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Kathy Fish, a mulher à frente da área de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do maior anunciante do mundo comenta os desafios da área

Roseani Rocha
8 de março de 2019 - 11h39

Engenheira química e presidente global de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da P&G, Kathy Fish coordena o trabalho de mais de 7.500 cientistas (Crédito: Rafael Barreto)

Mulheres em cargos de alta liderança são raras e liderando áreas técnicas, mais ainda. A P&G, no entanto, tem uma dessas exceções. A engenheira química Kathleen B. Fish, conhecida na companhia como Kathy Fish, galgou posições na companhia. Nos anos 1980, ocupou cargos ligados às áreas de beleza e cabelos. Em 1995, teve seu primeiro cargo de diretora, para Beauty Care Technology. Já em 2006, tornou-se vice-presidente de P&D para Baby e Adult Care. Três anos depois, migrou para Fabric Care. Em 2014, tornou-se CTO e desde 2017 ocupa o cargo de presidente global de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação.

Hoje, ela é responsável por liderar uma equipe da qual fazem parte cerca de 7.500 cientistas distribuídos por 15 centros técnicos em diferentes regiões do mundo – um deles inaugurado no início deste ano no Brasil, no complexo da fábrica da cidade de Louveira (SP). Além de se orgulhar de ter mais PhDs que Harvard, a P&G tanto leva a sério o desenvolvimento de produtos e processos de inovação que em janeiro deste ano participou pela primeira vez como expositora na CES – a Consumer Electronics Show, em Las Vegas, que foi o primeiro evento coberto pelo Meio & Mensagem no projeto 100 Dias de Inovação.

“Inovação é um investimento estratégico para o longo prazo. Abraçamos a ideia de que cada produto seja irresistivelmente superior, estabeleça uma conexão emocional, batendo as ofertas dos concorrentes. Significa que investiremos mais em pesquisa e desenvolvimento”, afirmou Kathy Fish em entrevista exclusiva ao M&M.  Esse investimento, atualmente, está na casa dos US$ 2 bilhões e abrange também projetos desenvolvidos em parcerias com startups, por meio da P&G Ventures.

Pela primeira vez, a P&G participou da CES como expositora e apresentou uma série de produtos conectados (Crédito: Rafael Barreto)

Na CES, alguns dos destaques da P&G foram os produtos conectados: uma escova de dentes Oral-B equipada com sensores que diz se o usuário está esquecendo alguma área na escovação e dá, num app, um relatório de sua saúde bucal; um aromatizador de ar ativado por voz, que também pode ser ligado remotamente, com ajuste de intensidade de aroma e cor (o aparelho da linha Febreeze parece um objeto de decoração, com luz que muda de cor); o Opté, um produto inteligente que escaneia a pele, detecta imperfeições e aplica a maquiagem somente nessas áreas e 100% de acordo com o tom de pele da pessoa, dando um look natural; e para a linha de dermocosméticos SK-II, também foram apresentados devices para escanear o rosto, dizer qual a idade da pele, de fato, versus a idade biológica e, a partir daí, dar uma recomendação customizada de produto.

Sustentabilidade de ponta

Além de atrair o consumidor e garantir a liderança de suas marcas nas 10 categorias em que a P&G atua, inovação também tem a responsabilidade de atender a alguns desafios em particular, como enfrentar pressões como a escassez de recursos naturais, o envelhecimento da população e sua concentração em centros urbanos.

Depois do projeto Água Pura para Crianças, que além de um case social é um case de inovação, porque baseado numa tecnologia em que um sachê torna potáveis até 10 litros de água, dois novos projetos da P&G prometem ser tão revolucionários quanto em termos de inovação e sustentabilidade. Ambas, segundo Kathy Fish estão atreladas ao compromisso da companhia em reduzir o espaço do plástico em sua cadeia produtiva.

A primeira é uma tecnologia desenvolvida em parceria com uma startup para usar polipropileno reciclado e limpá-lo de forma que possa ser usado novamente como um material virgem. “Hoje, quando reciclam, o material resultante tem usos limitados, porque é cinza, há contaminações. Se usá-lo num frasco, tem de colocar numa camada interna, que não afete a cor externa e não tenha contato com o produto na parte interna. Essa invenção permite que o polipropileno seja totalmente limpo e usado como um material virgem, o que cria uma economia circular”, ressalta Kathy.

Já a nova marca chamada DS3 está em fase de testes. Segundo a executiva, o que a P&G faz nos componentes da nova linha de produtos é praticamente tirar toda a água do processo produtivo, de uma forma que promete revolucionar a categoria, uma vez que significa tirar 70% de seu peso. Assim, itens como sabões para limpeza da casa, itens de lavandeira e outros de cuidados pessoais (sabonetes de corpo e rosto, xampus) dispensam embalagens plásticas, ocupam muito menos espaço de estocagem e são mais fáceis de vender via e-commerce. “Tem um impacto gigantesco para o meio ambiente em termos de eliminar uso de frascos de plástico e água, e nos livrar de todas as emissões de transporte e logística. Estamos muito entusiasmados e os consumidores até o momento também parecem entusiasmados a respeito”, afirma Kathy Fish. A empresa analisa a forma como os produtos serão comercializados.

A presidente global de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da P&G é a entrevistada da edição 1850 do Meio & Mensagem impresso, que circula esta semana.

 

*Crédito da imagem no topo: iStock.

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