“A Amazon é a única que pode romper o duopólio”

Buscar

Marketing

Publicidade

“A Amazon é a única que pode romper o duopólio”

Brad Stone, editor da Bloomberg e autor de “A loja de tudo”, biografia da Amazon, fala sobre a capacidade da empresa de Jeff Bezos de competir com Google e Facebook em publicidade digital

Luiz Gustavo Pacete
21 de março de 2018 - 7h00

O jornalista americano Brad Stone cobre o Vale do Silício há mais de 20 anos. Começou como correspondente da revista Newsweek na região passando pelo New York Times como correspondente de tecnologia e chegou à Bloomberg onde ocupa o cargo de editor sênior.

 

Brad Stone (Crédito: Reprodução YouTube)

Em seu primeiro livro, lançado em 2013, “A Loja de Tudo”, Brad conta os bastidores da maior varejista do mundo, a Amazon, e traça um perfil de seu fundador Jeff Bezos. Recentemente, o jornalista lançou no Brasil, pela Intrínseca, “As Upstars”, livro em que ele conta os bastidores da fundação de empresas como Uber e Airbnb.

Ao Meio & Mensagem, por e-mail, Brad falou sobre a geração de startups fruto da recessão econômica de 2008 e do boom do mobile, entre elas Uber e Airbnb, e também comentou o potencial da Amazon de quebrar o duopólio de publicidade do Google e Facebook.

“O Uber sob a gestão de seu fundador, Travis Kalanick, parecia acreditar que respeitar o estado de direito e contratar pessoas com mais experiências equivaleria a ser uma empresa grande, lenta e burocrática”

Meio & Mensagem – Uber, Airbnb e outras companhias que possuem projeção neste momento e surgiram relativamente no mesmo período, quais as principais características dessa geração de empresas?
Brad Stone – Essa onda de empresas começou em torno dos mesmos elementos: durante a profunda recessão de 2007 e 2008 e a explosão no uso do smartphone em todo o mundo. A evolução das redes sem fio de banda larga e a grande quantidade de dinheiro vindo de empresas de investimentos contribuíram para esse movimento. Elas possuem muitos pontos em comum. Em diferentes proporções, foram lideradas por empresários obstinados que procuravam transformar parte da economia local (hotéis e táxis) que eram regidas por regras velhas e desatualizadas.

M&M – O estilo “agressivo” dessas startups, como você cita no seu livro recente, responde aos problemas que o Uber, por exemplo, está tendo com reclamações de qualidade de serviços e crise de imagem?
Stone – O Uber sob a gestão de seu fundador, Travis Kalanick, parecia acreditar que respeitar o estado de direito e contratar pessoas com mais experiências equivaleria a ser uma empresa grande, lenta e burocrática. A cultura de “quebra de regras” que Kalanick instalou por um tempo na Uber funcionou e se espalhou rapidamente por todo o mundo. No entanto, teve um fim desastroso arruinando a imagem pública da empresa e custando a reputação de Kalanick que foi afastado.

M&M – Essas empresas de tecnologia foram superestimadas?
Stone – Não diria que elas foram superestimadas. Elas continuam a crescer. Uber tem uma grande concorrência global, mas ainda fornece um serviço que é valorizado em muitas partes do mundo onde opções de transporte são limitadas. O Airbnb domina a partilha de casas na maior parte do mundo – a China é uma exceção – e o principal desafio é crescer em outras categorias de serviços. Ambas são histórias de sucesso incríveis. Eles se tornaram gigantes de classe mundial em uma década – uma conquista notável.

M&M – O Vale do Silício já foi palco do nascimento de gigantes como Google e Facebook passando por Uber e Airbnb. Qual a próxima onda de startups? De onde devem surgir as grandes empresas? Fintechs? Inteligência artificial? Blockchain?
Stone – A febre sobre a inteligência artificial agarrou o Vale do Silício. No entanto, essa poderosa tecnologia só pode ser de propriedade de empresas como Google, Facebook e a Amazon, que podem contratar os melhores engenheiros. Isso tornará mais difícil para as startups competir neste campo promissor. Blockchain parece ser mais adequado à mentalidade empresarial. É o tipo de tecnologia que ameaça o “status quo”, e as grandes empresas estabelecidas, mesmo as gigantes tecnológicas, desconfiam disso porque têm muito a perder.

M&M – Recentemente, tivemos o primeiro unicórnio brasileiro, a 99 foi vendida ao chinês Didi Chuxing. Como o Brasil é visto em termos de mercado potencial para startups?
Stone – Como o maior país da América do Sul, o Brasil é um mercado suficientemente grande para suportar uma comunidade de empresas de tecnologia robusta. Muitas vezes, trata-se da vontade de uma geração mais jovem de renunciar à carreira segura, assumir riscos e desafiar a maneira estabelecida de fazer as coisas. O sucesso da 99 e da vasta indústria brasileira de comércio eletrônico demonstra isso. Na medida em que a internet e a banda larga sem fio continuam a melhorar, e mais capital de risco vem para o Brasil, espero ver mais unicórnios brasileiros.

M&M – Aproveitando o gancho do seu primeiro livro, sobre a Amazon, pode comentar o avanço da empresa e como ela está revolucionando o mercado? Sobretudo o de publicidade digital?
Stone – A história da Amazon é continuamente incrível. A empresa fala sobre ter três grandes negócios – Amazon Prime, marketplace e nuvem. Além disso, está desenvolvendo pelo menos meia dúzia de outros negócios nascentes: Prime Video, Whole Foods e sua subsidiária da Índia, a Fulfillment by Amazon, além da Alexa. Todos são extremamente promissores. Sobre a publicidade digital, a Amazon pode vender anúncios em seu próprio site, que aparecem quando as pessoas procuram produtos. Há muitas oportunidades lá, é a única empresa capaz de quebrar o duopólio de publicidade on-line do Google e Facebook.

*Crédito da foto superior: Reprodução série Silicon Valley

Publicidade

Compartilhe