Black Freelancers Matter

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Black Freelancers Matter

Diversidade e valorização racial são forças competitivas necessárias para empresas que desejam crescer e permanecer relevantes criativamente


25 de setembro de 2020 - 14h16

Protestos pela morte de George Floyd, em Washington DC, em junho de 2020 (Crédito: Win McNamee/Getty Images)

Recentes protestos contra a brutalidade policial contra a população negra acenderam debates no mundo inteiro. O racismo estrutural denunciado neles não é algo novo – é uma construção histórica que resiste há séculos.

Hoje, globalmente e entre diferentes extratos sociais, pessoas e empresas propõem mudanças, com imensa vontade e esperança de uma sociedade mais justa e igualitária. A força dessas mudanças está na reação antirracista fundamentada no diálogo.

Frente a novos valores propostos pela sociedade, empresas precisam rever suas crenças para continuarem relevantes.

Grupos de trabalho homogêneos produzirão resultados sem levar em conta as vivências e perspectivas da maioria da sociedade brasileira, altamente diversificada. Equipes que reúnem diferentes perfis terão discussões mais ricas, alimentadas por diferentes pontos de vista, e, como consequência, chegarão a resultados mais inovadores e relevantes para os dias atuais.

De acordo com o relatório “A diversidade como alavanca de performance” da McKinsey, empresas que possuem diversidade étnica nas suas equipes têm performance financeira 33% superior às demais.

Infelizmente, a realidade ainda difere dessa visão. Segundo o Instituto Ethos, apenas 4,7% do quadro executivo das 500 maiores empresas no Brasil é negro e, se fizermos um recorte para evidenciar a presença de mulheres negras nesses cargos, o índice cai para 0,4% da participação total. Esses percentuais se encontram muito abaixo dos de empresas consideradas inovadoras, como o Google – que possui compromisso de 35% de empregados considerados minorias sociais até 2025 –, a Apple – que conta com esse percentual em 24% – e a Braskem – com 29% do seu quadro composto por pessoas negras.

Repensar estratégias, campanhas de marketing e políticas de trabalho se mostra vital para qualquer indústria, sobretudo a criativa. Como exemplo recente, a chegada da Fenty Beauty, marca de beleza da cantora Rihanna, ao Brasil tomou as redes sociais com usuários frustrados com a estratégia de marketing da Sephora.

Como uma marca que era aguardada pela amplitude de tons que englobava peles negras poderia ignorar justamente essas pessoas na estratégia de lançamento? Pois é, aconteceu.

Se olharmos mais a fundo o recorte da população negra de freelancers que atuam na indústria criativa, veremos ainda mais dificuldades. Mesmo considerando que este grupo constitui uma gigantesca força criativa e inovadora, nunca tão necessária como agora.

Devido à pandemia do coronavírus, serviços de streaming como Netflix e Amazon Prime registraram crescimento de dois dígitos no tempo de uso das suas plataformas. Outros serviços como o Twitch, de jogos online, também acompanharam esse crescimento.

O aumento mais interessante, porém, é o do uso das redes sociais: somente o Instagram registrou 20% de crescimento em atividades dentro do app e usuários fizeram em média 13% mais stories desde março.

Nesse território de cada vez mais informações, a comunicação de marcas e empresas precisa estar de acordo com as reivindicações sociais para ser efetiva. Mais do que nunca, a indústria criativa mostra que #BlackFreelancersMatter.

O antirracismo é um processo de reeducação. O quanto você e sua empresa estão se questionando sobre este tema?

Comunicações de marca, de lançamentos de produtos ou de serviços, seja em redes sociais, em outdoors ou na televisão requerem diversidade racial. Não somente pelo simples fato de inclusão, mas pelos resultados eficazes que somente uma equipe diversa pode conseguir. O olhar de profissionais negros necessários à indústria criativa é o caminho para as empresas que desejam continuar relevantes e em crescimento nos próximos anos.

A startup que cofundei, Creators.llc, nasceu da necessidade de ajudar profissionais independentes, e no atual momento delicado em que vivemos deixamos claro nosso compromisso com a inclusão e qualificação de designers, diretores de arte, fotógrafos, ilustradores, filmmakers, desenvolvedores e diversos outros profissionais negros que ainda não estão devidamente inseridos na indústria criativa. Na plataforma, empresas têm a chance de acessar o trabalho desses profissionais e montar uma equipe diversa que trará melhores resultados para seus projetos.

Incluir esses profissionais vai além da contratação – envolve acolhimento, valorização no ambiente empresarial, e investimento em sua qualificação profissional.

Iniciativas que acredito deixarem seu recrutamento naturalmente mais diverso:

– Exigir receber um shortlist de candidatos diverso (gênero, raça, classe social e orientação afetivo-sexual);

– Ter compromisso mensurável com a abertura de oportunidades para perfis diversos;

– Realizar treinamento interno de RH e incentivo a grupos de discussões;

– Promover igualdade salarial;

Não há resiliência ou capacidade individual que possa vencer o abismo social das diferentes oportunidades entre negros e brancos. A diversidade e inovação passam, obrigatoriamente, pela equidade e senso comunitário. Empresas que demonstrarem seu compromisso com a representatividade, inclusão e valorização da força criativa destes profissionais pavimentarão as vias para seu próprio crescimento e contribuirão para uma sociedade mais justa, livre e democrática.

*Crédito da foto no topo: Mfto/ iStock 

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