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Universidades buscam protagonismo em inovação

Centros de ensino utilizam ativos internos, como laboratórios e pesquisadores, para trocas com a iniciativa privada. Entretanto, funcionamento corre risco após cortes no fomento à pesquisa

Salvador Strano
26 de setembro de 2019 - 6h02

 

“A inovação em pesquisa vem de agências de fomento ou de parcerias com a indústria, não do orçamento das universidade”, afirma Newton Frateschi, da Unicamp (Crédito: EvgeniyShkolenko/iStock)

Inovar é o mote de quase todos os segmentos da economia. A construção desse processo, por sua vez, passa por diversos agentes, que vão de startups com pequenas equipes até o orçamento militar das maiores economias do mundo, passando por grandes indústrias multinacionais. No Brasil, as universidades, faculdades e institutos estão entre as principais instituições na busca por novas soluções.

A Unicamp, por exemplo, mantém o Inova – centro de patentes que possui mais de 1,2 mil documentos de proteção intelectual. A operação é dividida em três frentes: comunicação institucional, propriedade intelectual e parcerias com a iniciativa privada. Na primeira vertente, a partir de eventos, palestras e concursos, a universidade busca ampliar a cultura empreendedora dentro de seus muros. Na universidade de Campinas foram gestadas 600 empresas, que empregam cerca de 30 mil pessoas. Entre os casos mais ilustres estão Movile, que adquiriu o iFood (fundado por um grupo de ex-estudantes da USP), e o QuintoAndar.

Já com patentes, parte da remuneração da universidade vem do licenciamento da produção interna. Por ano, esse negócio rende à Unicamp cerca de R$ 1,8 milhão. Já em parcerias com instituições privadas, somente em 2018, a a universidade arrecadou R$ 134 milhões com 71 contratos. A verba é destinada à construção e melhoramento de laboratórios.

Um dos principais contratos da Unicamp com a iniciativa privada é com a produção de gorduras densas para indústrias alimentares sem que elas sejam excessivamente saturadas, o que é negativo à saúde dos consumidores. Com isso, é possível reproduzir a textura de recheios de biscoitos, por exemplo.

“Entretanto, a inovação em pesquisa, na imensa maioria dos casos, vem de agências de fomento ou de parcerias com a indústria, não do orçamento”, afirma Newton Frateschi, diretor executivo do Inova Unicamp. Com isso, podem ser fatais para o ambiente de inovação das universidades os cortes em agências como Capes, que anunciou que não renovará mais de cinco mil bolsas no ano que vem, e CNPq, que diminuiu seu orçamento pela metade em cinco anos, sem contar a inflação.

Um caminho a ser emulado, explica Newton, é o escolhido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que possui autonomia em seu orçamento, e não pode sofrer cortes do líder do executivo. Segundo a Constituição Estadual, 1% da arrecadação fiscal de São Paulo é destinada à fundação, independentemente de quem seja eleito.

“Quando temos uma parte inicial de inovação, é preciso que seja administrada por fomento. A iniciativa privada não se interessará por um conjunto de empresas que estão em fase inicial”, afirma Pierre Lucena, presidente do Porto Digital, parque tecnológico de Recife. Entretanto, o financiamento não se limita somente aos órgãos de fomento. O Porto, por exemplo, conta com o apoio do Sebrae.

O parque tecnológico surgiu na década de 1990 como uma parceria entre a UFPE, governo do estado de Pernambuco e iniciativa privada. E, atualmente, é uma organização sem fins lucrativos. Seus principais projetos são voltados ao desenvolvimento de softwares, serviços de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e Economia Criativa (EC).

Ambiente propício
Historicamente, a principal contribuição de universidades à iniciativa privada é a construção de talentos, afirma Newton, da Unicamp. Essa formação inclui, também, a preparação para o ambiente disruptivo de startups e novos modelos de negócio.

O Insper, na capital paulista, conta com uma filial do Fab Lab, criado na sede do Massachusetts Institute of Technology, MIT. Nele, os alunos de engenharia atuam com modelos de prototipagem rápida e domínio das técnicas da cultura maker. “Complementar a isso, trazemos uma metodologia de design thinking e costumer development, já mais voltada ao empreendedorismo”, afirma Victor Macul, coordenador do centro de empreendedorismo do Insper.

Além disso, o Insper possui um coworking aberto aos alunos e ex-alunos da instituição. Promove também competições de empreendedorismo.

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