente. Além das propostas já citadas, a Chapa Preta quer aproximar a entidade de instituições menos famosas no mercado, mas que são reconhecidas como centros de excelência de inclusão e equidade. Outro movimento será o de intensificar a atuação em canais digitais para entender como a população enxerga a publicidade brasileira.

Além de Joana e Gabriela, a Chapa Preta é formada por Israel Bastos e Robson Rodriguez (diretores administrativos), Epaminondas Paulino e Heitor Caetano (diretores de cultura), Erick Wilmer e Jessyca Silva (diretores de divulgação), Alan de Sá e Renan Damascena (diretores de editorial), Pedro Balle e Thamara Pinheiro (diretores de relações sociais) e Marcelo Augusto e Mariana Mendes (diretores secretários).

Também concorre à direção do Clube uma chapa encabeçada por Wal Tamagno sócio da Alice Filmes, como presidente, e Luciana Haguiara, diretora executiva de criação da Media.Monks, como vice-presidente. As eleições acontecerão em 25 de outubro e somente membros do Clube de Criação podem votar.

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