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Dez conselhos ao youtuber profissional

Polêmicas recentes colocam a relação entre youtubers e marcas no centro da discussão

Luiz Gustavo Pacete
24 de fevereiro de 2017 - 7h41

 

youtubespace

O YouTube Space foi criado em outubro de 2014 para reunir a comunidade e as marcas

O tema youtubers e publicidade está em alta desde a semana passada. Felix Kjellberg, maior youtuber do mundo, responsável pelo canal PewDiePie com 53 milhões de inscrições, entrou em uma polêmica ao publicar um vídeo considerado antissemita. Diante da repercussão, a Maker Studios, de propriedade da Disney e parceira de Felix desde 2012, rompeu com o influenciador. Além disso, na semana passada, aqui no Brasil, veio à tona a informação de que alguns youtubers receberam dinheiro do  ministério da Educação para gravar vídeos em defesa da reforma do Ensino Médio. Diante dos dois casos, Meio & Mensagem reuniu a opinião de profissionais como a agência Celebryts, a F.biz e a Mutato para discutir o que vale e o que não vale na relação entre youtubers e marcas.

Não se seduza pela proposta errada
De acordo com Ariel Alexandre, CEO da Celebryts, o briefing da campanha é um dos pontos mais importantes. “É necessário que esteja muito claro o que fazer e falar no vídeo e ainda mais importante é o que não fazer. Em muitos dos casos, o não fazer entra em contrato e é negociado por um longo período. O youtuber profissional vai identificar esses pontos do que não fazer e até negar a campanha se ele não se sentir seguro”, diz Alexandre.

Seja sincero
“O youtuber precisa ser sincero quando uma marca procurar o canal para uma campanha. Ele precisa avisar que já falou mal da marca em seu canal ou em suas redes. Sendo sincero, a agência e a marca podem até mesmo pensar em uma estratégia a favor disso ou simplesmente não continuar. É melhor não aceitar a campanha do que se queimar com a agência desse cliente, que poderia indicar o seu canal para outras marcas”, diz Alexandre.

Não seja cínico
Para o CEO da Celebryts, o youtuber precisa dominar o assunto, não adianta “forçar a barra”, campanha com influenciador precisa fluir, ser verdadeira, que ele realmente goste da marca ou entenda sobre o que será falado.

Não traia o seu público
Ainda de acordo com Alexandre, se for campanha, o influenciador precisa sinalizar ao subir o vídeo e até mesmo colocar na descrição. “Não aceite se uma marca falar para não marcar como publicidade, um recurso que tem no upload do Youtube, isso não é bom pra você e nem para o cliente. As marcas precisam entender que se a campanha for bem feita, os inscritos vão curtir e comprar.”

Fique de olho nos deslizes
A partir do momento que se assumem compromissos com marcas, o filtro deve existir. Renata Longhi, diretora de conteúdo da F.biz, explica que muitos influenciadores acabam ganhando visibilidade por ter uma linguagem sem filtro, porém, essa postura precisa ser ponderada, principalmente quando você tem marcas envolvidas. Ela explica que esse risco não está restrito a influenciadores, ele envolve qualquer outro garoto-propaganda. “Youtubers mais jovens acabam cometendo deslizes que podem ser utilizados pelas marcas como forma de mostrar apoio e orientação”, diz Renata.

“Não aceite se uma marca falar para não marcar como publicidade, um recurso que tem no upload do Youtube, isso não é bom pra você e nem para o cliente”

Empreste sua experiência
Para Thais Mara, gerente de influência da Mutato, o principal ponto que cria valor para um influenciador é sua capacidade única de criar um conteúdo que gera altas taxas de engajamento e identificação entre ele e as pessoas que escolhem segui-lo. “É essa capacidade que as marcas querem ver sendo colocada em prática ao chamar um influenciador para comunicar certa mensagem.”

Defenda seu conteúdo
“Empreste o olhar único para a marca e crie verdadeiramente com ela um conteúdo que vá engajar seu público. E isso passa por deixar claro quais são os traços do seu perfil como influenciador que não podem deixar de estar lá. Querer que a linguagem mude é como pedir a um youtuber irreverente que vista terno e se porte como um apresentador de jornal de TV. Não rola, e o público percebe que tem algo estranho. Perde a marca, perde o youtuber e perde a audiência”, diz Thais.

Equilibre o olhar e os valores
“Enfim, a graça do trabalho fica nesse equilíbrio entre o olhar único do creator que, respeitando os valores que guiam sua produção de conteúdo, consegue trazer propostas criativas para a marca comunicar o que precisa. Muitas vezes, as ideias que surgem desse processo de co-criação não sairiam de um brainstorm na agência ou do time de marketing do cliente”, diz Thais.

“A graça do trabalho fica nesse equilíbrio entre o olhar único do creator que, respeitando os valores que guiam sua produção de conteúdo, consegue trazer propostas criativas para a marca comunicar o que precisa”

Entenda os processos do nosso mercado
Para Thais, da Mutato, é muito importante que o youtuber, quando decide que irá se associar a marcas, entenda a dinâmica do mercado. “É preciso entender que há prazos, contratos, compromissos que dependem diretamente dele para rolar. É óbvio que isso não pode virar uma fonte de pressão ou mesmo que engesse a irreverência do creator, mas é preciso entender o que está em jogo a partir do momento que se assina um contrato. Muitas vezes, toda a estratégia da marca está apoiada no conteúdo que virá desse influenciador – e, se ele pisa na bola, pode rolar um stress desnecessário ou mesmo perdas significativas para a estratégia da marca, o que é grave.”

Não fure com uma marca
Thais conta que já aconteceu com a Mutato de no dia acordado para subir algum conteúdo, o influenciador furar. “Pinta uma viagem, a pessoa acorda de ressaca, aparece uma reunião de última hora… e ele esquece de postar. Isso, dependendo da campanha ou projeto pode pegar mal, porque mostra falta de comprometimento. Questões como essa não podem ser terceirizadas e têm que partir também da boa vontade do youtuber em fazer do próprio conteúdo um bom negócio, para que ele continue rentabilizando o canal e, consequentemente, ajude o próprio canal a crescer e melhorar”, diz Thais.

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