Cases, não videocases

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Cases, não videocases

Neste mundo conflituoso em que vivemos, e nos deixa confusos diante de tanta polarização e complexidade, é muito importante resgatar a única régua que realmente importa, orienta e educa: a nossa capacidade de gerar grandes e comprovados cases para as marcas


16 de outubro de 2017 - 17h14

Às vezes, tenho a sensação de que estamos mais em risco pela nossa própria ação do que pela ação dos acontecimentos. Se você frequenta os bastidores do mundo do marketing e da comunicação, deve ter percebido que o clima às vezes fica tenso. Em paralelo aos risonhos almoços, ao carismático network, às adições do LinkedIn e às trocas de cartões, existe outra realidade.

Há muito ativismo, certo conflito, há muitos interesses e ego. Há discursos, previsões, tendências e medos. Há muitos gurus, com ou sem farinha no saco. Há gente construindo. Há gente querendo construir sem saber que está destruindo. Há gente querendo destruir mesmo. Certa repercussão da polarização que está acontecendo em todos os lugares e em todos os aspectos da vida contemporânea.

Podemos dividir qualquer encontro do mercado hoje segundo vários critérios: grupos de comunicação, atividades-fim, apocalípticos e calmos, feminino e masculino, acima e abaixo de 35 anos, gringos e brasileiros, clientes e provedores, numa infinita demonstração da teoria dos grupos sociais. Mais: cada um desses polos se sente na necessidade de manifestar seu profundo incômodo com “tudo isso que está aí”, muitas vezes alfinetando seu colega de almoço ou se sentindo ameaçado por aquele ou aquela que acabou de abraçar.

Vivemos em um mundo conflituoso, e nosso mercado não tem o luxo de ficar de fora. É fácil ficar confuso diante de tanta polarização e complexidade. E é muito importante que resgatemos todos os dias, em todos os nossos encontros e conversas, a única régua que realmente importa, orienta e educa, que vem a ser nossa capacidade de gerar grandes e comprovados cases para as marcas. Estou falando de cases, não de videocases.

Podemos ser mais de um lado ou mais de outro, mas é inegável a importância do case de Magazine Luiza, apresentado pelo Frederico Trajano no MaxiMímidia. É deste tipo de conversa que sai o valor da nossa indústria. E mais: o Fred contou um caso muito, muito tecnológico e disse que acredita muito em propaganda. Precisamos saber mais sobre essas coisas.

Ao separarmos uma empresa que vive um bom momento, e nos certificarmos de que o marketing e a comunicação são partes decisivas de seu sucesso, devemos conhecer como aquilo foi feito, pois é isso que nos valoriza como categoria. Como foi feito Havaianas? Como é feito Ipiranga? Como é feito Net? Como é feito Heineken? Como é feito Netshoes? Como é feito Under Armour nos Estados Unidos? Como é feito Zaffari no Rio Grande do Sul?

E como é feito Dolly? Sim, como é feito Dolly, que virou uma grande marca sem dar ouvidos ao nosso preconceito cosmopolita.

Como foi feita Anitta? Quero saber mais sobre a construção dessa marca além do que está na superfície, porque tem um caminho aí que nossa comunidade precisa conhecer.

Humildade, vontade de aprender e ouvidos bem abertos continuam a ser ferramentas importantes para lidar com aquilo que é diferente da nossa rotina.

Não tenha ilusões: as coisas estão mesmo mais complexas, e talvez não sejamos mais um só mercado afinal.

Mas, se tem uma coisa com que uma grande quantidade dos grupos pode concordar, é que temos a importância dos cases que geramos. Se eles não servirem de baliza, ficamos só com a oratória, o que é muito pouco e muito incerto.

Sendo assim, sem prejuízo do debate e da disrupção, precisamos entender constantemente como fazer uma verdadeira diferença na vida das empresas, pois isso é tudo o que nos torna fortes.

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