Cenp, IAB e o salto quântico que temos diante de nós

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Cenp, IAB e o salto quântico que temos diante de nós

Questões que hoje parecem relevantes, se olharmos numa perspectiva evolutiva do nosso desenvolvimento e do futuro, não terão tanta relevância assim


19 de novembro de 2019 - 16h00

(Crédito: IStock/ Brankospejs)

Na sua opinião, quem tem mais razão, o Conselho Executivo das Normas-Padrão (Cenp) ou o Interactive Advertising Bureau (IAB)?

Se você respondeu qualquer um dos dois, errou na mosca.

Só a história tem razão, não importa o lado em que desejemos estar.

Não é jogo de futebol.

Trata-se de escrever o futuro da indústria e exatamente agora, no momento que, aparentemente, duas das nossas principais entidades representativas, de alguma forma, passam ao analista ligeiro a ideia de que estão em lados opostos. Necas!

Não há lados, a indústria é uma só. E o que estamos vivendo é o desafiador momento de ruptura, em que a história evolui e dá um salto.

O salto que nossa indústria precisa dar é quântico, se nos compararmos à evolução de outros mercados. Questões que hoje parecem relevantes, se olharmos numa perspectiva evolutiva do nosso desenvolvimento e do futuro, não terão tanta relevância assim.

Tem o BV (bonificação por volume)? Ai meu Deus, falei! Tinha jurado que nunca mais escreveria essa palavra em artigo nenhum meu, diante de tanto desconforto que causei nas várias vezes que a escrevi. Mas vai de novo … Retomando o raciocínio … Tem o BV? Sim, tem o BV! Vai ter BV para sempre? Não, não vai ter BV para sempre.

Em dez anos, ou até mais, em 20 anos, para deixar meu ponto bem claro aqui, que relevância terá, então, o BV? Zero. Nenhuma. O que estamos construindo hoje não é uma indústria para amanhã cedo. É para daqui a dez, 20, 30 anos e além. Como em Jornada nas Estrelas.

Os alicerces da história são a base de toda a nossa evolução. Ninguém é filho do instante absoluto. Nem o IAB, nem o Cenp, nem a indústria da propaganda, nem as tartarugas de Galápagos, como nos ensinou Darwin. Quem constrói futuros para o dia seguinte é míope. E meio imbecil, também.

Como o mesmo Darwin nos ensinou, a evolução natural implica em rupturas, desaparecimentos e, após um salto, o surgimento de novos modelos de vida, diferenciados e, sem dúvida, mais evoluídos do que os seus ancestrais.

Estamos no momento pré-salto. No momento quase de pânico diante do passo frente a um abismo a nossos pés. Só que é só um passo e deu. Fomos para o outro lado. As cadeias anteriores que nos geraram terão sido nossa razão de existir, mas, nesse salto que estamos prestes a dar, elas terão ficado em um importante espaço do nosso cérebro e da nossa memória. Só que, aí, seremos outra espécie.

Rupturas não se dão sem dor. Nem sem sustos. Nem sem discussões e reflexões, quando a espécie em questão somos nós, os Sapiens.

A convocação à reflexão e ao debate proposta pelo IAB em seu último documento ao mercado é não só pertinente como, queiramos ou não, gostemos ou não, inescapável. Se entendermos que não é jogo contra, que nossa indústria não é campo de futebol e que o que buscamos é uma meta comum, a reflexão e o debate serão produtivos e evoluiremos.

E olha um ponto importante aqui: você que me lê aqui e que não me lê aqui também, todos, sem exceção, fazem parte disso. Você não é um elo perdido, é parte ativa e necessária da espécie e de toda essa evolução necessária.

Nos próximos dias, meses e nos anos à frente, tente, tentemos todos, mais do que as tartarugas de Galápagos, pensar grande. Com o mindset generoso e grandioso dos que olham o futuro como algo comum e enormemente produtivo para todos.

Jogue futebol, por favor, no campinho do seu bairro.

*Crédito da foto no topo: mfto/istock

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