SXSW: impactos do cancelamento em Austin e Brasil

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SXSW: impactos do cancelamento em Austin e Brasil

Ausência de seguro para pandemias, dúvidas quanto a reembolso e impacto na economia local são algumas das discussões em torno da decisão de não realizar o festival

Luiz Gustavo Pacete
9 de março de 2020 - 11h13

 

Foto retrata a 6th Street, um dos pontos mais movimentados de Austin durante o SXSW, no último sábado, 7 (Crédito: Barrie Brodrick)

O anúncio do cancelamento do SXSW feito na sexta-feira, 6, após a prefeitura de Austin emitir “estado de desastre” para a cidade, em função das preocupações em torno do novo coronavírus, gerou inúmeras reações, em Austin, e no Brasil. Como a própria organização admitiu, a situação é inédita nos 34 anos de existência do evento. A possibilidade de uma transmissão online chegou a ser apontada pelo comunicado, mas sem mais detalhes.

No sábado, 7, o evento publicou um comunicado intitulado “Stand with Austin” pedindo para que as pessoas que iriam ao evento e chegaram à cidade, e os próprios moradores, dessem apoio à economia local. “Desde a notícia do cancelamento, a incrível comunidade de Austin se uniu para apoiar criativos, locais, empresas de produção, funcionários da indústria de serviços e outras pequenas empresas que dependem dos negócios gerados pelo SXSW.”

Dentre as iniciativas para reduzir o impacto na economia local, a organização criou um fundo para que as pessoas doem aos artistas e bandas que iriam ao festival. A fundação Southern Smoke criou uma plataforma de doação específica para os comerciantes da indústria de bebidas e alimentos. Apesar das iniciativas voltadas à economia de Austin, a organização deixou dúvidas em relação à sua política de reembolso de badges. Em e-mail direcionado aos inscritos onde oficializava o cancelamento, o SXSW afirmou que “segue em busca de opções para reagendar o evento ou prover uma experiência virtual.”

Em um dos termos da política de cancelamento e reembolso a organização diz que: “não emite reembolsos sob nenhuma circunstância. Todo e qualquer pagamento feito à SXSW não é reembolsável por qualquer motivo, incluindo, sem limitação, falha no uso de credenciais devido a doenças, atos de Deus, problemas relacionados a viagens, atos de terrorismo, perda de emprego ou compras duplicadas.” Em outro e-mail enviado aos inscritos, a organização propõe que as badges deste ano podem ser adiadas para 2021, 2022 ou 2023.

Na sexta-feira, 6, antes do cancelamento do SXSW, o AdAge chegou a levantar os eventuais prejuízos das empresas que teriam ativações no evento, mas desistiram da participação, entre elas Twitter, Facebook, LinkedIn, Vevo, Intel, Mashable, TikTok, Apple, Netflix e Warner Media. Em média, segundo o AdAge, um estande no SXSW custa US$ 135 mil, além dos US$ 43 mil para a inserção de logo nas camisetas de voluntários. Uma fonte chegou a dizer ao AdAge que a organização não quis conversar sobre oferta de crédito ou reembolso.

Consultada por Meio & Mensagem, o SXSW não comentou questões relacionadas a reembolso dos valores investidos em inscrições e nem comentou como ficou a situação com as marcas que apoiariam o evento. Eram esperadas mais de 80 mil pessoas em Austin de 13 a 22 de março. O movimento financeiro gerado pelo evento era estimado em US$ 360 milhões. Em 2020, a delegação brasileira seria a maior estrangeira pelo segundo ano consecutivo. No ano passado, o evento teve quase 1600 inscrições do Brasil.

Reembolsos e seguro

Diante do não reembolso de inscrições, foi criada no domingo, 8, uma petição no change.org solicitando que a organização reembolse o dinheiro investido pelos participantes. “O SXSW foi cancelado devido ao surto do coronavírus. Eles não emitirão reembolsos de acordo com os termos e condições. Milhares de pessoas estão gastando milhares de dólares. Exigimos um reembolso.”, diz o texto explicando o propósito da lista.

Nick Barbaro, cofundador do SXSW e editor do Austin Chronicle, disse que o evento não possui cobertura de seguro em casos de cancelamento relacionado a um surto de doenças ou a uma declaração de situação de desastre local. “Temos muitos seguros (terrorismo, lesões, destruição de propriedades, clima). No entanto, infecções bacterianas, doenças transmissíveis, vírus e pandemias não são cobertas”, disse Barbaro.

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