Reciclar o conhecimento para inovar

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Reciclar o conhecimento para inovar

O mundo está cheio de gente com muita vontade de trabalhar, mas sem vontade alguma de aprender


22 de janeiro de 2013 - 8h20

*Por Eric Messa

Publicitários e profissionais do marketing passaram 2012 idolatrando a estratégia da Nike na campanha criada para o Nike+ FuelBand. Uma campanha que envolvia não só os canais de comunicação (dos mais tradicionais até as mídias sociais) mas fazia parte da estratégia também do lançamento de um gadget e de um aplicativo para compartilhamento em redes sociais. Uma estratégia excepcional, pois vende um produto (a pulseira), promove o compartilhamento nas redes sociais, e, como consequência disso tudo, acaba estimulando o consumo de todos os demais produtos esportivos da marca. Engenhoso. Para alcançar algo semelhante, é preciso contar com profissionais dispostos a pensar sob o novo paradigma das redes.

Porém, a realidade é que o mundo está cheio de gente com muita vontade de trabalhar, mas sem vontade alguma de aprender. Hoje não basta executar tarefas. A Comunicação passa por um processo de transformação que exige do profissional um olhar mais atento aos princípios e conceitos, e não apenas às regras e formatos. É por isso que está tão na moda a palavra “inovação”.

E, muitas vezes, percebo que a busca pela inovação não passa de um discurso. No dia a dia, poucos conseguem chegar lá. Exige um esforço que não vejo acontecer. Trata-se de um objetivo a ser conquistado por gestores e CEOs de grandes empresas. Por outro lado, é um fardo constantemente ignorado pelos demais funcionários da empresa. O setor de marketing costuma estar repleto de profissionais assim.

Para alcançar a capacidade cognitiva de reflexão sobre os processos existentes e reformulá-los sob o ponto de vista do novo paradigma das redes que se impõe faz-se necessária uma renovação da sua própria formação. Numa dose adequada, que deve envolver tanto o conhecimento científico quanto o prático. Daí vem aquela insistência dos tais CEOs para que você mantenha uma formação continuada. Continua. Constante. Dizem eles: não pare de aprender, jamais.

Eu recomendo o mesmo. Adquirir repertório é a melhor forma de reciclar seu conhecimento e abrir oportunidade para suas reflexões internas gerarem novas ideias.

É importante ter um repertório abrangente. Não me venha com aquele papo de que escolheu o campo da Comunicação por não gostar de matemática. Quem trabalha com mídias sociais sabe muito bem que entender um pouco dos conceitos da Teoria dos Grafos (redes) da matemática, ajuda a compreender a dinâmica de propagação espontânea de uma mensagem pelas redes sociais.

Aliás, quando se tratam dos meios digitais, muitos culpam as diferenças impostas pela geração. Dizem que para a empresa saber lidar bem com a comunicação digital e as redes sociais é preciso ter profissionais jovens. Essa é uma aposta numa geração que não está assim tão interessada em atender a essa expectativa.

Não é difícil ver jovens profissionais com perfil de diretores de 60 anos. Estagnados no pensamento e conservadores na forma de agir. Só porque possuem um perfil no Facebook e no Instagram não significa que dominam a rede. Não possuem nenhuma iniciativa e dedicação ao trabalho. Nem parece que estão iniciando a carreira. Vi muito gerente e diretor reclamar de jovens com esse perfil. Melhor para os poucos proativos e esforçados, que muitas vezes, por conta também de um espírito empreendedor, conseguem destacar-se e construir uma carreira independente de um mentor profissional.

Mas a afirmação acima não isenta o diretor da empresa de assumir uma acomodação profissional. Se você possui um cargo de direção e encontra-se devidamente confortável em seu escritório, sem vontade alguma de reciclar seu conhecimento e prefere empurrar esse dever para seus subordinados, cuide-se, pois quem sabe poderá em breve ser substituído por um jovem de 36 anos. Eu.

Sim, há no mundo algumas pessoas investindo numa educação contínua e abrangente. Essa é a fórmula para exercitar uma mente criativa. Tanto é assim que empresas como o Google exigem dos candidatos a uma vaga na empresa um documento da instituição de ensino indicando a média de notas obtida nas disciplinas cursadas ao longo de todos os anos da graduação.

Ou seja, não basta ser um aluno mediano e tirar notas pífias para conseguir trabalhar no Google. Algo muito diferente do que acontecia em épocas passadas, em que o diploma nem era exigido. De fato, vivemos sob um novo paradigma.

*Eric Messa é professor da Faculdade de Comunicação e Marketing na Faap/SP. Planejamento criativo em mídias digitais é hoje seu dia a dia profissional e acadêmico. Escreve todo mês para o Meio & Mensagem. Este artigo foi publicado na edição 1543, de 21 de janeiro.
 

 

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