O que um surfista pode te ensinar sobre marketing

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O que um surfista pode te ensinar sobre marketing

Carlos Burle, campeão de ondas gigantes, mostrou por que sua carreira é um case inspirador

Roseani Rocha
14 de maio de 2022 - 19h39

“Surfando ondas gigantes” era o título da apresentação do campeão mundial de surf em ondas gigantes Carlos Burle, no MNB 2022. E o que isso tem a ver com marketing ele foi deixando claro ao longo de sua fala, ao contar quão gigante foram também os perrengues que passou na vida para chegar até onde chegou.

Mas ele faz isso sempre deixando claro o quanto também jamais se dobrou às limitações que outras pessoas tentavam colocar sobre sua carreira, a começar pelo pai que quando ouviu dele que gostaria de ser um surfista profissional, respondeu que iria acabar empurrando carrinho de cachorro-quente, porque era um esporte que não tinha apoio. E, na época, seu pai não estava errado sobre esta última parte. No entanto, a persistência de Burle para ser fiel à sua paixão por um esporte que andava de mãos dadas com a natureza foi que inclusive ajudou a categoria a mudar de um cenário precário até chegar a ser incluída na lista dos esportes olímpicos.

Ainda bem jovem, ele escreveu (ou datilografou, porque era início dos anos 1980) para si mesmo um documento com o título “Meu dever como um atleta amador”, em que já falava sobre coisas como metas, “uma boa condição psicológica que influencie positivamente na minha capacidade técnica”, “desenvolver trabalhos paralelos”, “possuindo um patrocínio, tentarei junto com este produzir um trabalho que será divulgado no dia a dia” e ainda falava sobre despertar “no público surfístico” a consciência da necessidade de o esporte ter uma entidade organizada – hoje, tem a World Surf League (WSL). Arrematava o documento afirmando o desejo de concluir o 2º grau e ingressar numa universidade.

Desde os 15 anos praticante de yoga e vegetariano, Carlos Burle acredita que o desenvolvimento emocional é até mais importante que o técnico, mas nunca deixou de dar importância também a este, sempre buscando aprender tudo que, até então, não sabia fazer. Exemplo desse desenvolvimento emocional, é a consciência de que ao vencer o primeiro campeonato mundial de ondas gigantes estava não apenas tendo uma conquista pessoal, mas abrindo caminhos para os novos atletas. “O Medina, quando começou a surfar aos nove anos já era um campeão de ondas gigantes”, disse, após lembrar como até aquele momento os surfistas brasileiros no exterior eram vistos como “maroleiros”.

Aos profissionais de marketing do MNB, Burle enfatizou o quanto, depois de “tomar muita porrada”, no percurso de sair de Pernambuco para o Rio de Janeiro e, depois, do Brasil para o exterior, jamais se deixou permanecer numa zona de conforto teoricamente conquistada mais tarde – deslize que, embora ele não tenha dito, algumas marcas tendem a cometer. Na Irlanda, inventou de produzir conteúdo especializado sobre o esporte, o que demanda “capacitação, dinheiro, compromisso”, porque “crescer dói”, disse. E chegou a ser o primeiro surfista a criar uma assessoria de imprensa especializada no esporte (a Mídia Bacana, da qual Fernanda Gentil foi estagiária).

Em sua apresentação também exibiu um vídeo em que lembrou o episódio no qual ajudou a salvar a vida da surfista brasileira Maya Gabeira, quando esta perdeu a consciência após tentar surfar uma onda gigante em Nazaré, Portugal – Maya, posteriormente, criticou o ex-mentor, por ter sido pressionada a surfar aquela onda. O ponto de Burle, aqui, era a necessidade de não se envolver emocionalmente em alguns casos, uma vez que após o resgate ele próprio ainda seguiu o protocolo do campeonato e entrou no mar para competir.

Demonstrando espírito de planejamento e organização desde sempre, mas lidando com um esporte que depende, no fundo, dos humores da natureza, o surfista contou que sua empresa tem como base os seguintes pontos: 1. Identificar a ondulação (o que vai determinar, por exemplo, se ele terá de viajar a toque de caixa para o Japão, porque é lá que acontecerão as ondas gigantes), 2. Desenvolvimento de equipe; 3. Logística e orçamento; 4. Investidores; 5. Execução; 6. Geração de conteúdo; 7. Assessoria de imprensa.

Reconhecer o ambiente, preparação e domínio técnico, sempre buscando dar o melhor de si foram alguns de seus ensinamentos no MNB 2022. “Meu objetivo não era uma medalha de ouro, era qualidade de vida, sustentabilidade, uma vida mais simples”, contou, lembrando, em seguida, aos profissionais que o ouviam que “ninguém controla seus pensamentos”, numa última lição de liberdade e autonomia.

 

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